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Calçadas e ruas de Manaus são demarcadas sem consentimento de órgãos públicos

O espaço público está sendo ‘loteado’ em benefício de proprietários de residências e  comércios. Culpando a falta de planejamento, o manauara tem dado um 'jeitinho' e ocupa calçadas e vias de forma indevida na cidade 12/01/2015 às 10:00
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Na Avenida Grande Circular, vias públicas e calçadas são delimitadas por razões particulares e impedem a passagem de pedestres e outros veículos
Juliana Geraldo Manaus (AM)

Calçadas bloqueadas para pedestres com correntes e blocos de concreto, passagens inteiras obstruídas, faixas pintadas por mototaxistas e fretistas para delimitar seus ‘estacionamentos’, comércios que fecham as calçadas e obrigam os pedestres a atravessar a rua para seguir seu caminho. Estes são alguns dos exemplos de uso indevido do espaço urbano. A CRÍTICA foi às ruas e verificou que o espaço público de Manaus está sendo ‘loteado’ por iniciativas individuais de comerciantes e proprietários de imóveis. Eles estão expandindo seu território em benefício próprio. Sem poder utilizar o espaço comum, ao pedestre restam as movimentadas ruas da cidade.

De um lado, os autores das ações apontam a falta de planejamento urbano e o excesso de veículos nas ruas como razões para as medidas tomadas. De outro,  os pedestres que se queixam de não serem contemplados nessa tomada de decisão sobre o quê ou quem pode ocupar os espaços comuns da cidade, em especial, as calçadas.

Soluções caseiras

A reportagem apurou diversos exemplos de uso arbitrário do espaço público em várias zonas da cidade. Na rua do Fuxico, no bairro Jorge Teixeira I, zona Leste, a maior parte das calçadas está ocupada pelas atividades dos fretistas que carregam e descarregam mercadorias ocupando todo o espaço que deveria ser usado pelos pedestres. “Os carros ficam parados na rua inteira formando fila dupla. Não temos espaço em lugar nenhum”, reclamou a dona de casa, Maria do Carmo, 59.

Na mesma rua, parte das calçadas foram delimitadas pelos fretistas que pintaram faixas para estacionar seus veículos. O presidente da Associação de Fretistas da Zona Leste (Afrezol), Júlio Teles, defendeu a categoria. “Somos autorizados pela SMTU. Não queremos prejudicar motoristas nem pedestres”, argumentou. Em frente ao Shopping Grande Circular,  a situação se repete. A calçada está ‘reservada’ para os carros de frete. Em vários outros pontos da zona Leste, demarcações feitas de forma caseira com pincel e tinta e até pedaços de papelão indicam que aquele ponto da rua é exclusivo para mototaxistas, por exemplo.

Calçadas bloqueadas

Na Avenida Ephigênio Salles, o condomínio Nau Capitania fechou a calçada que antes servia de passagem para os pedestres com correntes para facilitar a vida dos moradores. eles  cortam o espaço  na contramão para ter acesso à rua ao lado. Entre as ruas Carvalho Leal e Castelo Branco, no bairro Cachoeirinha, zona Sul, uma lanchonete fecha toda a calçada com mesas, cadeiras e correntes. Após a obstrução, ao invés de calçada, o pedestre encontra poças de água. “Temos que andar entre a água e a rua, muito perto dos carros e ônibus ou atravessar e depois voltar”, contou a comerciante Neia Cruz, 41.

Infraestrutura é solicitada

Para o mototaxista Ênio Santos, 36, as medidas, regulares ou não, são consequência da falta de infraestrutura na cidade. “Manaus cresce rápido demais e em todo lugar é proibido estacionar. Nós pagamos todos os impostos e não temos espaço para trabalhar. O resultado é esse. Cada um dá o seu jeitinho mesmo”, comentou. Ele enfatizou que nem todas as ações são irregulares. “Em alguns casos a prefeitura concede autorização. É claro que muitos fazem sem permissão e criam toda essa confusão”.

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