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Canteiros centrais viram lixeiras públicas em Manaus

Sem educação pública, população utiliza a parte central das vias para despejar todo tipo de resíduo, que atrapalha fluxo de pessoas 13/09/2013 às 07:29
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Comerciante não se incomodou em jogar restos de cartelas de ovo na área central de avenida na Zona Centro-Sul
Florêncio Mesquita Manaus

Alguns dos principais canteiros centrais da cidade foram transformados em verdadeiras lixeiras. O espaço deve abrigar apenas árvores e servir ao deslocamento de pedestres, mas diariamente é tomado por lixo deixado por moradores, e principalmente, comerciantes.

O problema ocorre há anos, em locais que parecem não ter solução, como por exemplo, na rua Brigadeiro Hilário Gurjão, a “rua do Fuxico”, no bairro Jorge Teixeira, e alameda Cosme Ferreira, no Zumbi, ambas na Zona Leste.

Os pedestres são os principais prejudicados. Eles procuram o canteiro central da rua do Fuxico porque as calçadas foram apropriadas indevidamente por comerciantes para expor mercadorias. Com o canteiro usurpado, os pedestres ficam sem nenhum espaço seguro para andar e são obrigados a seguir pela pista se arriscando em meio aos carros. “Dos dois lados você não tem calçada e no meio não há condição de dar dois passos sem ter que passar por cima lixo”, disse a estudante Fabíola Prata, 23.

A CRÍTICA acompanhou o momento que o proprietário de uma distribuidora pediu para que um funcionário jogasse caixas de papelão e material plástico no canteiro central. Após o procedimento, o proprietário, que não se identificou, disse que é mais cômodo para os comerciantes “jogar” lixo no local. A justificativa dele é que os “empresários evitam manter lixo na porta dos estabelecimentos para não atrapalhar as vendas e, principalmente, a carga e descarga de mercadorias. “Todo mundo coloca lixo aí. “Se é para questionar, tem que bater de porta de todo mundo”, disse.

Ao contrário de residências, a maioria dos comércios da rua do Fuxico não possui lixeiras. “O pessoal não têm porque colocar lixeira, porque prefere jogar o lixo na calçada. O carro passa todo o dia e recolhe, mas não adianta pedir para jogar como deveria ser feito que é só dor de cabeça”, disse a vendedora de salgados Silvânia Pereira, 45.

O lixo é colocado a todo o momento, uma vez que, à medida que as mercadorias são vendidas, as embalagens são deixadas no local. São materiais que variam desde cadeiras e sacos plásticos, a caixas de papelão, vidro, até palets de madeira (suporte para a movimentação de cargas).

Com o fluxo de veículos, o lixo se espalha pela pista tornando o problema maior. Contudo, tanto moradores da área como os próprios comerciantes confirmam que há coleta municipal de lixo na rua. O trabalho é realizado todos os dias e ainda existe o serviço de garis que recolhem o lixo espalhados na pista.

Advertência e multas, diz Farias
Segundo do secretário municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Paulo Farias, em casos graves e reincidência os geradores de lixo podem ser advertidos e até multados, conforme o Código de Posturas do Município. Ele disse que o setor de fiscalização da pasta atua diariamente com 36 servidores visitando os geradores de lixo. O intuito é fazer com que parem de jogar lixo em local inadequado e respeitem o procedimento correto.

“Existem instrumentos legais para punir, mas normalmente as pessoas mudam quando solicitadas. A conscientização é feita com visitas aos geradores que recebem orientação sobre o horário de coleta e como acondicionar o lixo. Normalmente temos a colaboração da população no resultado final”, disse.

Para o secretário, no caso da rua do Fuxico, os próprios comerciantes devem ter o interesse que a área tenha boa qualidade, sem lixo espalhado, para receber os clientes. Alguns foram notificados pela Semulsp por conta da reincidência.“O comércio será mais prospero se a área for limpa, confortável e organizada. A tendência natural é que eles se organizem”, disse.

Farias prometeu enviar uma equipe ao local para fiscalizar o descarte incorreto de lixo no canteiro central.

Zumbi
O mesmo se repete na alameda Cosme Ferreira, na Zumbi. Porém, a diferença é o tipo de material deixado no canteiro. Em vários pontos foram deixados no canteiro resíduos como cascalho, materiais usados em construções. Mais a exemplo da rua do Fuxico, também há lixo doméstico .O canteiro foi praticamente destruído por carros e motos que fazem retorno irregular. Até uma cerca de madeira, na frente de uma pizzaria, foi construída no canteiro central para impedir o retorno proibido. No entanto, depois de, pelo menos, quatro anos, o canteiro está sendo recuperado pela Prefeitura de Manaus.

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