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Manaus
AUXÍLIO

Cáritas de Manaus já atendeu mais de 3 mil venezuelanos que cruzaram a fronteira

Instituição tem buscado assegurar apoio social e jurídico para venezuelanos que sofreram discriminação, exploração, assédio moral e até sexual devido crise no país vizinho 07/09/2018 às 03:49
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Foto: Jair Araújo
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Discriminação, exploração trabalhista (pessoas que contratam e, ao final do serviço, não pagam) assédio moral e até sexual. Isso é o que muitos dos milhares de venezuelanos que fogem da mega crise por qual passa o país vizinho e se abrigam no Brasil vêm sofrendo. Como “nem tudo que reluz é ouro”, nem todo brasileiro se enquadra na fama de povo hospitaleiro e solidário.

“Existe discriminação, preconceito e violência inclusive psicológica, o que também caracteriza xenofobia. A nossa igreja, por meio da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, procura amenizar esse sofrimento e até evitar essas expressões”, relata a coordenadora do Projeto de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio em Manaus, Francisca Guimarães.

A Cáritas é uma instituições da sociedade civil que faz esse acolhimento, que ajuda a assegurar um pouco de dignidade aos imigrantes. Desde janeiro deste ano, entre novatos e retornos, já foram 3.118 atendimentos. Além de venezuelanos, que são maioria, há também cubanos e colombianos.

O atendimento inclui apoio social e assistente jurídica. A maioria vem na condição de refugiado e na Cáritas (que fica na avenida Joaquim Nabuco, Centro) recebe orientação para conseguir condições de permanecer num país diferente e conseguir emprego e direitos iguais ao locais.

A média de atendimento diário é de 60 pessoas por dia, isso independentemente dos que já estão vindo encaminhados de Boa Vista (RR), portando documentação brasileira, mas precisam de algum serviço.

Após o acolhimento, o primeiro passo é a regularização na Polícia Federal, onde o imigrante é entrevistado e, dependendo da sua condição migratória, recebe um documento que permite sua permanência por um ano no Brasil, com possibilidade de renovação. A permanência é avaliada pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão de define se o imigrante pode ou não ser considerado refugiado. Enquanto o Conare não definir a avaliação, o imigrante é apenas um solicitante de refúgio. Com a liberação, a pessoa consegue CPF e a Carteira de Trabalho, facilitando acesso à saúde, educação e trabalho.

“Quando eles retornam com o protocolo da Polícia Federal, a gente dá andamento a todos os procedimentos para deixá-los em condições de conviver legalmente no Brasil”, explica Francisca Guimarães.

Acolhimento recebe 63 imigrantes

No último dia 28 foram acolhidos 63 imigrantes. Na primeira leva foram acolhidos 164, totalizando 227. Eles estão hospedados na Casa de Acolhimento Santa Catarina, no Jardim Petrópolis, Zona Sul, até serem integrados na sociedade, visto que já chegam com documentos brasileiros.

A equipe de apoio no atendimento jurídico, social e administrativo é formada por 15 pessoas. O projeto tem apoio da Acnur. Neste mês a Cáritas Nacional recebe 102 (17 famílias), que vão direto para residências, no projeto chamado “Transferência de Renda”, diferente do “Aluguel Social”, que é para pessoas extremamente vulneráveis e que precisam de uma moradia.

“Nossa missão é unicamente a de ajudar, respeitando os direitos de todos. Não acho conveniente dar destaque aos problemas que eles enfrentaram ou estão enfrentando no Brasil. A situação deles é de vulnerabilidade. São humanos como nós e precisam da nossa proteção”, o padre Orlando Gonçalves Barbosa, vice-presidente da Cáritas Arquediocesana de Manaus.

Cursos e apoios

Também são oferecidos cursos de Língua Portuguesa, cursos profissionalizantes, encaminhamento para atendimento médico e para vários serviços públicos. Além da Igreja Católica, também estão engajados na causa várias igrejas evangélicas, organizações não governamentais e até pessoas físicas que oferecem abrigo a famílias de imigrantes.

Manaus não tem mais como acolher, diz Prefeitura

Na última terça-feira, um grupo de 180 venezuelanos desembarcou em Manaus por meio do processo de interiorização do governo federal. Eles ficarão no Abrigo do Coroado, onde devem receber aulas de português, atendimento psicossocial e cursos profissionalizantes para serem introduzidos no mercado de trabalho.

Essa foi a terceira leva de imigrantes que chegou à capital do Amazonas por meio do processo de interiorização. A iniciativa busca ajudar venezuelanos a procurar novas oportunidades em outras localidades do País.

Segundo o porta-voz da agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Luiz Fernando Godinho, outros refugiados devem vir para o Amazonas em breve. “Existe essa possibilidade, existem outros grupos, mas isso esta sendo discutido e coordenação pelo governo federal e autoridades aqui de Manaus, para permitir a interiorização de outros grupos, mas esses números ainda não estão definidos porque depende, antes de tudo, da disponibilidade de vagas na cidade”, explicou.

Segundo o secretário da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), Dante Souza, hoje a cidade não teria com atender mais uma demanda de imigrantes e isso só seria possível com um suporte maior. “Hoje não teríamos mais como receber mais um grupo. Hoje precisaríamos de um suporte bem maior do governo federal para que a gente faça isso. A realidade é que não estamos se furtando a fazer, estamos fazendo, porque não adianta tão somente passar, olhar e não fazer nada. Precisávamos fazer alguma coisa e estamos fazendo dentro do que é possível”, disse ele.

“Mas é importante que os outros entes comecem a trabalhar também essa situação. É importante ter uma maior participação do estado nisso, o estado precisa acordar para essa situação também”, completou.

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