Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019
Manaus

Canteiros centrais viram lixeiras públicas em Manaus

Sem educação pública, população utiliza a parte central das vias para despejar todo tipo de resíduo, que atrapalha fluxo de pessoas



1.jpg Comerciante não se incomodou em jogar restos de cartelas de ovo na área central de avenida na Zona Centro-Sul
13/09/2013 às 07:29

Alguns dos principais canteiros centrais da cidade foram transformados em verdadeiras lixeiras. O espaço deve abrigar apenas árvores e servir ao deslocamento de pedestres, mas diariamente é tomado por lixo deixado por moradores, e principalmente, comerciantes.

O problema ocorre há anos, em locais que parecem não ter solução, como por exemplo, na rua Brigadeiro Hilário Gurjão, a “rua do Fuxico”, no bairro Jorge Teixeira, e alameda Cosme Ferreira, no Zumbi, ambas na Zona Leste.



Os pedestres são os principais prejudicados. Eles procuram o canteiro central da rua do Fuxico porque as calçadas foram apropriadas indevidamente por comerciantes para expor mercadorias. Com o canteiro usurpado, os pedestres ficam sem nenhum espaço seguro para andar e são obrigados a seguir pela pista se arriscando em meio aos carros. “Dos dois lados você não tem calçada e no meio não há condição de dar dois passos sem ter que passar por cima lixo”, disse a estudante Fabíola Prata, 23.

A CRÍTICA acompanhou o momento que o proprietário de uma distribuidora pediu para que um funcionário jogasse caixas de papelão e material plástico no canteiro central. Após o procedimento, o proprietário, que não se identificou, disse que é mais cômodo para os comerciantes “jogar” lixo no local. A justificativa dele é que os “empresários evitam manter lixo na porta dos estabelecimentos para não atrapalhar as vendas e, principalmente, a carga e descarga de mercadorias. “Todo mundo coloca lixo aí. “Se é para questionar, tem que bater de porta de todo mundo”, disse.

Ao contrário de residências, a maioria dos comércios da rua do Fuxico não possui lixeiras. “O pessoal não têm porque colocar lixeira, porque prefere jogar o lixo na calçada. O carro passa todo o dia e recolhe, mas não adianta pedir para jogar como deveria ser feito que é só dor de cabeça”, disse a vendedora de salgados Silvânia Pereira, 45.

O lixo é colocado a todo o momento, uma vez que, à medida que as mercadorias são vendidas, as embalagens são deixadas no local. São materiais que variam desde cadeiras e sacos plásticos, a caixas de papelão, vidro, até palets de madeira (suporte para a movimentação de cargas).

Com o fluxo de veículos, o lixo se espalha pela pista tornando o problema maior. Contudo, tanto moradores da área como os próprios comerciantes confirmam que há coleta municipal de lixo na rua. O trabalho é realizado todos os dias e ainda existe o serviço de garis que recolhem o lixo espalhados na pista.

Advertência e multas, diz Farias
Segundo do secretário municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Paulo Farias, em casos graves e reincidência os geradores de lixo podem ser advertidos e até multados, conforme o Código de Posturas do Município. Ele disse que o setor de fiscalização da pasta atua diariamente com 36 servidores visitando os geradores de lixo. O intuito é fazer com que parem de jogar lixo em local inadequado e respeitem o procedimento correto.

“Existem instrumentos legais para punir, mas normalmente as pessoas mudam quando solicitadas. A conscientização é feita com visitas aos geradores que recebem orientação sobre o horário de coleta e como acondicionar o lixo. Normalmente temos a colaboração da população no resultado final”, disse.

Para o secretário, no caso da rua do Fuxico, os próprios comerciantes devem ter o interesse que a área tenha boa qualidade, sem lixo espalhado, para receber os clientes. Alguns foram notificados pela Semulsp por conta da reincidência.“O comércio será mais prospero se a área for limpa, confortável e organizada. A tendência natural é que eles se organizem”, disse.

Farias prometeu enviar uma equipe ao local para fiscalizar o descarte incorreto de lixo no canteiro central.

Zumbi
O mesmo se repete na alameda Cosme Ferreira, na Zumbi. Porém, a diferença é o tipo de material deixado no canteiro. Em vários pontos foram deixados no canteiro resíduos como cascalho, materiais usados em construções. Mais a exemplo da rua do Fuxico, também há lixo doméstico .O canteiro foi praticamente destruído por carros e motos que fazem retorno irregular. Até uma cerca de madeira, na frente de uma pizzaria, foi construída no canteiro central para impedir o retorno proibido. No entanto, depois de, pelo menos, quatro anos, o canteiro está sendo recuperado pela Prefeitura de Manaus.


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