Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
ELEIÇÕES 2020

Candidatos e candidatas a vice em Manaus defendem protagonismo

Com formações variadas, postulantes a vice afirmam que manterão, se eleitos, sintonia com os prefeitos, mas ressaltam que o posto não é decorativo e que podem contribuir na resolução dos problemas da cidade



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11/10/2020 às 16:22

Na corrida eleitoral, o holofote natural é sob o candidato a prefeito, contudo o vice-prefeito não precisa ser uma figura decorativa na campanha e de escanteio na eventual gestão. Além de substituir o titular, o vice-prefeito pode atuar na articulação política e assumir alguma secretaria. Em Manaus, pesa sob o cargo um longo histórico de desavenças e conflitos.

O vice-prefeito e candidato à reeleição, Marcos Rotta (DEM) rompeu com o prefeito Artur Neto (PSDB) após ter sido preterido na chapa para o governo em 2018. Antes de Rotta, a ‘dobradinha’ de Artur e Hissa Abrahão não durou um ano. O vice foi praticamente expulso da gestão tucana em 2013 depois de insistir na candidatura ao governo.



Os desentendimentos entre Serafim Corrêa (PSB) e Mário Frota, que venceram a eleição para a prefeitura em 2004, iniciaram um ano após assumirem o governo. Em dezembro de 2009, Carlos Souza atuava como prefeito em exercício quando foi preso no “Caso Wallace”. No ano seguinte, foi eleito deputado federal, renunciou ao mandato de vice-prefeito e ganhou foro privilegiado na Câmara. Amazonino findou a gestão sem vice e chegou a ser substituído pelo juiz mais antigo na cidade. Nessa época, mudou a Lei Orgânica do Município (Lomam) e pôs o procurador-geral do município na linha sucessória.

Quem são?Entre as 11 candidaturas a vice-prefeito de Manaus este ano há parlamentares, empresários, advogados, militar, médico, servidores públicos e professoras.

Para professora Dora Brasil (PCdoB), 57, é necessário que o prefeito e o vice estejam em sintonia na tentativa de superar os principais problemas da cidade. “Pretendo ser uma vice-prefeita atuante. Tenho uma longa atuação na educação, na defesa dos direitos humanos ao lado dos movimentos sociais. Conheço os problemas das pessoas que vivem na cidade. Quero atuar ao lado do prefeito na busca de soluções para os principais problemas da cidade. Jamais seria ‘apenas’ uma vice-prefeita”, disse.

Na opinião do coronel Augusto Cézar Pitbull (DC), 46, o vice deve ter as mesmas responsabilidades do titular. “Com minha experiência de 27 anos na Corporação Policial Militar, gestor público e especialista em segurança e administração pública agregarei com Chico Preto, conheço os problemas que atingem todas as áreas de Manaus: saúde segurança, infraestrutura e educação. Farei minha parte como vice-prefeito e tudo que cabe a minha responsabilidade e compromisso público com todas as áreas”, afirmou.

Conceição Sampaio (PSDB), 54, declarou que o papel de vice não é apenas de uma figura decorativa. Ela disse estar preparada para o cargo e que terá uma atuação permanente. “Atuarei como sempre fiz em meus trabalhos, no parlamento e no executivo. Sou alguém que não joga problemas para debaixo do tapete, eu os enfrento. E Manaus terá pela primeira vez uma mulher no comando da cidade. Buscando e conversando com as pessoas as soluções necessárias. Temos vigor e disposição para isso, mas principalmente experiência dos nossos trabalhos já realizados. E sabemos ouvir a população”, frisou.

Estreante nas urnas, o empresário Orsine Júnior (PMN), 48, pondera que cabe ao vice um papel importante e complementar frente à gestão municipal. “De maneira alinhada, iremos executar os projetos, estando sempre presentes em todos os cantos da cidade. Vou auxiliar o Capitão Alberto Neto a fazer um governo de muito trabalho. Precisamos organizar nossa cidade. Vamos trabalhar com planejamento e metas para melhorarmos a qualidade de vida da população”, disse.

Indagado se pretender atuar em alguma área específica em caso de vitória, o empresário declarou que conhece sobre turismo e a capacidade do setor transformar o mercado local. Orsine foi presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) no mandato tampão de Amazonino Mendes.

Análise - Eduardo Costa

Empresário de 35 anos e candidato a vice-prefeito pelo Novo

‘Não pode ficar de enfeite’

"No nosso partido o vice-prefeito não pode ficar de enfeite. Não aceitamos isso. Ele recebe salário e estrutura que deve ser colocada em favor da população. Serei um vice-prefeito muito ativo. Eu e Romero, temos ideias muito iguais dos problemas de Manaus e a nossa gestão procurará ser a mais alinhada possível. Temos os mesmos princípios e valores até por estar no mesmo partido. Sou professor e mestre em controladoria e contabilidade e quero levar essas práticas da gestão privada que visam eficiência para dentro da máquina pública. Nada melhor que estar à frente da secretaria de educação, mas também existem outras secretarias, por exemplo, de administração. Com o meu histórico de conhecimento de gestão, poderia atuar dessa maneira".

Delegado Costa e Silva

Candidato a vice-prefeito pelo Patriotas

“O vice-prefeito tem que ter papel predominante em uma gestão participando ativamente não só da construção de ideias, mas da execução de políticas públicas. Não podemos ver o vice como uma sombra. Tem que justificar o seu trabalho e, inclusive, o salário que ganha para servir a população. Para resolver os problemas da cidade propomos planos executáveis. Nada de ideias mirabolantes. Pretendemos renovar a frota de ônibus mais antigos com veículos com ar-condicionado; construir passagens de nível; fortalecer o atendimento primário; construir o hospital do idoso; trabalhar com a saúde preventiva da mulher e do homem”.

Marcos Rotta - Vice-prefeito e candidato à vice pelo DEM

‘Com David terei oportunidade’

"O vice-prefeito precisa ir além das suas limitações que é a de substituir o titular durante sua ausência. Acho sinceramente que terei essa oportunidade agora com o David. Uma pessoa sem vaidades, que não permitirá comandos externos à administração e com quem estou em perfeita sintonia e profunda harmonia de pensamentos, ideias e projetos. Ele mesmo, do alto de sua grandeza, tem dito que Manaus terá dois prefeitos a partir do próximo ano. David e eu temos disposição, experiência administrativa e juventude para não apenas encarar os problemas e os desafios de Manaus, nós temos muita sensibilidade em saber ouvir as pessoas. Precisamos, urgentemente, trazer de volta a secretaria de esportes; o Procon municipal; ajustar os contratos da prefeitura para a realidade atual; rever contratos milionários com empresas, de concessão de água de iluminação pública; valorizar o quadro de servidores públicos e acabar com essa relação de proximidade entre prefeitura e empresas do transporte público .Estou muito confortável nessa composição. Estou nessa chapa porque escolhi caminhar ao lado do David. Onde puder somar mais, somarei. Mas (delegar o comando de secretaria) é uma prerrogativa dele. Pessoal e intransferível, mas estarei pronto e, acima de tudo, preparado para colaborar e ajudá-lo a construir a Manaus que todos sonhamos"

Professora e candidata a vice na chapa do PSTU- Maria Auxiliadora

‘Quero atuar organizando os conselhos populares’

A professora e candidata a vice-prefeita na chapa do PSTU, Maria Auxiliadora, 60, disse que uma futura gestão na cidade contará com a participação da classe trabalhadora através de conselhos populares. “Nesse cenário de tomada de decisões de forma coletiva e democrática considero o papel de vice-prefeita importantíssimo. A classe trabalhadora é quem deve decidir os rumos da nossa cidade e definir as prioridades. As decisões não podem vir somente do prefeito e de vereadores que mal conhecem a realidade do povo trabalhador”, afirmou.

Na avaliação da candidata, com essa organização a cidade irá avançar no combate à desigualdade social produzida pelo capitalismo que reflete em problemas na saúde, educação, moradia, segurança, transporte e emprego. E para superar esse cenário propõe um plano emergencial que inclui a estatização da saúde e do transporte público; criação de obras públicas para geração de emprego; escolha democrática dos gestores das escolas e participação da comunidade escolar na construção do plano político-pedagógico. “Quero atuar organizando os conselhos populares nos bairros”.

Três perguntas para Marklize Siqueira - Mestre em sociologia e candidata à vice no PT

O que a senhora pensa sobre o papel de vice-prefeita em uma futura gestão na cidade?

Encaro esse lugar de vice-prefeita como um espaço de co-gestão da cidade. Eu e Zé Ricardo vamos dialogar de forma contínua sobre os rumos da gestão governamental da cidade de Manaus. Estarei prefeita na ausência do Zé Ricardo mas para além disso estaremos juntos decidindo os melhores rumos para a cidade conforme o conjunto de propostas que contou com um amplo diálogo com a população manauara.

Quais são os maiores problemas da cidade de Manaus hoje?

Desemprego, transporte coletivo e trânsito, segurança, saúde e educação.

Como a senhora pode ajudar a resolver esses problemas?

Políticas públicas para serem implementadas precisam de recursos e inicialmente vamos elaborar um plano de implementação de políticas de forma participativa e fazer uso dos recursos já existentes.

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Repórter de A Crítica

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