Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
Manaus

Caso Mateus: Após condenação, motorista recorre em liberdade e é liberado para dirigir

O corpo de jurados decidiu por unanimidade pela condenação do réu por 18 anos de prisão pela morte de Mateus e por mais 12 anos pela tentativa de homicídio de outras três pessoas que também estavam durante o acidente



1.png Cristian Silva de Souza senta no banco dos réus no Tribunal do Júri
06/04/2013 às 11:29

O motorista Cristian Silva de Souza, condenado nesta sexta-feira (05) a 31 anos de prisão pelo atropelamento e morte do menino Mateus Alves Gomes, 4, vai permanecer solto e, pior, dirigindo caminhões em Manaus. O advogado dele, Francisco Boary, recorreu da sentença e até o julgamento em segunda instância o motorista, que trabalha numa multinacional, vai permanecer em liberdade.

O corpo de jurados decidiu por unanimidade pela condenação do réu por 18 anos de prisão pela morte de Mateus e por mais 12 anos pela tentativa de homicídio de outras três pessoas que foram lesionadas no acidente. Ele ainda vai perder a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A juíza Mirza Telma disse que ia comunicar ao Detran para proceder o direito dele ao documento. Até o final deste processo, Cristian vai continuar dirigindo caminhões na multinacional em que trabalha.



Durante o julgamento a defesa do réu tentou desclassificar o crime de homicídio doloso (quando há intenção de matar) para culposo, quando não há a intenção. Boary disse que a promotoria estava tentando transformar o réu em bode expiatório já que no Brasil não há legislação que condene autores de crime de trânsito por homicídio doloso. O promotor Fábio Monteiro conseguiu convencer os jurados de que Cristian assumiu o risco ao ingerir bebida alcoólica, pegou o carro e saiu dirigindo em alta velocidade – o réu confessou que no momento do acidente dirigia a 60km/h – em uma rua secundária de bairro, numa ladeira  onde havia muitas pessoas.

Fábio Monteiro classificou o comportamento do motorista de “absurdo”. Ele disse que a condenação é uma demonstração pedagógica para que outras pessoas não possam ser irresponsáveis no trânsito. “Acho absurda a defesa defender a hipótese de homicídio culposo para uma pessoa que ignorou as normas de segurança e tirou a vida de uma criança que estava na calçada da casa da avó”, disse Fábio Monteiro. 

Cristian demonstrou frieza durante todo julgamento e não mudou nem mesmo quando tomou ciência da  condenação. Após ter sido sentenciado  ele  disse que estava surpreso com a pena  e que não esperava por uma condenação tão alta. Ele disse também que estava arrependido. O acidente que causou e resultou na morte de Mateus mudou a vida dele, pois  todos os dias lembra da tragédia. “Não tive a intenção de matar ninguém, muito menos uma criança, já que sou pai de duas”, disse.


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