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'Camelódromos' do Centro de Manaus têm pouca procura

Empreendedores remanejados para as galerias populares reclamam da baixa clientela e muitos estão voltando para as ruas 15/06/2015 às 09:17
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Vendedor Raimundo Soares acredita que a galeria deve investir na divulgação
Isabelle Valois ---

A falta de fiscalização nas principais ruas do Centro, onde foram retirados os camelôs ano passado tem prejudicado as galerias populares que ficaram conhecidas como “camelódromos”. De acordo com os vendedores, a população deixa de procurar as galerias, pois continuam a ter os produtos mais acessíveis a serem vendidos por ambulantes nas calçadas e ruas de Manaus, principalmente ao longo da avenida Eduardo Ribeiro, para onde aos poucos os ambulantes estão retornando.

Para que a fiscalização funcione, vendedores da galeria popular Espírito Santo, localizado na rua 24 de Maio, Centro, planejam realizar um dia de protesto por causa da baixa venda dos produtos.

O vendedor Marcos Costa, 40, explicou que eles vão fechar a galeria e realizar uma manifestação em frente à sede da prefeitura, localizada na avenida Brasil, Compensa, Zona Oeste.

“A proposta da galeria tem tudo para que dar certo, mas é preciso que o projeto tenha continuidade, pois retiraram uma parte, mas outros continuam nas ruas, isso faz com que a nossa venda seja reduzida”, explicou Costa.

Com problemas financeiros, muitos dos vendedores das galerias estão deixando suas lojas fechadas e com alguns materiais nas mãos percorrem as principais ruas e avenidas do Centro para vender os produtos, como máquina de barbear e de costura; meias, alimentos e até chips para aparelho celular.

“Esses vendedores que abordam as pessoas no meio da rua são pessoas de dentro das galerias que por causa da falta de freguês buscam uma forma de conseguir dinheiro. Infelizmente colaboram para que a situação dos demais também estejam prejudicados”, disse.

A vendedora Izabel Martins, 40, contou que a estrutura de trabalho nas galerias é melhor, mas sua preocupação está com o ganha pão, pois diariamente não consegue mais ter a renda de antes.

“A sensação que temos é que não há mais fiscalização, pois qualquer um pode ir para calçada vender, isso prejudica as galerias, ninguém mais tem a venda que tinha antes”, reforçou.

Para Izabel, a prefeitura precisa dar continuidade no projeto e retirar todos os camelôs que continuam com suas barracas nas ruas do Centro.

“Se todos os camelôs forem contemplados com as galerias, a comunidade vai procurar e nossa venda, em geral vai retornar”, destacou.

Fiscalização desde 2009A Secretaria do Trabalho, Empreendedorismo, Abastecimento, Feiras e Mercados (Semtef) informou que desde 2009 realiza um trabalho de orientação e fiscalização nas ruas do Centro Histórico de Manaus e que o serviço é contínuo.

Necessidade devido a queda

Na galeria popular dos Remédios, na rua Miranda Leão, Centro, o caso não é diferente. O vendedor Amadeu Freitas, 38, contou que desde que foi retirado da avenida Sete de Setembro e remanejado para galeria, o dinheiro que consegue por mês serve apenas para pagar uma das contas de sua casa e comprar comida para a família. “Ainda bem que tinha dinheiro guardado, pois caso contrário, minha família estaria passando por necessidades”, disse.

Para o vendedor Raimundo Soares, 53, que viajou para outros Estado com a finalidade de conhecer os shopping populares, a prefeitura ainda precisa investir em mídias.c“A nossa galeria contratou uma moça que fica anunciando nosso produtos com uma caixa de som, mas precisamos que a prefeitura também incentive a população a nos visitar e ver que agora estamos melhor do que antes”, declarou.

Soares disse ao coordenador da galeria, que solicitasse da prefeitura que fosse colocado uma parada em frente a galeria. “Quem descer do ônibus vai ter a curiosidade e na certa vai entrar para conhecer o nosso trabalho”, disse.


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