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Manaus
NÃO AO GENOCÍDIO

Consciência Negra: caminhada homenageia Marielle Franco e Môa na Compensa

Capoeirista encabeçam mobilização no bairro após preconceito com o grupo. 14/11/2018 às 20:27 - Atualizado em 14/11/2018 às 21:04
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Movimento quis homenagear Marielle Franco e meste Môa do Katendê, mortos em 2017 e 2018 respectivamente. Foto: Jander Robson
Lívia Anselmo Manaus - AM

Há 8 anos, o preconceito contra um grupo de capoeira que se formava no bairro  deu origem a Caminhada de Conscientização Racial do Bairro Compensa, na Zona Oeste de Manaus. Nesta terça-feira, na sua 8ª edição, dezenas de pessoas estiveram nas ruas contra o racismo, as estatísticas negativas e em memória de Marielle Franco e mestre Moa do Catendê para dizer “Não ao Genocídio do Povo Negro”.

A mobilização chegou e se mantém na comunidade por meio da Associação de Capoeira Arte e Revelação que se apresenta como símbolo de resistência e valorização da cultura afro-brasileira. Nas quadras onde se pratica a representação cultural que mistura esporte, luta, dança, cultura popular, música e brincadeira, o objetivo não é formar os melhores capoeiristas e sim cidadãos, segundo o mestre Nei Valente, 37, que é o presidente e um dos fundadores do grupo.

Quando surgiu, o grupo que hoje está à frente da mobilização era visto como motivo de piada e preconceito. “As pessoas não entendiam o que era a capoeira e nem a importância dela para a população negra. Pejorativamente, chamavam a gente de macumbeiros e outras coisas. Vinha de crianças, adultos e de boa parte dos moradores da redondeza”, lembra Nei Valente.

Com o apoio das Secretarias de Educação do Estado e Município -  Seduc e Semed -, e do Centro de Artes Irmã Yolanda Setúbal, a mobilização alcança todo o bairro. A Associação de Capoeira atende cerca de 160 pessoas de todas as idades e raças. Entre os critérios para participar, o mais importante deles, segundo Nei Valente, é estar estudando. “Essa é a nossa forma de estimular a existência do povo da periferia “, explica.  

Bons frutos

Entre as “crias” que se contagiaram pelo movimento e pela própria capoeira, está Paula de Meirelles, 20, que  desde criança frequenta as atividades. Hoje, universitária sem ter largado o convívio com o grupo, ela coloca o respeito a diversidade como a principal contribuição para sua formação. “Aqui eu aprendi a respeitar o próximo convivendo com pessoas diferente de mim, da minha realidade”, afirma.

Quando os pais de  Paula decidiram que ela podia participar do grupo e ajudar nas atividades, eles também não tinham conhecimento do que significava. “Eles não sabiam e tinham preconceito como muitas pessoas tiveram. Mas hoje, aqui no bairro, as pessoas já reconhecem a importância e a necessidade da capoeira e da mobilização”

Movimento precisa de visibilidade

Tanto na caminhada como na mobilização por conta do Dia Nacional da Consciência Negra, que acontece no próximo dia 20, estão envolvidos diversos segmentos do Movimento Negro de Manaus e do Brasil.

Entre os representantes do hip-hop e liderança nacional na militância pelas pautas da população negra, o baiano MC Yogi Nkrumah sonha com mais espaço e visibilidade para a causa. “Conheço a cena em Manaus há mais de 5 anos e é triste, mas  quando ouvimos falar do Amazonas não há espaço para a história das negras e negros aqui”, afirmou.

Ações como a no bairro Compensa são necessárias e urgentes para destruir preconceitos. “A pouca visibilidade se dá por não haver investimento e interesse. Muitas vezes não há nem conhecimento em alguns espaços que fecham portas para a nossa cultura, arte. É um problema que no Brasil está ganhando força novamente”, explica.

Além de Yogi, as atividades do dia contaram com a presença da MC Cida Aripória, La Martine e BBoy Dério, que fazem música de resistência na periferia de Manaus. Na quadra do Centro de Artes, onde finalizou a caminhada, foram realizadas apresentações do Maracatu Eco da Sapopema e rodas de capoeira.

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