Domingo, 21 de Julho de 2019
ABANDONO

'Cemitério' de veículos da Polícia Civil expõe moradores do Petrópolis a riscos

Abandonado, local tem fiscalização mínima e vira foco de doenças e causa preocupação em moradores da área; peças já foram roubadas



n_o_tratar_3.JPG (Foto: Jair Araújo)
18/03/2018 às 18:48

Em tempos de proliferação de mosquitos transmissores de doenças, um “cemitério” superlotado de carros e motocicletas velhos e sucateados vem atormentando a vida dos moradores das ruas Tomás Amaral e Coronel Conrado, no bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus. 

Localizado na esquina das vias, o depósito pertence à Polícia Civil (PC) e há anos abriga veículos apreendidos em operações ou que estão arrolados a processos judiciais, além de viaturas policiais desativadas. O problema é que os veículos, empilhados, na maioria dos casos, estão a céu aberto e praticamente sem fiscalização, pois a guarita fica num local inadequado. Por isso, grande parte da frota já teve as peças roubadas, transformando as carcaças em focos para vetores de doenças.

Os vizinhos fecham suas casas mais cedo devido ao grande número de mosquitos (carapanãs). Morador de um condomínio recém-inaugurado, Ismael Silva da Costa, 25, já está arrependido pela escolha. “Tenho que vedar todas as frestas com silicone e usar bastante inseticida porque é muito mosquito. Não adianta ter um pátio bonito se a gente não pode ficar aqui fora, correndo o risco de pegar dengue ou outra doença perigosa”, reclama o montador de móveis, cuja esposa está gestante do primeiro filho.

A aposentada Maria José Souza, 69, denuncia as consequências graves de morar perto de um depósito de carcaças de veículos a céu aberto. “Tudo o que não presta tem aí. É criadouro de mosquitos, rato, barata, sem falar nos bandidos que fazem ponto na esquina pra assaltar e roubar peças dos carros. Eu pago iluminação pública, mas não existe porque os bandidos quebram as lâmpadas dos postes e a ruas ficam todo tempo no escuro. A gente vive todo tempo com medo”, desabafa a moradora da rua Tomás do Amaral. Segundo ela, no local funcionava uma empresa multinacional, que gerava muitos empregos, mas foi desativada.

Para o pedreiro Moisés Melo dos Santos, 48, que mora próximo ao depósito, acha que é a situação fruto do descaso do poder público. “Tem muitos carros bons chegando aí que poderiam ser aproveitados, colocados em leilão e usar o dinheiro para investir em benefício da sociedade. É um desperdício de dinheiro público”, denuncia o pedreiro. “A gente vive numa situação de risco. Além de ser um foco de mosquitos, esse depósito atrai muito ladrão, que pula o muro para tirar peças dos carros, principalmente no início da noite”, lamenta a moradora Miracelli Santos.

Carcaça de viatura da PC crivada de balas  desperta a atenção

Entre as dezenas de viaturas da PC desativadas que viraram carcaças, existe uma que chama a atenção de quem passa por ali. Numa posição de destaque, o carro modelo Pálio 2000 é recheado de furos, como se tivesse sido metralhado. Mas ninguém das redondezas sabe, ao certo, o que ocorreu, embora haja muitas versões.

O pedreiro Moisés Melo acredita que o carro teria sido alvo de uma emboscada. Sua suposição é baseada no que ouviu de seu pai, há alguns anos, mas ele disse não lembrar detalhes do que ouviu. 
De acordo com alguns moradores é comum ouvir-se tiros durante a madrugada. Outra versão é que a viatura estaria sendo usada para a prática de “tiro ao alvo” por bandidos, principalmente os envolvidos com o tráfico de drogas. 

A direção geral da PC informou que não há registro de viaturas que tenham sido metralhadas e estejam no depósito.

Local deve ser desativado daqui a um mês

O delegado-geral da Polícia Civil, Mariolino Brito, confirmou, por meio de sua assessoria, que há cinco anos a instituição usa o local, situado na esquina das ruas Tomás Amaral e Coronel Conrado, como depósito de carros e motocicletas. Ele informou que a maioria dos veículos foi apreendida em operações ou que estão arrolados a processos judiciais. 

Mariolino estipulou um prazo para mudar de endereço o cemitério de carros. “A previsão é de que, em quarenta dias, todos os veículos sejam transferidos para outro local, cedido pelo Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM)”, garantiu o delegado, no último dia 9 de março. Logo, a previsão é de que a retirada ocorra até o dia 19 de abril".

O parqueamento do Detran-AM, no bairro Redenção, Zona Centro-Oeste, está superlotado de veículos apreendidos, conforme matéria publicada em A CRÍTICA no dia 18 de fevereiro.
 


 

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