Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
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INCÊNDIO

Casas com estrutura comprometida após incêndio do Educandos serão demolidas

Sete de 31 residências afetadas parcialmente pelas chamas do dia 17 de dezembro estão com estruturas comprometidas e correm risco de desabar



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Famílias começaram a voltar às casas que sobreviveram ao megaincêndio (Foto: Junio Matos/freelancer)
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04/02/2019 às 08:42

Ao longo desta semana, a sétima desde o incêndio que destruiu centenas de casas e desabrigou milhares de pessoas no bairro de Educandos, na Zona Sul de Manaus, a Defesa Civil do Município deve começar a demolir as casas que ficaram com a estrutura comprometida e correm risco de desabar por conta do sinistro, ocorrido no final do ano passado na área conhecida como “Bodozal”.

No total, o órgão avaliou 31 casas que ficam no limite de onde as chamas chegaram, mas apenas as sete ficaram com toda a estrutura comprometida. Nas demais, que estão ocupadas, os moradores foram avisados de que podem permanecer e receberam orientações quanto aos problemas identificados nas residências.

O movimento de retorno da população às residências destruídas parcialmente, aos pouco, já é perceptível. Após dias abrigada na quadra da igreja Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, a aposentada Rita Souza, 60, voltou para dentro da casa dela, que ainda tem as marcas do incêndio. “Eles [órgãos públicos] não passaram aqui, então a gente derrubou a parte [da casa] que estava danificada e eu voltei”, relatou a aposentada.

“Ao meu ver não tem risco”, avaliou. “Estou dormindo na sala com o pouco das coisas que me sobraram após o ocorrido e vou ficar aqui até ajustar e arrumar o que danificou naquele dia. Não tem mais como ficar por aí, de qualquer forma”, afirmou.

Quem teve a casa completamente destruída diz que se pudesse voltaria ao local, pois o Auxílio Aluguel está muito abaixo do valor praticado no mercado. A intenção de voltar dos desabrigados foi tema de reportagem especial de A CRÍTICA publicada na edição do dia 17 de janeiro.

Os órgãos públicos, no entanto, são contrários à reocupação da área destruída pelo fogo, que é considerada de risco: inunda com a subida das águas.  A destinação da área incendiada foi um dos temas de reunião das secretarias com o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), na semana passada, a fim de que o trecho não seja novamente ocupado.

A dona de casa Áurea Rocha, 34, é uma das moradoras que não vai mais poder voltar para o que restou da sua residência. Ela hoje mora em um imóvel alugado e paga parte da locação com os R$ 300 recebidos através do aluguel social. “Eu morava com meu filho e meu marido. Hoje, a gente tem que completar o valor do imóvel onde estamos, que custa R$ 500 [mensais] e só o que recebemos não dá. Ninguém acha aluguel mais barato que isso”, lamentou.

“O que a gente espera é que sejamos indenizados para poder comprar nosso cantinho novamente, já que não podemos mais ficar aqui”, explicou. A esperança de Áurea é a mesma de centenas de famílias desabrigadas do incêndio. Conforme triagem da prefeitura, 735 famílias afetadas  preenchem os requisitos para receber o Auxílio Alguel de R$ 300.

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Trinta e uma casas foram vistoriadas

Segundo o secretário de Defesa Civil municipal,  Claudio Belém, foram mais de duas semanas de inspeção na área. “A equipe foi a campo e ficou 15 dias fazendo o levantamento nessa área das residências que faziam o limite de onde ocorreu o incêndio. Foram verificadas 31 casas nesses pontos, mas só sete apresentam risco de fato. A estrutura está danificada e terá que ser demolida”, disse ele.

 “O restante a gente entrou e verificou se tinha rachadura, se não tinha, se tinha risco iminente de desabamento e aí orientamos as famílias que residem nessas residências em relação a algumas patologias que foram verificadas, algumas rachaduras e fissuras, mas nada que viesse comprometer a estrutura dessas casas”, completou  o secretário.

Laudo deve sair esta semana

O laudo pericial que atestará as causas do incêndio que ocorreu na área, no dia 17 de dezembro de 2018, deve ser concluído nessa semana, segundo informações da Secretaria de Estado de Segurança (SSP-AM). O documento está em fase de finalização e a previsão é que seja entregue nos próximos dias. A previsão anterior dizia que o mesmo estaria concluído no fim do mês passado.

Na edição do dia 19 de dezembro, A CRÍTICA mostrou que um vazamento em uma válvula de gás de cozinha em uma das casas foi atribuído como a causa do incêndio, conforme o relato de moradores do local. Segundo o autônomo Leoni Pereira, 25, tudo começou na casa onde ele morava com a mãe, Lúcia Pereira, quando ela preparava o jantar.

Indefinição sobre a situação

A Defesa Civil municipal não informou se as famílias das casas a serem demolidas já estão entre as  735 comprovadamente desabrigadas, conforme triagem do Município para a concessão do Auxílio Aluguel ou se terão que deixar as residências.

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