Publicidade
Manaus
Animais desprotegidos

Casos de maus-tratos de animais em Manaus ainda carecem de órgãos especializados

Organizações Não Governamentais lutam para conseguirem que órgãos especializados em atender estes casos sejam instalados em Manaus 10/03/2013 às 16:32
Show 1
Caso da gata ' Irandubinha' chamou a atenção: ela foi resgatada após um vídeo que mostrou homem mordendo animal
Florêncio Mesquita Manaus

Casos de maus-tratos contra animais domésticos ou nativos ainda são comuns em Manaus. Apesar dos registros de cem denúncias por mês, a lei que “pune” quem pratica esse tipo de crime é branda e poucos agressores são presos ou respondem pelos atos. Apenas a Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema) e o Batalhão Ambiental da Polícia Militar (PM) são responsáveis por receber e checar dezenas de denúncias. No entanto, a medida é insuficiente para resolver todos os casos, conforme constatação de grupos de proteção a animais que atuam cidade.

Segundo a líder do grupo Cachorreiros de Manaus, Erika Schloemp, o número de casos poderia ser maior, mas muitas situações de maus-tratos não são denunciadas e sequer chegam ao conhecimento da polícia e de associações de proteção animal. A grande dificuldade para denunciar é o medo. Pessoas que são testemunhas têm medo de denunciar os vizinhos ou conhecidos, temendo represálias.

Embora crimes contra animais estejam crescendo, o número de protetores também segue em ascendência, em Manaus. Além dos Cachorreiros, existem três Organizações Não Governamentais (ONGs) que resgatam e tratam animais em risco na capital. São elas: ComPaixão Animal (CPA), Grupo de Proteção aos Animais (GPA) e o Grupo Proteção, Adoção e Tratamento Animal (Pata). No entanto, o número de “protetores independentes” se multiplica e ganha espaço também em redes sociais como o Facebook.

Mesmo com o esforço dos defensores, nem todo caso de maus-tratos pode ser atendido. A principal queixa dos grupos é a falta de uma delegacia e promotoria especializada em fauna que poderia reduzir o número de agressores que ficam em impunes e até mortes de animais.

Depois de um abaixo-assinado que reuniu mais de 5 mil assinaturas, entregue para diferentes órgãos na cidade no ano passado, a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) apresentou requerimento para a criação da Delegacia Especializada em Crimes contra a Fauna e uma Promotoria de Justiça em Defesa da Fauna. O procurador-geral do Ministério Público Estadual (MPE), Francisco Cruz, chegou a se reunir com as ONGs para tratar da criação dos órgãos, mas o discussão não avançou. Os grupos estão preparando um novo documento para recomeçar a luta.

Tratamento é bancado por ONGs

Quando as ONGs recebem a denúncia, procuram apoio de órgãos responsáveis, mas em muitos casos, agem sozinhas. Os protetores chegam ao local e após constatarem a situação orientam o dono do animal sobre o crime e tentam corrigir o problema. Em casos mais graves, eles resgatar o animal. No entanto, se deparam com o fato de Manaus não ter um abrigo além do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). A alternativa é colocar os animais para adoção, depois de cuidar deles.

O detalhe é que o custo do tratamento para colocar um cão saudável para adoção é de R$ 300. Quando o animal está doente, o valor sobre para R$ 600. O custo é referente ao atendimento veterinário, vacina, remédios contra pulga, carrapato e verme, além do cadastro e exames, este último, obrigatório. O dinheiro sai dos bolsos dos próprios defensores, que cobram mais atenção os animais da cidade.

Publicidade
Publicidade