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Manaus
MEDIDA

Ex-camelôs retirados do Centro se reúnem para debater falta de lucro em galerias

A mobilização reuniu cerca de 100 ex-camelôs no estacionamento do Shopping T4. Eles foram realocados pela Prefeitura por meio do projeto Viva Centro, lançado em 2013 06/06/2018 às 18:52 - Atualizado em 06/06/2018 às 21:25
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Foto: Antonio Lima
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Permissionários das Galerias Espírito Santo, Remédios, no Centro, e do Shopping Phelippe Daou, na Zona Leste, se reuniram em Assembleia na tarde desta quarta-feira (6) para falar sobre os problemas da falta de clientes nos espaços e ausência de fiscalização em camelôs clandestinos em Manaus. A reunião deve ser protocolada na Casa Civil. Os trabalhadores não descartam voltar a ocupar as calçadas em protesto.

A mobilização reuniu cerca de 100 ex-camelôs no estacionamento do Shopping T4. Eles foram realocados pela Prefeitura por meio do projeto Viva Centro, lançado em 2013. Em um carro de som, representantes dos três espaços destinados aos ambulantes argumentaram sobre os problemas em cada um dos locais.

“Está inacabado. Para a nossa galeria que está no Centro não tem fluxo de gente. O nosso público continua na rua. Não tem loja âncora dentro das galerias, não tem loteria, falta muitas coisas. A logística está totalmente errada. As coisas que o prefeito prometeu não estão funcionando e o público continua na calçada”, disse a vendedora Simone Chagas, da Galeria dos Remédios.

Ela afirma que enquanto vendedora de calçada, ela ganhava R$ 600 por dia. Atualmente, ela afirma não lucrar R$ 30, embora tenha investido cerca de R$ 17 mil em um salão de beleza dentro do espaço. “Tive que montar tudo e até agora não tive lucro, fora os outros lojistas que compraram roupas e que não vendem nada”.

Incerteza sobre bolsas

O presidente do Sindicatos dos Vendedores Ambulantes de Manaus, José Assis, pontuou ainda outro problema resultado da baixa lucratividade nos espaços: a incerteza do auxílio de R$ 1 mil para os ambulantes.

Ele afirma que a última bolsa foi paga no dia 4 de junho, porém, a categoria está preocupada se o valor continuará a ser repassado sem a implantação das lojas âncoras, que são bancos e loterias. “Essa resposta teremos na próxima semana entre os secretários para definir se a bolsa vai continuar ou não. O que a categoria exige também é que o estacionamento do shopping  seja gratuito para a população circular, que hoje é R$ 7”.

Sem atratividade

Na Galeria Espírito Santo, a situação é bem parecida. Segundo o vendedor David Castelo, hoje as galerias amargam lojas fechadas e sem atratividade para os clientes. “O projeto como um todo não está concluído, está defeituoso. A prefeitura deixou a desejar porque as pessoas que assessoraram o prefeito não tinham um conhecimento de causa e fizeram um projeto que foge das características peculiares do comércio informal. Além do mais, relaxaram e deixaram as ruas serem invadidas”

Ele afirmou que, em último caso, a categoria deve voltar às calçadas em protesto. “A gente quer fazer um protesto de nos realocarmos novamente até que o prefeito se posicione sobre o projeto. A gente quer que essa volta abra um caminho para um diálogo no sentido de questionar qual o propósito e onde esse projeto deve chegar”.

A vendedora Elvira Aires, representante do Shopping T4, argumenta que falta investimento nos espaços. Segundo ela, o espaço recém inaugurado possui espaço para 740 lojas, no entanto, pouco mais de 90 estão ocupadas.

“Se a prefeitura se unir e colocar tudo o que prometeu, vai funcionar sim. Hoje a nossa categoria está dividida, muitos querem voltar e outros não querem. Temos muito senhores de idade, muita gente que não quer mais voltar. O projeto está um descaso, o Centro está invadido, mas a prefeitura precisa ter pulso porque milhões foram gastos”, declarou.

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