Terça-feira, 21 de Maio de 2019
Manaus

Catador retira voluntariamente lixo da rua onde mora na Zona Sul

Limpando a rua onde mora, além de fazer uma boa ação, o catador de 52 anos tenta dar uma lição aos vizinhos



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Luiz Carlos Pessoa faz mais que sua parte, mas reclama dos vizinhos que não colaboram com a limpeza da rua
13/07/2015 às 10:01

O catador de lixo Luiz Carlos Pessoa, 52, é um exemplo de cidadão. O homem que há 10 anos trabalha catando garrafa pet e latinhas para revender para reciclagem, faz mais do que “catar uma forma de sustento”. Todos os dias ele pega o carro de mão e limpa a rua Walter Rayol, bairro Presidente Vargas, Zona Sul, que encontra-se alagada, e acumula muito lixo. Limpando a rua onde mora, além de fazer uma boa ação, o catador tenta dar uma lição aos vizinhos. “O pessoal da Prefeitura para vez outra, mas o povo não tem consciência, e eu acho que já acostumei todo mundo. Quando começa acumular as pessoas já olham com uma certa cobrança, parece que é minha obrigação”, explicou.

Luiz afirma que faz esse trabalho para manter o ambiente limpo, e principalmente para evitar doenças, mas ressalta: “Como eu tenho que mover o lixo, já caí várias vezes dentro dessa água contaminada. O pior que tem de tudo aí, desde rato às fezes. Aí já é normal eu estar com virose. Quando começa a noite, sinto o mal estar da gripe e febre. Mas antes eu que uma criança dessas né? Já basta a coceira que o contato com essa agua trás, por isso que eu acabo tomando a obrigação e recolhendo o lixo”, explicou.

A dona de casa Jaqueline Rodrigues 35, que mora no igarapé do Bariri, também no bairro presidente Vargas, contou que já houve casos de criança desequilibrar nos pedaços de pau que servem como ponte, e caírem dentro da água, causando alergias, mas nem isso parece animar os moradores a não jogar lixo nas águas, apesar de “exigirem” que Luiz Carlos Pessoa continue catando o lixo que eles mesmos jogam.

Água suja, saúde ruim

A gerente de enfermagem do setor de Controle de Infecção do Hospitalar (CCH) do Hospital e Pronto Socorro Platão Araújo, Fabiane Silva, informou que a unidade de saúde atende em torno de 1.800 pessoas por dia, e 15% dos atendimentos é por infecção, gerando febre ou diarreia, ou seja, doenças provocados pela falta de cuidado ou higiene.

O número é significativo, levando em consideração que a unidade hospitalar dispõe de uma ampla rede de atendimentos diários. De acordo com a Semsa , a diarreia é a primeira a causar epidemia entre as doenças de veiculação hídrica em Manaus.


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