Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
Manaus

Carreteiro admite irregularidade no transporte de cargas pesadas no Amazonas

Carreteiros que trabalham no transporte de carga admitem que transportam contêineres sem os pinos de segurança



1.jpg Segundo relatos de motoristas, contêineres são transportados soltos
12/05/2012 às 19:02

O carreteiro Francisco Oliveira, 46, há 11 anos trabalha no transporte de carga e admite que transporta contêineres sem os pinos de segurança. “O carreteiro pega a carga porque precisa do emprego. Mesmo vendo que a carreta não tem condições de trafegar pela rua, a empresa manda que o cara leve para o cliente. Infelizmente a gente precisa trabalhar assim”, disse.

Segundo Francisco, em muitos casos as cargas são levadas as pressas para o cliente. “Quando a carga é para fábrica tem que ser rápido. Às vezes a fábrica já está com a linha de montagem em processo e o carreteiro precisa levar o material para abastecer a fábrica, senão, o processo pára e é prejuízo para todo mundo”, disse.



Ele explica que somente o contêiner vazio pesa 4,5 mil quilos, além da carga que pode chegar a 40 toneladas. Segundo ele, existem dois tipos de contêineres: o primeiro é o de 20 pés que tem 6,5 metros de cumprimento e capacidade para carregar até 21, 5 toneladas; e o de 40 pés que mede 12,5 metros, tem capacidade para transportar até 40 toneladas. O contêiner de 20 pés, explica, leva quatro pinos de segurança (locks) e o de 40 pés leva dez pinos. “Todos devem estar devidamente fixados no contêiner para que ele não saia do trole, senão, o risco de acidente é grande”, explica.

Ele afirma que os carreteiros pegam as cargas com troles danificados porque dependem do salário, atualmente em torno de R$ 1,3 mil. O valor é considerado defasado. “É um valor muito baixo para uma profissão de risco. Mesmo não sendo o principal motivo o salário também influencia para que a maioria ande sem ‘lockear’ o contêiner”, disse.

O baixo salário com o grande risco faz com que o carreteiro migre da condição de empregado para a de autônomo em busca de um salário melhor. Os carreteiros que trabalham por conta própria chegam a ganhar até R$ 350 por dia. Em 24 dias de trabalho o autônomo ganha R$ 8,4 mil. Parte desse dinheiro é usado na compra de combustível, óleo e na manutenção geral do veículo.

No entanto, trabalhar por conta própria ainda é uma conquista limitada. Segundo Marcelo, poucos carreteiros conseguem ser autônomos por causa do custo do caminhão. Ele conta que um cavalo mecânico novo custa R$ 220 mil. Em contrapartida, um meia vida, como é conhecido o carro de segunda mão, custa de R$ 80 a 90 mil.

“Com um salário de R$ 1,3 mil e com família para sustentar é difícil comprar o próprio carro. Quem consegue comprar, pelo menos, um meia vida roda sem problemas por um ano e consegue cobrir o gasto com o caminhão”, explicou.


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