Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
'Financiamento' 100% popular

Campanha de solidariedade da população vai dar casa novinha para casal de idosos

Ação com doações de moradores do bairro e outras localidades vai propiciar que septuagenários possam, finalmente, sair da condição de moradores de residência de risco para proprietários de uma casa com dignidade



29/05/2016 às 13:50

Uma campanha de solidariedade feita em prol de uma família de idosos vai tornar possível, dentro de alguns dias, que eles passem da condição de moradores de residência de risco para proprietários de uma casa com dignidade, conforto e qualidade de vida na rua Constituinte, bairro de Santa Etelvina, Zona Norte. Nela, os aposentados Áurea da Silva Moraes, 70, e José de Moraes,78, vão finalmente usufruir de uma moradia condizente construída 100% com apoio de doações de pessoas sensibilizadas com a situação na qual eles se encontravam.

A ação foi uma iniciativa do policial militar Gilson Moreno, morador de Santa Etelvina, e logo ganhou adesão de outras pessoas do bairro e de outras localidades sensibilizados com a situação, ganhando repercussão local inclusive com exibição em programas de TV da cidade.

Tudo começou a partir de um vídeo postado em redes sociais, onde PMs falavam da necessidade de ajuda para recuperar a antiga residência de madeira do casal, que já havia perdido o alicerce (veio abaixo em razão da antiguidade e das chuvas do período), e que ameaçava desabar a qualquer momento, colocando em risco até mesmo a vida dos proprietários.

O apelo deu certo, e a partir daí, pessoas de várias partes da cidade começaram a colaborar doando dinheiro e materiais de construção para a obra. A iniciativa começou há quase dois meses, em 4 abril, num período bem a propósito de amor ao proximo: a Semana Santa, e as obras no dia seguinte.

“Nós começamos na terça-feira santa. Eu fiz a mensagem pedindo ajuda e no dia seguinte nós tivemos a idéia de  fazer  o vídeo para alcançar mais pessoas. E elas mandaram mensagens e passaram a ajudar e está dando certo a iniciativa”, comentou Gilson Moremo.

A casa antiga de madeira já estava sem sustentação,tombada para o lado e ameaçava desmoronar a qualquer momento devido às toras de madeira que serviam de alicerce já terem se despedaçado. As condições era precárias, e os idosos não tinham mais condições de circular livremente.

“O filho deles, que também mora na casa e que passa mais tempo fora fazendo ‘bico’ em serviços como capinando lixo em quintais, colocou um pau de escora para impedir da casa virar. Não tinha espaço para eles circularem, tudo era muito tumultuado no interior dela. Sem espaço, o senhor, que é bem idoso, ficava só sentado e passou a ter dificuldades de locomoção”, relembra ele.

A nova residência de alvenaria terá sala, cozinha, dois quartos e está 90% já concluída, mas ainda precisando de mais doações para sua finalização. Um total de cinco pedreiros trabalham na construção, mas nenhum deles recebeu nada pelos serviços, diz o PM, justamente pela ausência de mais recursos. A obra chegou a paralisar, mas, para atenuar a situação, ele fez um contrato verbal com os trabalhadores para que eles fiquem na obra pelo menos até o final deste mês. "Essa é uma das minhas procurações porque os pedreiros têm famílias e não temos mais tempo a perder. Precisamos entregar a obra o quanto antes para eles arrumarem outro trabalho e ajudarem suas famílias", destacou ele. 

Gilson destaca a solidariedade de quem ajudou até agora na obra mesmo em tempos de crise. “As pessoas ajudaram mesmo em época de crise gracas a Deus. Quando começamos a construção da casa nem atentamos para isso. A crise prejudicou muito as obras; apareceram pessoas para nos ajudar, mas ainda estamos precisando de apoio”, alerta ele, que acumula uma dívida atual de R$ 1.000 por, segundo ele, comprar cestas básicas e o transporte dos pedreiros. "Não tenho mais condições de ajudar. O que eu tinha já gastei com passagem e comida. Comprei fiado num mercadinho aqui do bairro. Para dar andamento a gente também custeia peças como canos, joelhos. E tudo isso vai acumulando a dívida nesta reta final de obra", explica ele, agradecendo o apoio do capitão PM Barreto, da 23ª Cicon, pelo apoio.

Para sanar algumas dívidas, os moradores pretendem fazer uma feijoada para ajudar os pedreiros a pagarem suas despesas atrasadas.

Neste final de semana era previsto que fossem finalizadas as obras da massa corrida,instalação das portas e fase da pintura. "A inauguração será breve e as pessoas já estão me ligando porque querem ver como ficou a obra. Isso até para prestar contas para essas pessoas. Mas aguardamos doações", disse Moreno.

Se você quiser ajudar neste verdadeiro mutirao popular da solidariedade, pode entrar em contato pelos fones 99104-2715 ou 99121-0630 

Blog

Áurea da Silva Moraes, 70, aposentada

Foi Deus quem tocou nessas pessoas para eles nos ajudarem a reformar a nossa antiga residência. Nossa casa estava mesmo para cair em cima da gente. E nós lá debaixo, conformados. A casa não desabou porquê Deus não quis.  Fui uma das primeiras moradoras do bairro de Santa Etelvina, e antes residíamos no Santos Dumont até recebermos essa casa de madeira do Estado. Eu estou ansiosa para sair daqui dessa casa onde estou provisoriamente, pois é muito quente. Quero minha cama de volta. Quem me dera voltar a ter meus móveis de novo como antes. Já trabalhei em fábricas de castanha e juta, mas hoje sou aposentada e recebo R$ 788 por mês. Sou amazonense, mas meu marido é de Goiás”.

Personagem

Gilson Moreno, PM e criador da campanha:

O policial militar destaca sua felicidade em colaborar para a melhoria da qualidade de vida do casal. “É muito gratificante participar dessa construção para a dona Áurea e o seo José. As coisas estão evoluindo, dando certo. Ver a situação que eles moravam e poder fazer alguma coisa por eles é muito bom e nos deixa felizes pelo resultado”, conta ele. “O legado maior que fica é amizade que a gente fez com essas pessoas de  bom coração durante esses quase dois meses. Inclusive, há pessoas que querem continuar esse tipo de obra e eu dou o maior apoio. E muito dificultoso mas vamos ver a possibilidade. Minha missão é terminar essa aqui”, comenta o PM.

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