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Manaus
Na Zona Leste

Cansados de esperar, professores fazem por conta própria obra em escola pública

Docentes financiam e executam construção de muro, enquanto alunos ajudam na pintura. Alguns não concordaram com a ideia, principalmente com o fato de terem que colaborar com R$ 5 reais para a compra dos materiais para pintura das salas de aula 23/04/2016 às 03:10 - Atualizado em 23/04/2016 às 08:55
Luana Carvalho Manaus (AM)

Nesta sexta-feira (22)  foi ponto facultativo para servidores públicos, mas o professor de matemática Hélio Gonçalves, que leciona a disciplina há 23 anos na Escola Estadual Gilberto Mestrinho, no bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste, acordou cedo para trabalhar, por vontade própria, na construção de um muro para separar os alunos do estacionamento dos professores. Segundo ele, a iniciativa partiu dos próprios docentes, que, vez ou outra, se deparam com os pneus dos carros furados.

“É uma medida de segurança. Não é sempre, mas já aconteceu muitas vezes de o aluno se aborrecer com o professor e descontar no carro, quebrando os retrovisores ou furando os pneus. Este muro é para evitar que os alunos passem para o estacionamento, e foi uma iniciativa que partiu de nós mesmos, professores”, conta  Hélio.

Além disso, na última quinta-feira, feriado de Tiradentes, os alunos foram convocados para pintarem as paredes das salas de aula. Alguns não concordaram com a ideia, principalmente com o fato de terem que colaborar com R$ 5 para a compra dos materiais. “A escola vai fazer aniversário e os professores conselheiros disseram que este dinheiro seria um presente que estaríamos dando pra escola, para comprar material para reformar o colégio”, conta uma aluna do 3º ano do Ensino Médio, que disse que  não tem condições de contribuir.  “Em troca, eles dão pontos de participação para quem colaborar. Eu não acho certo, pois muita gente não tem esse dinheiro para ajudar a reformar a escola”, completa a aluna que preferiu não ter o nome divulgado. Ela teme que, por não ter colaborado, fique sem nota.

‘Comunidade e escola’

O professor Hélio, no entanto, informou que a proposta foi feita pelos professores  e que a maioria dos alunos concordaram. O valor arrecadado, segundo ele,  nada tem a ver com a construção do muro, financiado pelos próprios professores. “Nossa escola fará 29 anos e durante esses anos todos poucas vezes teve manutenção. O dinheiro arrecadado pelos alunos é para comprarmos tinta e massa para as paredes das salas de aula”, pontuou.  

Para o professor, a proposta visa estimular a participação da comunidade na manutenção da estrutura da escola. “A gente não tem como ficar esperando pelo governo sempre, que alega crise. Neste caso, resolvemos tomar essa iniciativa para melhorarmos o ambiente escolar”. 

‘Taxa não é obrigatória’

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) esclareceu que a cobrança de taxas para esta finalidade não foi determinada pela administração da escola, e que na ânsia de obter o melhor resultado, as turmas passaram, por iniciativa própria, a cobrar taxas por eles estipuladas, a fim de atingirem suas metas. A direção refutou a denúncia de que o pagamento de taxas garante “pontos extras”, uma vez que os professores conselheiros avaliam somente a participação dos alunos nos projetos.

Proposta é conscientizar

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc)  informou que, com o objetivo de motivar seus estudantes para uma maior conservação do patrimônio público, a direção da escola  lançou, no mês de abril, o concurso "Limpeza, Higienização e Criatividade". A ação tem viés pedagógico e, de forma prática, motiva os estudantes a cuidarem da conservação e boa apresentação do espaço onde estudam diariamente: as salas de aulas.

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