Domingo, 16 de Junho de 2019
JULGAMENTO

Caso Oscar: defesa diz que munição encontrada na cena do crime era da SPP-AM

Advogado criticou a postura da promotoria de não investigar o fato de as munições encontradas na cena do crime pertencerem à SSP-AM e afirmou que "João Branco" e outros réus são inocentes



JO_O_BRANCO_123.JPG "João Branco" é um dos réus no caso Oscar Cardoso. Foto: Arquivo AC
13/04/2018 às 22:29

O advogado de defesa dos réus do caso Oscar Cardoso, Maurício Neville, afirmou que o traficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, e os demais julgados pelo crime não estavam envolvidos no assassinato do delegado.

Durante a sustentação da tese, no julgamento realizado nesta sexta-feira (13), no Fórum Henoch Reis, na Zona Centro-Sul de Manaus, Neville destacou que as munições encontradas na cena do crime eram pertencentes à Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

João Branco, Marcos Roberto Miranda da Silva (“Marcos Pará”), Messias Maia Sodré e Diego Bruno de Souza Moldes são acusados de estarem envolvidos na morte do delegado Oscar Cardoso, assassinado com 18 tiros no dia 9 de março de 2014, em frente à casa dele, na rua Negreiros Ferreira, bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus.

Ao longo do julgamento, os quatro promotores do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) que compõem a acusação argumentaram que os réus estariam envolvidos na morte do delegado e apontaram João Branco como mandante do crime. Neville, no entanto, criticou a postura da promotoria de não investigar o fato de as munições encontradas na cena do crime pertencerem à SSP-AM.

“Os cartuchos eram da polícia, a arma era da polícia e eu não vou apurar? Eu não apuro? Da SSP-AM”, questionou Neville, que não apontou qual órgão de segurança do Estado seria responsável pela munição.

Neville, que no currículo estão as defesas de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, condenado pela morte do jornalista Tim Lopes, em 2002, e Luiz Fernando da Costa, Fernandinho Beira-Mar, líder da facção criminosa Comando Vermelho, chegou a afirmar que dois assassinos estariam envolvidos na morte do delegado Oscar Cardoso. Outro ponto destacado pelo advogado durante a exposição de sua tese foi a ação “nefasta” que os criminosos teriam cometido de cortar os chips de um celular do delegado após executá-lo. Isso teria sido feito, segundo a defesa, para dificultar as investigações. “Coisa de profissional”, avaliou.

Delegado assassinado

O delegado Oscar Cardoso foi assassinado com mais de 18 tiros no dia 9 de março de 2014 em frente à casa dele, na rua Negreiros Ferreira, bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus. A vítima estava em via pública, com o neto no colo, um menino que na época tinha 1 ano e seis meses de idade, quando foi surpreendido pelos atiradores, que desceram de vários veículos.

Motivo do crime para a acusação

Segundo a acusação, a motivação do assassinato de Oscar Cardoso seria um suposto envolvimento do delegado no sequestro e estupro da esposa do narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco, um dos líderes da facção criminosa Família do Norte. De acordo com a acusação, João Branco deu a ordem para matar Oscar como vingança pelo o que o delegado teria feito com a esposa dele.

Condenado

Outro réu no caso, Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, foi condenado na primeira sessão do julgamento ocorrido em agosto do ano passado. Ele, acusado de fornecer o veículo usado no crime, pegou 5 anos, 6 meses e 15 dias de pena por associação criminosa e ocultação de bem ilícito. Como já tinha ficado preso por três anos, o restante da pena foi colocado em regime aberto.


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