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Manaus
PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Caminhada alusiva vai debater falta de centro de referência em Manaus

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência acontece na próxima segunda-feira (3) e vai alertar sobre ausência de centro de reabilitação e inclusão 29/11/2018 às 16:30
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Foto: Jair Araújo
Cecília Siqueira Manaus (AM)

Buscar meios de ampliar a inclusão na sociedade e fazer com que as leis sejam colocadas em prática é o objetivo da caminhada pelo Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que acontece na próxima segunda-feira (3), no conjunto Vieiralves, bairro Nossa Senhora das Graças, na Zona Centro-Sul de Manaus.

O último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, mostrou que aproximadamente 461 mil pessoas com deficiência viviam na capital amazonense, número que hoje deve ser superior, já que à época do estudo Manaus tinha cerca de 1,7 milhão de habitantes e hoje são 2,1 milhões.

E mesmo com os números aumentando, a capital ainda não possui nenhum centro referência de reabilitação e inclusão voltado a pessoas com deficiência, fazendo com que as políticas públicas para estes cidadãos sejam deixadas de lado. É o que aponta a fisioterapeuta Maria Dias, presidente da Associação de Amigos de Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais (AAPPNE).

“É tudo lindo no papel, porém a realidade é muito cruel. A maior prova disso é que segundo o IBGE de 2010, relata que são 791 mil pessoas com deficiência em todo o Amazonas, e nós não temos nenhum centro de reabilitação digno. As universidades estão, a cada quatro anos, formando profissionais da área de saúde para atender aonde?”, questiona Maria.

Ela cita os 28 anos de criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência com três anos; e o Estatuto do Idoso com 15 anos. Apesar do tempo dos aparatos legais, a invisibilidade dessas pessoas é algo latente dentro da comunidade. “Se meu filho tem esse direito, porque não cobrar? É muito bom ser lembrado, mas é doído você se fazer ser lembrado”, diz.

Além da inclusão, a capacitação e assistência para jovens, bem como idosos, são preocupações em tempo integral de quem está empenhado na luta para fazer valer direitos básicos, como educação, lazer, saúde das pessoas com deficiência.

“Nossa preocupação é o futuro das crianças, dos adolescentes e adultos, e principalmente dos idosos. Para onde vão e como ficarão quando a família ou alguém mais próximo se ausentar? Tenho cinco décadas de vivência nesse seguimento e, de uma maneira geral, com toda a visibilidade que tem no momento, as coisas caminharam pouco. Pessoas com deficiência visual, usuárias de cadeiras de rodas, auditivas e todos eles a partir do momento que não atinge o intelecto, de certa forma, eles podem ‘caminhar’. O deficiente intelectual, se não tiver alguém do lado, se não der a mão, ele não sai do lugar. Por incrível que pareça, eles são o que menos tem olhar. Quem vive e acompanha o dia a dia de cada um deles sabe o quanto é difícil”, relata.

Universo com várias temáticas

A caminhada está programada para iniciar às 16h, com saída da sede da Associação de Amigos de Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais (AAPPNE), localizada na rua rio Içá, quadra 35, bairro Nossa Senhora das Graças. Pessoas com deficiência e seus familiares devem percorrer as principais ruas do conjunto Vieiralves, com faixas e adereços para chamar a atenção da sociedade por respeito e oportunidade.

“O objetivo da caminhada é fazer com as que as pessoas olhem e venham a refletir que o universo é muito complexo. Existem pessoas em todas as situações, de várias realidades, de todas as necessidades, e a única coisa necessária para todo mundo ficar bem é o respeito pelas diferenças”, afirma Maria Dias, presidente da associação. “Nos últimos anos se criaram muitas leis e estatutos, mas de fato e de direito, poucas coisas avançaram”, completa a representante da AAPPNE.

Cotas geram dúvidas

A Lei de Cotas para Deficientes em Empresas (n° 8213/91) completou 27 anos. Mas, o cumprimento da lei ainda é a dúvida de muitos que aguardam uma oportunidade de emprego. A lei obriga que empresas grandes preencham de 2% a 5% de seus cargos com reabilitados ou PCDs habilitadas.

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