Terça-feira, 16 de Julho de 2019
SUCESSO

#CasosMarcantes2017: banda amazonense Luneta Mágica vai tocar no Lollapalooza

Neste ano, a Luneta também fechou contrato com a Sony Music, que já trabalhou com o grupo na gravação de ‘Parte’ e está empenhada na confecção de um novo álbum, que deve ser lançado em 2018



26/12/2017 às 17:54

O realismo fantástico, também conhecido como realismo mágico, é uma corrente literária que tem a fusão do universo mágico com a realidade como principal característica. Talvez não seja exagero dizer que a trajetória da banda amazonense Luneta Mágica esteja sendo escrita por algum expoente dessa escola.

Erick Omena, um dos vocalistas e guitarristas da banda, enviou à organização do Lollapalooza uma proposta para que eles se apresentassem na edição do festival de música que vai acontecer, em São Paulo, entre os dias 23 e 25 de março de 2018.

Poucos meses antes da divulgação da lista de artistas que vão se apresentar no evento, eles receberam um e-mail como resposta. “Nós agradecemos o contato, mas o line up já está fechado. Tente uma outra vez. Sei lá, algo assim”, resume Erick.

“Eu já fiquei feliz até porque eles me responderam. Geralmente, essa é uma parada que eles não respondem”, completa o músico que mal poderia esperar o que o futuro reservara para a banda.

Uma semana antes da divulgação do line up oficial do Lollapalooza, Luneta Mágica foi procurada pela organização do festival para tocar no que é um dos maiores eventos musicais do mundo e que desde 2012 conta com edições anuais no Brasil.

“Foi muito louco isso”, define Erick. Mais louco ainda (no melhor sentido da expressão) foi o ano de 2017 para a banda de que também fazem parte Pablo Henrique (vocal e guitarra), Eron Oliveira (bateria), Daniel Freire (baixo) e Victor Neves (teclado).

Menos de um mês após Luneta Mágica ser confirmada como atração do Lollapalooza 2018, foi anunciado que a banda vai estar no South By Southwest, um conjunto de festivais de música, cinema e tecnologia previsto para acontecer entre 9 e 18 de março no Texas, nos Estados Unidos.

Antes disso, Luneta já havia “pulado o Carnaval”, em Rio Negrinho-SC, tocando na vigésima edição do Psicodália, conhecido como o “Woodstock Brasileiro”. Este ano, Erasmo Carlos e Ney Matogrosso também se apresentaram no evento.

Sony Music, Miranda e destaque fora do AM

Segundo Erick, tudo que a Luneta Mágica pensou para 2017, aconteceu. O que fez com que o ano fosse definido por ele como muito especial para a banda. Foi também este ano que a banda lançou o single “Parte”, produzido por Carlos Eduardo Miranda, ex-jurado dos programas “Ídolos”, “Astros” e “Qual é o Seu Talento?”, além de ser responsável por descobrir bandas como Raimundos e Skank.

Em 2017, a Luneta também fechou contrato com a Sony Music, que já trabalhou com o grupo na gravação de “Parte” e está empenhada na confecção de um novo álbum, que deve ser lançado em 2018. Ainda assim, há quem questione o talento da banda.

“É impressionante como as pessoas acharam que a gente simplesmente partiu de uma banda que não tinha feito nada de relevante para tocar no Lollapalooza”, afirma Pablo, que aposta no fato de a Luneta ter feito vários shows no circuito de festivais de música brasileiros como motivação para o convite da banda tocar no evento que acontece na capital paulista.

Se, por um lado, as obras do realismo mágico fogem do tom piegas dos romances, por outro, a Luneta Mágica toca um som experimental, distante da toada, da MPA e dos forrós e boleros típicos do Amazonas. Apesar do ano de sucesso, o reconhecimento da banda é maior fora do estado que é berço do grupo do que dentro dele.

“As próprias pessoas daqui falaram para nós que a crítica gosta muito da gente no Sudeste. Esse nosso mix de formatos mais alternativos é muito apreciado fora daqui. É discrepante a diferença em comparação com o eixo sul-sudeste, é discrepante a diferença do Brasil com outros países”, conta Erick.

Hoje, Luneta Mágica tem ouvintes na França, no Japão e nos Estados Unidos. O segundo disco do grupo, chamado ‘No meu peito’, foi eleito pelo diretor de televisão Luiz Fernando Carvalho como o segundo melhor de 2015, em uma lista feita para o Jornal O Globo. Os amazonenses ficaram à frente de cantores como Gal Costa.

“No meio da região amazônica, surge um coletivo musical com força melódica e coragem poética capaz de desmistificar clichês”, declarou Luiz sobre a Luneta Mágica.

Curiosamente, mesmo com a mistura de sonoridades experimentais que a tornam uma banda de rock alternativo, diferente das músicas consideradas regionais, vez ou outra Manaus aparece, de alguma forma, nas composições do grupo.

"Cinco bolas de sorvete por apenas um real", "Manaus 14:00", são exemplos de canções que colocam o contexto da capital amazonense na produção da Luneta Mágica.

Fãs se tornaram parte da banda (literalmente)

Segundo Pablo Henrique, a ideia da banda Luneta Mágica surgiu em 2008, porém, ela só começou a se apresentar em Manaus no segundo semestre de 2011. “Na época, a gente não tinha baterista. Até simulava as baterias no (videogame) Nintendo DS. Era interessante assim porque dava um toque experimental para a banda”, conta o vocalista.

A gravação do primeiro disco do grupo, "Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida", serviu de porta de entrada para o baterista Eron Oliveira ingressar na banda. “Eu tinha contato com o Pablo, a gente tinha uma espécie de grupo boêmio, que se reunia para ouvir música. E aí surgiu o convite pra fazer duas músicas de bateria orgânica no primeiro disco”, relembra Eron.

“Pelo que eu entendia, o disco foi de forma despretensiosa. Pelo menos eu não esperava algum reconhecimento. Depois surgiu o convite para fazer parte da banda e eu fiquei lisonjeado. Eu gostava dos meninos, era fã da banda”, comenta o baterista, que também se faz às vezes de “guru espiritual” do grupo.

Outro que também era fã de Luneta Mágica e depois se tornou integrante da banda foi Erick, que entrou em 2015, atraído pelo estilo musical. Victor Neves é o mais novo membro do grupo. A banda sequer tem uma foto oficial com a presença do tecladista. Segundo os integrantes, as mudanças na formação fizeram o grupo amadurecer.

O apoio dado pela organização dos festivais para que a Luneta Mágica viaje para os shows é insuficiente para as viagens, dizem os músicos amazonenses. “Os festivais oferecem uma estrutura que é mínima. E a gente entra com outra parte. Ainda há muito que é investido de nossa parte nos festivais. A gente não parou de investir na banda e não vai ser agora que vai parar”, afirma Erick.

2018 e A Luneta Mágica

Se a inclusão da Luneta Mágica no line up do Lollapalooza e do South By Southwest já serviu para tornar 2017 especial, o que projetar para 2018, quando os shows vão acontecer?

A banda promete tocar nos dois eventos com a dedicação típica já de outros festivais. Embora haja um carinho especial pela apresentação nos Estados Unidos, que será a primeira internacional da Luneta. Os vinte anos de história do South By Southwest são a explicação.

O nome do grupo amazonense é inspirado no livro "A Luneta Mágica", de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1869 e considerado pela crítica como primeiro romance fantástico brasileiro. “Por a banda ter uma sonoridade parecida com essa ideia fantasiosa, onírica, acreditamos que seria legal”, conta Pablo.

Na história de Macedo, Simplício, o personagem-narrador, era míope e ao longo da trama ganha lunetas mágicas que o permitem ver o bem e o mal das pessoas.

Na história da banda, as mudanças na formação podem ser comparadas com as lunetas que mudam a maneira de se ver o mundo.

“As últimas mudanças na banda foram as entradas do Daniel e do Victor. Certamente, isso não tem como não contribuir para a sonoridade do novo disco”, projeta Erick para o próximo EP da Luneta.

“Cada álbum é como um quadro em branco. Não tem como você pintar o mesmo quadro. Além disso, ele vai ser produzido pelo Miranda. Isso vai influenciar na qualidade do trabalho”, complementa Pablo.

Metas para 2018? Gravar um bom disco é a unanimidade. Viver de música, o desejo de Pablo, que, hoje, também divide o tempo com os afazeres do sebo e da empresa de engenharia onde trabalha.

Enquanto isso, um trecho de "Largo São Sebastião", a mais famosa das “músicas manauaras” da banda, talvez, expresse as expectativas deles para a recepção local do som que produzem: “É preciso tempo para amar/Pra poder mudar de direção”.

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