Domingo, 15 de Setembro de 2019
TRANSPORTE PÚBLICO

Câmara silencia sobre sucateamento de frota de ônibus em Manaus

Nenhum dos 41 vereadores usou a tribuna para se posicionar sobre o fato de 320 ônibus da capital estarem com validade vencida



Capturar_4DA4E0D8-7DD8-4BF1-9BF7-3C979170B7E9.JPG Foto: Aguilar Abecassis/CMM
03/09/2019 às 07:27

A Câmara Municipal de Manaus (CMM) silenciou sobre o sucateamento da frota de ônibus no transporte público da cidade. Nenhum dos vereadores presentes no plenário na segunda-feira (2) abordou o tema na tribuna, restringindo os discursos a projetos de lei referentes a palestras sobre anabolizantes em academias e a inclusão da Festa de Pentecostes no calendário oficial do Município, por exemplo.

Uma matéria publicada pelo Jornal A CRÍTICA informou que 20,5% do total dos ônibus da cidade estão com mais de dez anos de uso, desobedecendo a lei  nº 1.779/13. Incluindo os veículos que possuem mais de seis anos, o número somou a 96,1% do total da frota, equivalente a 1.498 ônibus. Os dados são do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).

Indagado pela reportagem, o presidente da Comissão de Transporte, Mobilidade Urbana e Acessibilidade, Rosivaldo Cordovil (PODE), disse que aguarda informações da intervenção financeira promovida pela prefeitura para a melhoria do sistema. “Ela está fazendo todo o diagnóstico do sistema, e daqui a alguns dias faremos uma audiência pública para trazermos esse número. Aí ela pode dar um norte para renovar o mais rápido”, disse.

Questionado sobre a atuação do Legislativo na fiscalização do sistema de transporte coletivo, Cordovil relatou que “a intervenção maior vem do Executivo; ele que faz a gestão do sistema”. “A comissão vai se debruçar sobre incluir uma emenda à LOA (Lei Orçamentária Anual) para investir no transporte público e vamos direcionar isso aí”, acrescentou.

O líder do governo na Câmara e membro titular da comissão, Marcel Alexandre (PHS), discordou de emendas da LOA ao sistema. “Qualquer coisa que a gente faça assim é para dar dinheiro ao empresário. A CMM não está a favor disso. O prefeito não pode renovar as frotas. Isso é dever dos empresários”, opinou.

Ele também explicou a revogação da lei para um empréstimo de R$ 300 milhões da Caixa Econômica Federal em serviços de infraestrutura e mobilidade.

“O Executivo enviou uma mensagem sem as garantias desse empréstimo pelo governo federal, e em uma nova rodada de negociação conseguiu essa garantia do empréstimo pela União, o que melhoraria os juros, com um custo menor ao longo do processo. Revogamos o antigo, sem as garantias, para vigorar este novo. O investimento é nos terminais, nas rodovias”, detalhou.

Verba existe

O líder da oposição, o vereador Chico Preto (PMN), ao ser entrevistado a respeito da falta de renovação da frota, lembrou que a tarifa do transporte público prevê um valor para essa finalidade.

“Essa conversa deve começar com o questionamento de onde está o dinheiro da renovação. R$ 0,30 de cada passagem são exclusivos para comprar ônibus novos, e vai acumulando ao longo dos meses. No final do ano, tem pelo menos R$ 40 milhões. Os caras (empresários) desmentiram publicamente o prefeito e o vice quando disseram que não ia ter ônibus novo. O povo paga, os empresários não fazem e a prefeitura fechou os olhos”, comentou.

Ainda segundo ele, atitudes como o PL enviado pelo Executivo para aprovar cargos que “repetem” competências de pastas já existentes é um adicional na irresponsabilidade financeira do erário público. “A prefeitura criou três cargos num conselho que nem sabemos o que se discute, Conselho de Gestão Estratégica. Cargos que já são desenvolvidos por secretarias. Cargo para mobilidade urbana? Já não tem o IMMU? Por que precisa de um cargo com 14 mil por mês se tem o gabinete civil, Semad?”, perguntou.

Representação

O deputado federal José Ricardo (PT) deu entrada na tarde de segunda-feira (2) a uma representação no Ministério Público do Estado (MP-AM) pedindo providências para ampliação e renovação da frota de ônibus que atende à população de Manaus.

Ele pediu a instauração de processo que leve à celebração de  termo de compromisso, obrigando as empresas e a prefeitura a cumprirem a Lei Orgânica do Município (Loman). O deputado lembrou que desde 2010 a tarifa tem reajustes.

“A população sofre diariamente com a péssima prestação do serviço de transporte, com a superlotação, ônibus velhos e sucateados que não oferecem a mínima segurança aos usuários. E ainda têm os problemas mecânicos, que causam transtorno à população, pois pregando diariamente no meio da viagem, sem conseguir seguir a sua rota sem incidentes”, disse.

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.