Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
ALERTA

Câncer de colo de útero matou 23 mulheres no Amazonas em 6 anos

Doença causada pelo HPV é o único tipo de câncer que pode ser 100% evitado. FCecon recebeu mais de 470 pacientes com lesões pré-cancerígenas neste ano



mulher-endometriose_67CAB15B-4459-4F71-91C3-0CACD103AFD2.jpg Foto: Reprodução/Internet
10/10/2019 às 19:28

Entre os vários tipos de tumor humano, o câncer de colo de útero é o único que pode ser 100% evitado e tem causa conhecida: o HPV (Papilomavírus humano). Ainda assim, de 2014 a 2019, cerca de 23 mulheres morreram em razão da doença por mês no Amazonas, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). De janeiro a setembro deste ano, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (Fcecon) recebeu 474 pacientes com lesões pré-cancerianas, cujo tratamento adequado, dividido em etapas, pode eliminar o risco de evolução do problema.

Esses índices colocam o Amazonas no topo do ranking de casos da doença no Brasil. “É uma tragédia”, resume Mônica Bandeira de Melo, médica ginecologista da Fcecon. “Há mulheres com idade entre 35 e 40 anos que estão morrendo e deixando os filhos para criar”, disse.



Ela atribui o status desfavorável à falta de políticas de Estado eficientes, capazes de facilitar o acesso da população do interior ao tratamento preventivo, por exemplo.

“A logística do estado é complicada. Elas têm dificuldades para receber os exames, que às vezes demoram meses para chegar”, observa Melo, idealizadora do Projeto “Ver e Tratar”. Baseada em modelo desenvolvido na Índia, a iniciativa visa levar tratamento de lesões pré-cancerosas a mulheres do interior. Borba, Itacoatiara, Manacapuru e Parintins figuram entre os oito pólos que devem ser beneficiados.

A baixa oferta de centros de atendimento é outro gargalo. Atualmente, as policlínicas Gilberto Mestrinho, Dr. Augusto Comte Telles e a Policlínica Castelo Branco, além do próprio Fcecon, são os únicos que oferecem exames e procedimentos específicos.

A problemática foi abordada nesta quarta-feira (10), no Fórum de Saúde da Mulher Amazonense, destaque do VIII Congresso Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia, evento que encerra hoje, no Da Vinci Hotel e Conventions. “Assistência obstétrica no Amazonas” e “Gravidez da adolescência” foram outros temas da programação do Fórum.

Segundo a ginecologista, a transferência dos locais de vacinação contra o HPV das escolas para os postos de saúde, executada a partir de 2014 pelo Ministério da Saúde, reduziu a adesão à campanha em 40%.

“Em 2013, fomos pioneiros ao aplicar as vacinas gratuitas nas escolas. Na época, registramos uma cobertura de 88%. Isso precisa ser retomado”, lembra Melo. Meninas com idade entre 9 e 14 anos e garotos de 11 a 14 anos devem tomar a vacina. É necessário receber duas doses para garantir a prevenção. Atualmente, há incidência de 40,97% casos no Amazonas (1 novo registro a cada 100 mil mulheres). Na capital, o índice aumenta para 58,77%.

O HPV é transmitido por meio de relações sexuais ou contato íntimo. O vírus adoece o colo do útero, causando as inflamações pré-cancerosas, que podem ser identificadas no exame preventivo. Nesta primeira etapa é feita a colposcopia, exame que localiza e direciona o local inflamado. Em caso de lesão, a paciente é submetida a uma conização, cirurgia que consiste na retirada da lesão. No Amazonas, apenas a Fcecon realiza este procedimento.

Evento

O evento é promovido anualmente pela Associação Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia (Assago) voltado para associados da Assago, associados de outras federadas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), médicos, acadêmicos de Medicina, profissionais da área da saúde e estudantes da área da saúde, objetivando a atualização de conhecimentos e a troca de experiências em um grande encontro. Na oportunidade, também serão apresentados trabalhos científicos pelos participantes.

Gastos

A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (Fcecon) gasta, em média, R$ 20 milhões por ano em cirurgias, quimioterapias e radioterapias – cerca de 40% dos casos que necessitam deste procedimento referem-se ao câncer de colo de útero.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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