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Manaus
FAZENDO O BEM

Campanhas virtuais ajudam a financiar tratamentos médicos de urgência

Solidariedade vai além das fronteiras físicas e ‘invade’ a internet com a multiplicação de iniciativas, como as ‘vaquinhas online’, a última esperança para aqueles que não tem como buscar a cura 06/09/2016 às 08:26 - Atualizado em 06/09/2016 às 09:58
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Campanha online foi criada para ajudar no tratamento da pequena Maria Luiza / Foto: Divulgação
Alik Menezes Manaus (AM)

A pequena Maria Luiza, 6, foi diagnosticada com leucemia há oito meses. A notícia abalou todos os familiares, mas também uniu e motivou os amigos da família a promoverem uma campanha no Facebook para arrecadar recursos e ajudar no tratamento dela. 

As “vaquinhas online”, como estão sendo chamadas as campanhas de arrecadação de dinheiro no Facebook e em sites especializados, são uma saída para pessoas que estão desempregadas, que não conseguem atendimento no sistema público de saúde ou que não têm recursos para pagar o tratamento. 

No caso de Maria Luiza, ela iniciou o tratamento em Manaus, mas passará por um procedimento cirúrgico na próxima semana e precisa viajar para o Estado de São Paulo, onde será realizado o transplante de medula. Apesar dos pais não terem nenhum gasto com o hospital, eles terão que arcar com gastos como alimentação, passagem e estadia. 

Foi então  que amigos dos pais de Maria os incentivaram a criar uma campanha no Facebook. “A vida da minha filha é tudo. Começamos a campanha no Face no início do mês passado e graças a Deus muitas pessoas foram solidárias e nos ajudaram”, contou Daniel Brandão, 34, pai de Maria. 

Brandão contou que explicou toda a situação da filha na campanha, mas optou por não divulgar os dados bancários. Ele queria que as pessoas conhecem a história mais de perto, dessa forma o contato entre os envolvidos seria mais próximo e evitaria qualquer tipo de desconfiança.

“Sempre me preocupei em fazer de um jeito que não houvesse desconfianças de ninguém. E acho que fizemos certo, muitas pessoas ajudaram, ganhamos até uma feijoada para vender e arrecadar mais recursos, conseguimos um dinheiro para nos mantermos lá em São Paulo”, disse Brandão, que pediu a conta do emprego para acompanhar o tratamento da filha, mas que pretende voltar em breve para procurar emprego e poder ajudar nas despesas. “Eu tenho que trabalhar, ela vai ficar internada pelo menos uns 7 meses”, disse. 

Esperança pela internet


Anderson (deitado) foi o centro de uma campanha lançada pelos amigos para custear o tratamento dele em hospital privado

A vaquinha online também foi uma grande ajuda para Anderson Pontes, 33. No dia 3 de julho, o jovem sofreu um acidente de moto e perdeu os movimento das pernas, mas ainda não sabe se o problema é definitivo ou temporário. 

Após oito dias internado, ele recebeu alta e foi para casa. Contudo, com menos de dois dias em casa, Pontes se sentiu muito mal e foi levado às pressas para o hospital. “Fui para o particular, chegando lá os médicos disseram que eu estava com uma pneumonia muito grave, que eu poderia morrer se não tivesse tratamento”, contou. 

Amigos do jovem criaram uma campanha no Facebook e em um site especializado. O dinheiro foi usado para pagar as despesas do hospital, que não foram poucas. O grupo conseguiu arrecadar R$ 14 mil. “Essa grana foi usada como a primeira parcela da conta do hospital, foi uma conta muito alta, mas eu tive ajuda até do dono do hospital, ele deu desconto alto em tudo. Graças a Deus muitas pessoas me ajudaram e ainda ajudam até hoje”, disse.

Sites e rede social para facilitar

As campanhas são realizadas atualmente em sites especializados ou divulgados em redes sociais como o Facebook.  Nos sites, as doações podem ser feitas por meio de cartões de crédito, débito e até boleto bancário. 

No caso de sites específicos, as pessoas acessam e fazem um cadastro. Após esse procedimento, elas podem escrever textos explicando por que estão arrecadando contribuições. Na maioria das vezes são pessoas pedindo ajuda para bancar tratamento médicos, mas há quem peça ajuda para fazer uma viagem, lua-de-mel e até para fazer uma festa de formatura. 

No Facebook, as campanhas viralizam, principalmente quando os casos são de pedidos de ajuda para tratamento de saúde. Para Anderson Pontes, muitas pessoas até querem doar logo de início, mas, às vezes, não tem dinheiro naquele momento. “Na vaquinha online você pode pagar com o cartão de crédito e até boleto, fica muito mais fácil, fica fácil até para ajudar uma pessoa de outro Estado”, disse.  

É preciso estar alerta para os golpes

Como as campanhas online estão em alta, há casos de pessoas que criam contas falsas para enganar:  há quem faça campanha dizendo que o dinheiro será usado no tratamento de uma filha, por exemplo, mas usa o dinheiro para pagar viagens e outros luxos. Apesar de todas as transações serem feitas pela internet, é preciso ficar atento e pesquisar um pouco mais sobre os casos que pretende ajudar. 

Se, após a doação, você concluir que caiu em um golpe, a alternativa é fazer um Boletim de Ocorrência “em face de estelionato”. Mas como os perfis na maioria das vezes são fakes, o ressarcimento pode demorar. “Posteriormente, deve ser solicitada a restituição do valor através de um processo judicial. É um processo simples, porém encontra dificuldades na fase de execução, pois, geralmente as pessoas que praticam o crime de estelionato não costumam ter bens em seu nome”, explicou o advogado Gabriel Sampaio. 
 

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