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Canoeiros vendem pescado na Tabelião Lessa mesmo com a proibição da prefeitura

Sem fiscalização, canoeiros fazem de tudo para efetuar as vendas aos clientes, que podem ter a saúde prejudicada pelo consumo dos peixes 24/03/2015 às 15:52
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Entre uma sacola de peixe e outra, os canoeiros consomem bebida alcoólica
Luana Carvalho Manaus (AM)

Mesmo com um portão impedindo a passagem de compradores, canoeiros que vendem peixes na travessa Tabelião Lessa, próximo ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa, no Centro, encontraram uma alternativa para comercializar o pescado: é pelo muro que os pescadores entregam o produto aos clientes, em sacolas amarradas em cordas.

Sem fiscalização, os peixes continuam sendo vendidos no local. A manipulação e armazenamento são inadequados e oferecem riscos à saúde de quem consome o pescado. O peixe fica exposto ao sol e para não estragar, os pescadores colocam gelo nas canoas.

“Essa situação nunca deixou de ser assim. Há um tempo a prefeitura proibiu a venda do peixe neste local, mas logo eles voltaram”, contou a feirante Mariza Silva, 41.

No ano passado, a Prefeitura de Manaus instalou um portão e informou que câmeras também seriam instaladas na travessa Tabelião Lessa e nos arredores do ‘Mercadão’ para que o local fosse monitorado, facilitando as ações de fiscalização do espaço. No entanto, o comércio irregular continua funcionando todos os dias.

“Venho ao mercado quase todos os dias porque sou dona de um restaurante. Os canoeiros sempre estão no mesmo local vendendo os peixes. Tem muita gente que compra, por ser um pouco mais barato. Mas acho muito arriscado e a concorrência é desleal com quem trabalha no Mercadão”, comentou a empresária Luciana Almeida, 38.

Um dos pescadores, que preferiu não ter o nome divulgado, contou que vende o peixe no local porque precisa “se sustentar”. Além disso, segundo ele, o movimento está fraco neste mês. “Se eu não vender o peixe que pesco, morro de fome. O movimento tá muito fraco mas preciso trabalhar todos os dias”, relatou.

“Oferta boa”

A maioria dos canoeiros consomem bebida alcoólica enquanto vendem o peixe. A oferta é grande e os preços são variados. Dois tambaquis custam R$ 25. Já a sacola com 30 jaraquis é vendido a R$ 10. “Eu compro porque a oferta é boa e também porque o peixe é fresco. Quando chego em casa, lavo bem e fica pronto para ser servido”, disse o industriário Josué Ramos, 39.

Fiscalização da Sempab

A Secretaria Municipal de Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento (Sempab) informou que ofereceu várias alternativas para os canoeiros que vendem pescados irregularmente na Travessa Tabelião Lessa, no Centro. No entanto, segundo a secretaria, “eles voltaram a praticar o comércio informal, optando por trabalhar na irregularidade, oferecendo à população um peixe sem procedência e sem higiene”.

De acordo com a Sempab, as fiscalizações continuam sendo realizadas, mas em dias e horários alternados, uma vez que “outras áreas da cidade também necessitam de fiscalização”. Segundo a pasta, são nestes momentos de ausência que os canoeiros aproveitam para fazer a venda. Um outro portão está sendo elaborado para coibir o comércio irregular no local, desta vez debaixo da ponte.

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