Domingo, 24 de Janeiro de 2021
ELEIÇÕES

Candidaturas da terceira idade crescem quase 40% em Manaus

Candidatos e candidatas em Manaus com 60 anos ou mais somam 125, crescimento de 38% em relação aos 77 da eleição de 2016



1840116_87AD94B8-7CBE-4479-8964-34B58F9C1A36.jpg Vereador Gedeão Amorim, 68 anos, tenta o segundo mandato na CMM
10/11/2020 às 09:52

Até 2060, aproximadamente, 1/3 da população brasileira será composta por pessoas idosas. Hoje, os cidadãos com idade superior aos 60 anos são cerca 36 milhões, ou 17% da população do país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) coletados no segundo trimestre deste ano. Em Manaus não é diferente. Em cinco anos a população nesta faixa etária cresceu 19% passando dos 199 mil em 2014 para os 246 mil no fim de 2019.

Esse envelhecimento populacional também se reflete na quantidade de candidatos que concorrem às Eleições 2020. Em 2016, eram 77 concorrentes em busca de uma vaga. Já em 2020, este número subiu 38%, somando 125 candidatos ao legislativo municipal.



Cheio de vigor e antenado com a tecnologia, o jornalista Tio Adão, 69 anos, foi um dos pioneiros no uso das redes sociais para divulgação de conteúdo informativo. Seu trabalho desenvolvido no site ‘nafesta.com’, marcou gerações e o transformou em um personagem caricato das noites manauaras. Mas antes da carreira como comunicador, ele obteve destaque nacional na área financeira, trabalhando em grandes corporações como o City Bank e como colunista do assunto.

Sabendo dos riscos para as pessoas da sua idade durante a pandemia o candidato pelo PMN utiliza o seu know-how nas redes sociais e está realizando as ações de campanha de forma 100% digital, focando no Instagram onde possui 38,7 mil seguidores. “Se nós que temos 70 anos e somos considerados analógicos, estamos rompendo paradigmas obsoletos, até nas redes sociais, eles [eleitores] precisam nos olhar”, ressalta.

Detalhe

Para o candidato a questão da idade, para mais ou para menos, é apenas um detalhe, pois é preciso ver além e conhecer as histórias de vida e as vitórias de cada um. Como projeto, ele propõe a criação de um aplicativo para o monitoramento da qualidade dos atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde em tempo real e a instituição da Universidade Municipal Manaus com recursos do IPTU a partir da redução da taxa de juros estipulados pelo valor da inflação.

Concorrendo à reeleição pelo MDB, professor Gedeão Amorim (MDB), 68 anos, foi o vereador que mais apresentou propostas na Câmara Municipal de Manaus (CMM) em 2020. No último ano, apesar de ter como principal bandeira a educação, o parlamentar se dedicou projetos para proteção das mulheres, como a Lei da Prevenção de Importunação Sexual nos Transportes Coletivos e pagamento de aluguel social para vítimas de violência doméstica.

Criticando os discursos capacitistas em relação a idade, Gedeão enfatiza que “é muito delicado falar dos extremos se falarmos somente dos experientes nos estaríamos condenando toda a juventude emergente. Nós temos jovens bastante talentosos. Igualmente como os idosos. Eu acho que idade não é certificação para coisa nenhuma”.

Sobre a questão da terceira idade o professor, analisa que “a vida moderna foi empurrando a família para não suportar os velhos” e por isso é preciso pensar além das propostas voltadas para a qualidade de vida dos idosos, mas sim, em toda uma estrutura social que acompanha os casos de abandono e violência contra os idosos como o desemprego, a questão da Previdência Social e a educação, pois sem ela o Brasil “perpetua um ciclo da falta de oportunidade”.

Ex-vereadora busca espaço

Do total de candidaturas femininas, 40 possuem idade acima dos 60 anos, uma delas é a odontóloga Lucia Antony, 61 anos. Militante do PCdoB, a ex-vereadora participou da conquista pela meia passagem para os estudantes e viveu ativamente o processo de redemocratização no país por meio do Movimento Diretas Já.

No último pleito, Lucia foi a única mulher a concorrer ao governo. Hoje disputa de novo uma vaga na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Para a candidata, a participação dos idosos ativamente na política não é uma coisa nova, pois os “velhos caciques da política” sempre tiveram a faixa etária acima dos 50 anos. Porém, os estereótipos sociais aos quais as mulheres são submetidas, como a questão física e da idade reprodutiva, impedem que mulheres de mais idade ocupem cargos políticos.

“A questão etária não prejudica as candidaturas masculinas, pelo contrário, muitas vezes ajuda, mas há uma tendência a prejudicar a votação em mulheres”, esclarece Antony.

Ela ressalta que dentro de cinco anos o Brasil deve estar entre as cinco nações com maior número de idosos, porém o país ainda carece de mais políticas públicas para esse segmento. “O que precisa ficar muito claro para a população, e eu acho isso legal, é que quando as pessoas questionam a questão da terceira idade, é preciso entender que a população está envelhecendo com uma qualidade de vida melhor do que se envelhecia 20 anos atrás”, finaliza.

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