Sábado, 30 de Maio de 2020
números em queda

CDL estima queda de até 35% no faturamento, em março, do comércio em Manaus

Se situação persistir, o órgão estima que pode ocasionar até 5 mil demissões



centro_6A8418A3-A420-4E6A-9EC1-6E074D52404F.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
20/03/2020 às 19:36

O coronavírus mudou a rotina de atendimento e funcionamento do comércio de Manaus. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM) orienta os lojistas a adotar a modalidade home office em atividades administrativas, reduzir a jornada de trabalho e flexibilizar horários  nos próximos 15 dias.

“Estamos no auge de uma crise que é de natureza puramente sanitária e o objetivo maior é preservar a vida, mas a matriz econômica do comércio e serviços tem uma configuração diferenciada que exige que tenhamos cuidados. Estamos cumprindo as orientações do governo federal, do plano estadual e municipal e não podemos fechar comércio, enfraquecer as empresas e proporcionar, de novo, um desemprego em massa. Isso é muito perigoso”, declarou o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, acrescentado outras medidas de prevenção como o reforço na limpeza e a disponibilização de álcool em gel.



Lojistas e camelôs já registram queda nas vendas com a diminuição do fluxo de consumidores no Centro de Manaus. A Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus) estima a redução nas vendas neste mês em torno de 25% a 35%, o que pode gerar um cenário com até cinco mil demissões no setor, se continuar nesse ritmo a atividade do comércio.

“A queda nas vendas vai ser violenta, em torno de 25% a 35%. Se continuarmos nessa situação, vamos ter de quatro a cinco mil pessoas demitidas. Esperamos que não cresça o número de pessoas infectadas. Nossa solicitação ao governador foi para que o comércio ainda continue com suas atividades mesmo de forma reduzida, visto que os shoppings já reduziram os seus horários”, afirmou o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag.

No comércio central, o horário de funcionamento fica a critério dos empresários. E em todos os shoppings da cidade, as lojas, áreas de lazer e praça de alimentação adotaram o horário de 12h às 20h. Apenas o Millennium Shopping não funcionará aos domingos.

De acordo com Aderson Frota, o estado vinha até o mês de fevereiro em uma retomada do número de empregos e a federação não tem conhecimento se demissões já foram realizadas em março.

O presidente da CDL-Manaus afirmou que o eventual fechamento das lojas irá encolher em 80% o faturamento do setor e pode ocasionar a demissão de até 40 mil pessoas. “Se aumentar o nível de proliferação do vírus e Secretaria de Estado de Saúde informar que não tem jeito teremos que fechar (às lojas) o caos na parte financeira do comércio e de demissões será bem alto”, adiantou o empresário.

O presidente em exercício da Fecomércio-AM disse ainda que recomendações devem ser aplicadas ao trabalhadores que compõem o grupo de risco ao coronavírus como idosos, diabéticos, hipertensos, quem tem insuficiência cardíaca, renal ou doença crônica respiratória.

“Sejam dispensados de horários rígidos flexibilizando o horário de entrada e saída, colocados em férias e em banco de horas para compensação futura. Muitas coisas podem ser feitas. Precisamos de serenidade para conduzir essa crise de maneira que tenhamos a sociedade abastecida, a economia funcionando e que não tenhamos o fantasma do desemprego de volta”, afirmou.

Impactos no comércio popular

O comércio popular do centro já sente os efeitos negativos decorrentes do avanço do Covid-19. “Com as orientações e restrições impostas pelo governo, nós já sentimos no bolso”, disse o secretário de finanças e presidente interino do Sindicato dos Camelôs de Manaus, Flávio Nascimento.

De acordo com o sindicalista, as vendas caíram 40% nas galerias do Centro Histórico de Manaus, Espírito Santo e dos Remédios. A entidade busca o apoio da Prefeitura de Manaus e do governo do Estado para evitar uma crise financeira entre os associados, representam pouco mais de dois mil trabalhadores camelôs.

O presidente interino avaliou como tímido o auxílio mensal do governo federal no valor de R$ 200 para profissionais autônomos durante a crise do Covid-19. "Nossa única esperança é o apoio do governo estadual e da Prefeitura estabelecendo uma bolsa mensal ou complementação salarial para amenizar a crise financeira”, disse, acrescentando que a renda mensal dos camelôs é de um salário mínimo.

Ele frisou ainda que a medida não deve alcançar a todos os autônomos e lembrou de mais 200 mil trabalhadores informais de Manaus que não são cadastrados e não recebem benefícios, como haitianos e venezuelanos, que já sentem a redução do fluxo de consumidores no Centro.

Saiba Mais

Em reunião com o governador do estado, Wilson Lima (PSC), nesta semana, entidades e associações do comércio solicitaram isenção ou parcelamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) durante três meses pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), dilatação do prazo para recolhimento de impostos e redução de multas.

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Repórter de A Crítica

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