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Caso Metcalf: Pilotos de barcos envolvidas em acidente que vitimou inglesa são condenados

A turista inglesa Gillian Metcalf faleceu em setembro de 2013 no rio Negro, após uma colisão entre embarcações. Os pilotos foram considerados culpados com sentença de 2 anos e oito meses de prestação de serviços comunitários 13/09/2015 às 17:59
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Gillian Metcalf (à direita), com o marido Charles e as filhas Natasha e Alice, nas Cataratas do Iguaçu, antes de vir a Manaus. Ela morreu na colisão entre duas lanchas no meio do rio Negro e a família batalhou por seus direitos
Natália Caplan Manaus (AM)

Os pilotos das duas lanchas envolvidas no acidente que resultou na morte da inglesa Gillian Metcalf, de 50 anos, em setembro de 2013 no rio Negro, foram considerados culpados. A condenação para Raimundo Nonato Lima, da embarcação “Dona Shirley”, e Mailson Gomes, da “Clícia VI”, é de 2 anos e oito meses de prestação de serviços comunitários. A sentença foi publicada na última sexta-feira (11), no site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM).

“Entendi que houve culpa recíproca, os dois foram responsabilizados; Um mais do que o outro, por conta da falta de habilitação”, disse o titular da 9ª Vara Criminal, juiz Henrique Veiga, ao ressaltar o fato de Gomes não ter autorização para pilotar. “Mas isso não exacerba a pena. Foram julgados e condenados, mas nenhum dos dois vai ficar preso. Apesar de ser um homicídio culposo [quando não há intenção de matar], ambos são réus primários”, completou.

A última fase de instrução e julgamento do processo encerrou no dia 3 de agosto e a sentença final foi decidida pouco mais de um mês depois, no último dia 10. Na ocasião, foi ouvida a única testemunha de defesa e realizado o interrogatório dos réus, com a presença dos advogados das duas partes; do marido e da filha da vítima, Charles e Natasha. Os familiares de Gillian foram acompanhados dos bacharéis Juarez Rosas, brasileiro, e Samuel David, inglês.

“A sentença era de dois anos e uma fração, com pena privativa de liberdade. Mas a pena foi convertida em restritiva de direito. Ou seja, a pena foi convertida em prestação de serviços comunitários plo mesmo tempo da duração da pena, mas eles não serão encarcerados. Vamos ver dentre os nossos conveniados, algum órgão que trabalhe conosco, onde ambos possam pagar a sentença”, explicou Veiga.

O acidente ocorreu quando a lancha em que Gillian, o marido e as duas filhas estavam parou para abastecer em um “pontão” (posto de combustível flutuante). A outra embarcação se aproximou em alta velocidade e colidiu com a primeira. As vítimas foram levadas ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste, mas a advogada não resistiu aos ferimentos. Segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi traumatismo craniano.

De férias, a família da Grã-Bretanha estava a caminho do hotel de selva “Juma Amazon Lodge”, em Rio Preto da Eva (a 57 quilômetros de Manaus). A colisão entre os barcos aconteceu nas proximidades do Porto da Ceasa, Zona Leste da capital, por volta das 8h20 do dia 5 de setembro de 2013.

Inquérito policial

No ano passado, um inquérito policial sobre o acidente que vitimou a advogada inglesa apontou como culpados pelo choque das lanchas ambos os pilotos — a utilizada para turismo, onde estava a família Metcalf e mais quatro tripulantes; e da outra embarcação, com quatro pessoas a bordo. Desde o início de 2014, houve várias tentativas frustradas da Justiça para entregar as notificações aos pilotos.

Em maio passado, o julgamento foi suspenso após três testemunhas-chave não terem comparecido ao tribunal.  A equipe do jornal A CRÍTICA entrou em contato com a assessora de imprensa da família em Manaus, Mariana Filizola, que comunicou: "Por enquanto a familia ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. Estamos aguardando as instruçoes dos advogados da Inglaterra".

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