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Calçadas precárias estão sendo denunciadas em mobilizações populares criadas na Internet

Campanha #CalçadaCilada incentiva moradores de Manaus a ‘mapearem’ obstáculos nas calçadas e compartilharem problemas para serem solucionados 29/03/2015 às 20:45
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Os problemas encontrados nas calçadas de toda a cidade podem ser marcados e compartilhados por meio de um aplicativo chamado Cidadera
oswaldo neto Manaus (AM)

É por meio das redes sociais que um dos problemas mais comuns da capital vem sendo exposto e debatido na busca por mudanças. As calçadas - sejam elas desniveladas, com crateras à mostra ou palco de irregularidades como a ocupação indevida - estão sendo denunciadas em mobilizações populares criadas na Internet.

O resultado ainda é tímido, mas vem ganhando força entre os adeptos da iniciativa. O movimento nacional intitulado #CalçadaCilada é um deles. A maratona foi lançada na última sexta-feira e diversos pontos de Manaus foram fotografados e compartilhados no aplicativo “Cidadera”.

Um dos coordenadores da ação em Manaus, Keyce Jhones, explicou como se dá o projeto. “A ideia inicial é cada um fazer o seu no seu tempo, colaborando através do site ou pelo aplicativo. O projeto está sendo discutido para se estender para outros dias”, adintou Jhones.


O acadêmico em Arquitetura e Urbanismo Talles Mattos, 21, aprovou a ideia e registrou a situação das calçadas na Zona Norte. “Me interessei muito porque nós somos usuários das vias públicas. A maioria desses problemas nas calçadas são gerados por invasões ou falta de planejamento. Eu quis fazer a minha parte no local onde moro”, diz ele, que fotografou a situação das calçadas na rua Doutor Lopes Gonçalves, no bairro Novo Aleixo.     

Acessibilidade na web

Também com a finalidade de promover a discussão sobre problemas na infraestrutura urbana da cidade, a página “Mais Acessibilidade - Manaus”, criada pela arquiteta Juliana Gomes, 32, hoje alcança no Facebook 432 pessoas que abraçam a causa.

Segundo ela, a acessibilidade precária é um gargalo enfrentado não só para pessoas com limitações físicas, mas por toda a população. “Vejo as dificuldades de mães com crianças pequenas. Elas disputam espaço com os carros porque não tem calçada. Os passeios precisam ser planejados para atender toda a população” , afirmou a especialista, que também participou do projeto #CalçadaCilada. Na ocasião, ela fez imagens na avenida Jornalista Umberto Calderaro Filho, na Zona Centro-Sul.

Análise de Juliana Gomes, Arquiteta e Urbanista: “Não é só rampa”

“A acessibilidade vai muito além de só colocar rampas para quem anda em cadeiras de rodas. Os passeios precisam ser planejados para atender toda a população, mas muito disso acontece pela falta de qualificação dos profissionais que planejam. É necessário pensar na coletividade. Nenhuma avenida de Manaus possui uma calçada  com percurso completo, algumas têm a questão da interrupção, outras faltam rebaixos em faixas de pedestres. A população também precisa ter consciência e reclamar aos órgãos responsáveis. Também acredito que falta mais fiscalização por parte dos órgãos pra acabar com ocupações ilegais em calçadas, como acontece no Centro”

Maratona

A maratona #CalçadaCilada foi lançada em 2014 para incentivar o público a tirar “selfies” nas calçadas quando problemas fossem detectados. Segundo Silvia Stuchi, uma das fundadoras da ação, a ferramenta visa ampliar o olhar para um espaço que se tornou “invisível”. “O aumento da circulação pode trazer como desdobramentos uma pressão natural não só sobre o setor público, como também sobre o privado”, disse.

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