Publicidade
Manaus
Manaus

Casal desenvolve site para que população avalie os serviços das maternidades de Manaus

O site possibilita a avaliação de todas as maternidades da capital, incluindo o Instituto da Mulher Dona Lindu, Hospital Beneficente Portuguesa, Maternidade Ana Braga, Balbina Mestrinho, Moura Tapajós, Samel, Unimed, Hospital e Maternidade Santo Alberto, entre outras 27/11/2015 às 09:20
Show 1
Com a experiência da gestação da esposa, o desenvolvedor de sistemas criou o site para ajudar outras gestantes
luana carvalho ---

Assim que descobriram que seriam pais, o casal Andrews Lince Andrade, 28, e Thayana Coelho Oliveira, 25, sem dinheiro para custear um parto em uma unidade particular, decidiram criar um site para avaliar o atendimento e estrutura das maternidades públicas e privadas de Manaus. Em dois meses, pelo menos 320 relatos já foram registrados.

“Descobrimos que estávamos “grávidos” e tivemos essa ideia. Como sou desenvolvedor de sistema, não foi difícil criar o site para que outras mulheres relatassem suas experiências”, conta. O bebê do casal nasceu em outubro, na maternidade Balbina Mestrinho, Zona Centro-Sul. Parte da escolha da maternidade foi feita com base na pesquisa.

“Sempre ouvimos muita coisa ruim do sistema público, mas queríamos ouvir mais opiniões. A plataforma foi criada justamente para colher avaliações de pessoas que passaram pelos serviços públicos e privados para termos uma melhor noção e poder divulgar esses dados para ajudar as pessoas”.

O site possibilita a avaliação de todas as maternidades da capital, incluindo o Instituto da Mulher Dona Lindu, Hospital Beneficente Portuguesa, Maternidade Ana Braga, Balbina Mestrinho, Moura Tapajós, Samel, Unimed, Hospital e Maternidade Santo Alberto, entre outras.

Ainda acordo com o criador do projeto, além da possibilidade de criar um ranking com as melhores e piores maternidades de Manaus, a ideia é poder contribuir para a melhoria dos serviços prestados, como uma forma de participar diretamente das mudanças para a humanização do parto.

“No final do ano iremos apresentar todas as avaliações às secretarias de saúde, possibilitando que eles tenham conhecimento sobre o que as mães relatam e o que elas desejam”.

Lince explica que as avaliações negativas chamam atenção, mas ressalta que há muitas mães que avaliam positivamente as maternidades. “Também procuramos nos informar um pouco mais sobre os serviços que eram prestados nas maternidades públicas, pois percebemos que há muitos relatos positivos. É claro que existem os maus profissionais, mas também existem os bons que devem ser reconhecidos ”.

Questões sobre a estrutura do prédio, conduta dos médicos e da equipe de enfermeiros estão inclusas na pesquisa. No final, o participante também pode dar sugestões de melhorias e outro para relatos.

‘Divulgação’

As informações completas serão lançadas em dezembro, mas Andrews adiantou que de 324 relatos, 44 foram negativos em relação ao atendimento prestado pelos médicos, com indícios de violência obstétrica. Inclusive, estes dados foram mostrados durante a 1º Audiência Pública sobre Violência Obstétrica, realizada pelo Ministério Público Federal, na última segunda-feira.

Pelo menos 200 pessoas participaram da audiência, entre representantes da comunidade obstétrica, das secretarias de saúde do Estado e da Prefeitura, enfermeiros e demais organizações. O objetivo foi dar visibilidade as violações que acontecem no Amazonas e compartilhar informações sobre os direitos das mulheres.

O MPF já apura possíveis prática de violência obstétrica nos hospitais e maternidades do Amazonas desde 2014, por meio de inquérito civil.

Avaliações positivas surpreendem

Do total de avaliações registradas até ontem, 56,2% foram de partos cesáreos e 43,8% foram normais. Sobre a estrutura das maternidades de Manaus, 42,4% das mulheres consideram boas, 15% acharam excelentes, 25,7% classificaram como ótimo, 9,3% como ruim e 7,6 acharam a estrutura física péssimo. As avaliações para o atendimento da equipe multidisciplinar, incluindo pediatras, obstetras, nutricionistas, enfermeiros e técnicos, variam entre bom e ótimo. Porém, 11% das mulheres acharam ruim e 8,2% consideram péssimo.

Além disso, 26% das mulheres que realizaram a avaliação até agora tiveram algum problema para conseguir leitos. No entanto, 70,6% disseram que não encontraram problemas. Vale ressaltar que, os dados divulgamos preliminarmente, são resultados de todas as maternidades avaliadas, incluindo públicas e particulares. Quem quiser participar da pesquisa e incluir seu relato precisa acessar o site www.maternidadesmanaus.com.br. Nas redes sociais, o casal também dá dicas sobre maternagem e de atividades desenvolvidas nas maternidades. 


Publicidade
Publicidade