Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019
Animais desprotegidos

Casos de maus-tratos de animais em Manaus ainda carecem de órgãos especializados

Organizações Não Governamentais lutam para conseguirem que órgãos especializados em atender estes casos sejam instalados em Manaus



1.png Caso da gata ' Irandubinha' chamou a atenção: ela foi resgatada após um vídeo que mostrou homem mordendo animal
10/03/2013 às 16:32

Casos de maus-tratos contra animais domésticos ou nativos ainda são comuns em Manaus. Apesar dos registros de cem denúncias por mês, a lei que “pune” quem pratica esse tipo de crime é branda e poucos agressores são presos ou respondem pelos atos. Apenas a Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema) e o Batalhão Ambiental da Polícia Militar (PM) são responsáveis por receber e checar dezenas de denúncias. No entanto, a medida é insuficiente para resolver todos os casos, conforme constatação de grupos de proteção a animais que atuam cidade.

Segundo a líder do grupo Cachorreiros de Manaus, Erika Schloemp, o número de casos poderia ser maior, mas muitas situações de maus-tratos não são denunciadas e sequer chegam ao conhecimento da polícia e de associações de proteção animal. A grande dificuldade para denunciar é o medo. Pessoas que são testemunhas têm medo de denunciar os vizinhos ou conhecidos, temendo represálias.



Embora crimes contra animais estejam crescendo, o número de protetores também segue em ascendência, em Manaus. Além dos Cachorreiros, existem três Organizações Não Governamentais (ONGs) que resgatam e tratam animais em risco na capital. São elas: ComPaixão Animal (CPA), Grupo de Proteção aos Animais (GPA) e o Grupo Proteção, Adoção e Tratamento Animal (Pata). No entanto, o número de “protetores independentes” se multiplica e ganha espaço também em redes sociais como o Facebook.

Mesmo com o esforço dos defensores, nem todo caso de maus-tratos pode ser atendido. A principal queixa dos grupos é a falta de uma delegacia e promotoria especializada em fauna que poderia reduzir o número de agressores que ficam em impunes e até mortes de animais.

Depois de um abaixo-assinado que reuniu mais de 5 mil assinaturas, entregue para diferentes órgãos na cidade no ano passado, a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) apresentou requerimento para a criação da Delegacia Especializada em Crimes contra a Fauna e uma Promotoria de Justiça em Defesa da Fauna. O procurador-geral do Ministério Público Estadual (MPE), Francisco Cruz, chegou a se reunir com as ONGs para tratar da criação dos órgãos, mas o discussão não avançou. Os grupos estão preparando um novo documento para recomeçar a luta.

Tratamento é bancado por ONGs

Quando as ONGs recebem a denúncia, procuram apoio de órgãos responsáveis, mas em muitos casos, agem sozinhas. Os protetores chegam ao local e após constatarem a situação orientam o dono do animal sobre o crime e tentam corrigir o problema. Em casos mais graves, eles resgatar o animal. No entanto, se deparam com o fato de Manaus não ter um abrigo além do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). A alternativa é colocar os animais para adoção, depois de cuidar deles.

O detalhe é que o custo do tratamento para colocar um cão saudável para adoção é de R$ 300. Quando o animal está doente, o valor sobre para R$ 600. O custo é referente ao atendimento veterinário, vacina, remédios contra pulga, carrapato e verme, além do cadastro e exames, este último, obrigatório. O dinheiro sai dos bolsos dos próprios defensores, que cobram mais atenção os animais da cidade.


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