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Calor continuará 'castigando' manauara nos próximos dias, segundo meteorologistas

Em oito dias, o recorde de dia mais quente dos últimos 90 anos foi quebrado duas vezes, mas não deve ser alcançado novamente este ano. Ontem (21), foram registrados 39ºC 22/09/2015 às 19:51
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População da capital deve se preparar porque não há previsão de chuvas para os próximos dias
Rafael Seixas Manaus (AM)

O recorde de 39°C, alcançado na última segunda-feira (21), da temperatura em Manaus, dificilmente será quebrado este ano. Essa é a informação dada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Contudo, a população da capital deve se preparar porque não há previsão de chuvas para os próximos dias. 

“As previsões já indicavam temperaturas acima da média, porém é difícil apostar em quebra de recordes”, disse Gustavo Ribeiro, meteorologista do Inmet.

De acordo com o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), as temperaturas já apresentam queda nesta terça-feira (22).

“Temos três estações meteorológicas em Manaus. Às 15h, a temperatura chegou a 37,6°C na estação do Inmet e a 36°C na unidade do aeroporto de Ponta Pelada. Às 12h, no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, foram registrados 38°C com sensação térmica de 40°C”, informou o Sipam.

Fenômeno

O professor e geógrafo Sidney Glória explica que grande motivador dessas fortes temperaturas é o fenômeno chamado El Niño, que causa o aquecimento anormal das águas superficiais e sub-superficiais na região Equatorial do Oceano Pacífico, causando a modificação da circulação dos ventos.

“A questão que envolve clima não é tão fácil de ser entendida. Manaus tem esta sensação térmica mais elevada por conta da ausência de vegetação e dos próprios materiais utilizados nas construções da cidade, como concreto e o próprio asfalto, que absorvem o calor”, disse.

O pesquisador ainda explica que o fato de Manaus ser uma das cidades menos arborizadas do País agrava ainda mais esta situação. Para ele, adotar essa medida pode ajudar a amenizar o calor na cidade.

“A arborização das ruas, despoluir os igarapés e criar o desenvolvimento sustentável da cidade são algumas das medidas que ajudariam a amenizar o calor”, defende o professor.

Crescimento sem responsabilidade

Conforme o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), essa falta de árvores em avenidas e ruas contribui para as chamadas “ilhas de calor”. O conselho informou que essas ilhas são geradas pelas temperaturas elevadas, quando a sensação térmica é acima do esperado.

Sem árvores, Manaus mais quente

Esse crescimento da área urbana de Manaus, sem arborização, pode aumentar a temperatura da superfície em uma média de 3°C e a temperatura do ar em aproximadamente 0,4°C. Essa foi a conclusão da pesquisa “O cenário de urbanização e seus impactos”, da universitária do curso de arquitetura e urbanismo da Uninorte, Denise Hall.

O trabalho foi contemplado pelo Programa de Apoio à Participação em Eventos Científicos e Tecnológicos (Pape), da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e será apresentado no próximo mês, no Simpósio de Climatologia, em Natal.

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