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Casos de violência obstétrica no Amazonas são discutidos durante audiência pública no MPF

A partir dos depoimentos das vítimas, o Ministério Público Federal apurará as práticas de violência obstétrica denunciadas nos hospitais públicos e particulares do Estado 23/11/2015 às 15:06
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O MPF já apura possíveis prática de violência obstétrica nos hospitais e maternidades do Amazonas desde 2014, por meio de inquérito civil.
Luana Carvalho Manaus (AM)

Uma denúncia coletiva de mulheres que sofreram violência obstétrica durante o parto está sendo registrada durante a 1º Audiência Pública sobre o terma, que acontece na manhã desta segunda-feira (23), no prédio anexo do Ministério Público Federal (MPF), na Avenida Efigênio Salles, Zona Centro-Sul.

Pelo menos 200 pessoas participam da audiência, entre  representantes da comunidade obstétrica, das secretarias de saúde do Estado e da Prefeitura, enfermeiros e demais organizações. O objetivo é dar visibilidade as violações que acontecem no Amazonas e compartilhar informações sobre os direitos das mulheres.

A procuradora criminal da República, Tatiana Dornelles, explica que a partir dos depoimentos das vítimas, o MPF apurará as práticas denunciadas nos hospitais públicos e particulares do Estado. “A gente trabalha na frente da prevenção, fazendo recomendações aos hospitais e maternidades, e na repressão das praticas reiteradas. A ideia é trazer o tema a tona para que as pessoas possam vir ao Ministério Público para denunciar”.

O grupo formado por mães ‘Sagrado Feminino’ está à frente da denúncia coletiva. Pelo menos 20 novas denúncias devem ser formalizadas ao término da audiência. Para professora Gabriela Repolho, responsável pela primeira denúncia de violência obstétrica no Amazonas, a iniciativa é importante e pode, futuramente, auxiliar muitas mães que passaram pelo mesmo problema.

“Estou muito feliz com essa audiência. Sei que é só o começo e o primeiro passo da nossa luta, ainda temos muito caminho a percorrer. A partir de agora nossa luta vai ter mais visibilidade, esperamos que as mulheres denunciem para que em breve nossos direitos sejam respeitados”, comentou Gabriela.

O MPF já apura possíveis prática de violência obstétrica nos hospitais e maternidades do Amazonas desde 2014, por meio de inquérito civil. Segundo o órgão, as situações de violação de direitos na hora do parto podem incluir agressão verbal ou física por parte do profissional de saúde, deixar de oferecer algum procedimento que alivie a dor, negar o atendimento à paciente ou não informar a mulher sobre algum procedimento médico que será realizado.

Denúncias

A presidente da Associação Artemis, que combate a violência contra a mulher, Raquel Marques, apresentou um levantamento indicando que nenhuma maternidade de Manaus, incluindo as públicas e particulares, está preparada para a humanização do parto.

Para a presidente da Associação Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia (Assago-AM), Hilca Espírito Santo, o termo “violência obstétrica” é inadequado. “Estou muito tranquila, pois é o momento de nós obstetras mostramos aquilo que nós somos. Somos formados, estudamos no mínimo seis anos em uma universidade, passamos de 3 a 5 anos em uma especialização. Não somos violentos, atendemos com calor humano e delicadeza com as pacientes e esperamos isso também das pacientes e acompanhantes”. 

Já a representante do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Patrícia Sicchar, fez um desabafo e contou que a violência obstétrica acontece principalmente quando as mulheres não conseguem ter acesso a um pré-natal adequado. Ela criticou as condições de trabalho oferecidas aos profissionais e relatou que, nesses casos, quem sofre são as mães que estão tendo bebês.

“Também precisamos mostrar as péssimas condições de trabalho que temos. Trabalhei dois anos na Maternidade Ana Braga, fazendo a neotalogia, e eu não tinha uma tesoura para cortar o cordão umbilical, tinha que cortar o cordão dos bebês com bisturi, correndo o risco de rasgar a perna do bebê”, denunciou.

*Leia mais sobre o assunto no caderno de Cidades do jornal A CRÍTICA de terça-feira (24)

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