Terça-feira, 25 de Junho de 2019
Manaus

Capitão responsável por inquérito quer a prisão preventiva dos policiais agressores

A CRÍTICA teve acesso aos nomes dos três policiais que torturaram um trio de jovens na madrugada de quarta-feira. Ação foi gravada por câmeras de segurança



1.jpg Soldado Jamesson Moreira, da Força Tática, participou da ação de tortura cometida contra três adolescentes
09/05/2015 às 14:58

O cabo Fábio Luis Paiva dos Santos, 37, e os soldados Carlos Diego do Nascimento e Silva, 28, e Jamesson Pinto Moreira, 27,  envolvidos na agressão a três jovens de 15, 18 e 22 anos, da comunidade Jesus me Deu, Zona Norte, podem ter a prisão preventiva decretada a qualquer momento e podem ser expulsos da corporação, conforme informou, nesta sexta-feira (8), o Comandante-Geral da Polícia Militar, coronel Glberto Gouvêa. 

O crime teria ocorrido na madrugada da última quarta-feira (6) e a ação dos policiais foi gravada por câmeras de segurança de uma pizzaria próximo do local. As imagens mostram  os policiais agredindo as vítimas com pedaço de madeira.

Gouvêa  explicou que os policiais foram ouvidos pela corporação mas não entrou em detalhes sobre as justificativas apresentada pelos suspeitos. Disse apenas que os envolvidos não apresentaram justificativas plausíveis para as agressões. 

“O policial  também é cidadão  e a eles serão garantidos o direito a ampla defesa e contraditório. A partir do  momento em que as investigações forem encerradas, teremos uma visão das punições que eles sofrerão e razão dos fatos e atos que praticaram”, ressaltou o comandante.

Segundo ele, o responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM), o capitão Marcos Almeida, que vai cuidar da parte criminal do caso, já representou pela prisão preventiva dos militares e aguarda a manifestação da Justiça Militar.

Além disso, há também os procedimentos adotados pela Corregedoria-Geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), que vai cuidar dos trâmites administrativos, e que vai decidir pela exclusão ou não dos militares do sistema de segurança.

Ainda de acordo com Gilberto Gouvêa, o cabo, que era o comandante da guarnição, será submetido a um Conselho Disciplinar, por ser o mais antigo do trio. Os dois soldados serão investigados, também,  por uma sindicância disciplinar. As investigações podem durar  de 30 a 90 dias.  

“De imediato, esses policiais foram afastados das funções dentro da Força Tática e serão transferidos para outros quarteis, para setores administrativos, enquanto as investigações acontecem”, afirmou o Comandante-Geral.

SSP determina rigor

O secretário de segurança, Sérgio Fontes, disse nesta sexta-feira que tomou conhecimento do ocorrido por meio da imprensa. Pela manhã foi instaurado Inquérito Policial Militar (IPM) que é quem vai apurar  o criminal, enquanto que a corregedoria vai apurar a parte administrativa, dependendo do resultado os suspeitos poderão ser excluídos da corporação. “A minha determinação é que o caso seja apurado com rapidez e rigor”, enfatizou Fontes.

OAB-AM repudia a ação dos policiais

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM) Epitácio Almeida, demonstrou indignação ao falar sobre o caso. Para ele, os policiais militares deveriam ter sido presos em flagrante assim que foram identificados.

“O que aconteceu foi crime de tortura que é hediondo e inafiançável. Esses PMs já deveriam estar presos. É muito grave o que eles fizeram”, disse.  Epitácio declarou que foi à Corregedoria pela manhã  e que conversou com o corregedor Leandro Almada. Segundo ele, a conduta dos três PMs é vexatória.

“Eles colocaram as pessoas de joelho e de forma bestial e desumana passaram a espancá-los. Para mim fica cristalino o crime de tortura. O que me causa estranheza é por que depois de identificados não foram presos em flagrante”, disse. "Nós vamos acompanhar de perto  o andamento das investigações e ouvir as vítimas”, finalizou.

Saiba mais: Família assustada

“Ou você se muda daqui, ou nós vamos te levar para o varadouro”. Esse foi o aviso que dois homens encapuzados passaram para a adolescente C.C.S. 15. A  menina estava em casa, no bairro Jesus Me Deu, na Zona Norte, por volta das 21h quando chegaram dois desconhecidos. A mãe da menina, Maria das Graças Nascimento Coelho, 37,   disse que a família está assustada, mas que não vai mudar de endereço, já que não tem para onde ir.

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