Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020
Manaus

Calor continuará 'castigando' manauara nos próximos dias, segundo meteorologistas

Em oito dias, o recorde de dia mais quente dos últimos 90 anos foi quebrado duas vezes, mas não deve ser alcançado novamente este ano. Ontem (21), foram registrados 39ºC



1.jpg População da capital deve se preparar porque não há previsão de chuvas para os próximos dias
22/09/2015 às 19:51

O recorde de 39°C, alcançado na última segunda-feira (21), da temperatura em Manaus, dificilmente será quebrado este ano. Essa é a informação dada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Contudo, a população da capital deve se preparar porque não há previsão de chuvas para os próximos dias. 

“As previsões já indicavam temperaturas acima da média, porém é difícil apostar em quebra de recordes”, disse Gustavo Ribeiro, meteorologista do Inmet.



De acordo com o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), as temperaturas já apresentam queda nesta terça-feira (22).

“Temos três estações meteorológicas em Manaus. Às 15h, a temperatura chegou a 37,6°C na estação do Inmet e a 36°C na unidade do aeroporto de Ponta Pelada. Às 12h, no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, foram registrados 38°C com sensação térmica de 40°C”, informou o Sipam.

Fenômeno

O professor e geógrafo Sidney Glória explica que grande motivador dessas fortes temperaturas é o fenômeno chamado El Niño, que causa o aquecimento anormal das águas superficiais e sub-superficiais na região Equatorial do Oceano Pacífico, causando a modificação da circulação dos ventos.

“A questão que envolve clima não é tão fácil de ser entendida. Manaus tem esta sensação térmica mais elevada por conta da ausência de vegetação e dos próprios materiais utilizados nas construções da cidade, como concreto e o próprio asfalto, que absorvem o calor”, disse.

O pesquisador ainda explica que o fato de Manaus ser uma das cidades menos arborizadas do País agrava ainda mais esta situação. Para ele, adotar essa medida pode ajudar a amenizar o calor na cidade.

“A arborização das ruas, despoluir os igarapés e criar o desenvolvimento sustentável da cidade são algumas das medidas que ajudariam a amenizar o calor”, defende o professor.

Crescimento sem responsabilidade

Conforme o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), essa falta de árvores em avenidas e ruas contribui para as chamadas “ilhas de calor”. O conselho informou que essas ilhas são geradas pelas temperaturas elevadas, quando a sensação térmica é acima do esperado.

Sem árvores, Manaus mais quente

Esse crescimento da área urbana de Manaus, sem arborização, pode aumentar a temperatura da superfície em uma média de 3°C e a temperatura do ar em aproximadamente 0,4°C. Essa foi a conclusão da pesquisa “O cenário de urbanização e seus impactos”, da universitária do curso de arquitetura e urbanismo da Uninorte, Denise Hall.

O trabalho foi contemplado pelo Programa de Apoio à Participação em Eventos Científicos e Tecnológicos (Pape), da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e será apresentado no próximo mês, no Simpósio de Climatologia, em Natal.


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