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Manaus
foi só maquiagem

Apesar das galerias, muitos camelôs nunca deixaram as ruas do Centro de Manaus

Vendedores continuam atuando na vias adjacentes da avenida Eduardo Ribeiro e os que saíram do local já estão retornando por causa da queda nas vendas nas galerias 29/10/2016 às 05:00
Isabelle Valois Manaus (AM)

Em 2014, a Prefeitura de Manaus deu início ao trabalho da retirada dos camelôs do Centro de Manaus, mas para quem presta atenção nas vias adjacentes  da avenida Eduardo Ribeiro – principal foco de retirada – é notável a “maquiagem” na ação, uma vez que os pequenos comerciantes continuam atuando  nesses locais. 

Galerias e shoppings populares foram  entregues como opção para esses trabalhadores. No entanto,  muitos quiosques se encontram fechados e abandonados, sob a justificativa de que não trazem o mesmo  retorno financeiro das antigas bancas. Em função disso, muitos dos vendedores ambulantes decidiram  retornar às ruas para tentar recuperar os dois anos perdidos. Esse é o caso da autônoma Maria da Silva*, 56 anos, que foi transferida para a Galeria Popular dos Remédios, localizado na rua  Miranda Leão.

Maria trabalha há 34 anos como vendedora ambulante. Desse período  de trabalho, 32 anos foram na avenida Eduardo Ribeiro. “Quando os funcionários da prefeitura chegaram para nos retirar da Eduardo Ribeiro, fomos informados que iríamos ganhar um local com mais conforto e segurança, porém não há freguesia e muito menos algo que possa atrair a população para aquele lugar. No início achamos bom, mas sem freguês logo  ficamos sem dinheiro”, comentou a vendedora.

Maria testou trabalhar na galeria por mais de um ano. Em maio deste ano, quando  a família começou a passar necessidades financeiras, além de receber notificações de cortes de luz,  água e também a notificação de  atraso do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), a vendedora decidiu recorrer ao bazar pescoço – quando  todos os produtos ficam em uma caixa pendurada no pescoço.

“Sem dinheiro para conseguir levar comida para minha família, me peguei um dia revirando lixos para catar umas bananas pacovãs, o  que seria o jantar da minha família. Entrei em desespero e me disse que precisava fazer algo para voltar a ter a renda mensal. Como muitos dos meus colegas estavam adotando essa tática, resolvi me unir a eles”, comentou. 

Para Maria,  o problema atinge todos  demais vendedores ambulantes que continuam no região central “A população vem ao Centro em busca de produtos que encontram nas  bancas de rua, logo, eles não vão procurar a galeria. Isso é revoltante e o pior é que há fiscais espalhados nas ruas que não fazem nada. Os verdadeiros prejudicados foram os vendedores retirados da Eduardo Ribeiro, o resto continua do mesmo jeito”, reclamou a trabalhadora.

*Nome fictício para preservar a identidade da fonte

Shopping T4 segue fechado 

O Shopping Popular T4, localizado no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, que já havia sido inaugurado, está há três meses fechado. O motivo é que o próprio Sindicato dos Camelôs e Vendedores Ambulantes de Manaus solicitou à Prefeitura de Manaus o adiamento.

Os empreendedores querem evitar o que ocorreu nas demais galerias entregues à categoria (o baixo movimento de clientes). Por enquanto, os permissionários decidiram esperar a implantação das lojas âncoras, que correm em processo licitatório na Procuradoria Geral do Município (PGM). A conclusão da licitação deve ocorrer em novembro.

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