Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
história (quase) enterrada

Em funcionamento desde 1864, 'Cemitério do Cariri' está abandonado, em meio ao matagal

Matagal, lixo e até objetos de rituais religiosos fazem parte do cenário do menor cemitério urbano da cidade



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04/06/2016 às 13:28

Os cemitérios são locais onde familiares relembram seus entes queridos já falecidos, às vezes num misto de dor e saudade. Mas sempre em reverência. No entanto, um desses locais, em especial, está esquecido, abandonado e tomado pelo mato que não respeita o espaço das sepulturas e jazigos. Ali, hoje jaz um passado distante, da Manaus da época áurea da borracha, da Belle Époque, mas sem o mesmo glamour da mesma. Aliás, muito pelo contrário. Esquecido por muitos, e desconhecido para outros, o Cemitério Municipal Nossa Senhora da Piedade fica localizado no quilômetro 5 da rodovia AM-010, no bairro de Santa Etelvina. 

Conhecido também como “Cemiterio do Cariri”, aos poucos ele vai sendo enterrado pela vegetação. O Nossa Senhora da Piedade possui uma área total de 2.160 metros quadrados, com uma quadra, e média de um sepultamento por dia, geralmente atendendo às comunidades adjacentes.

Com 1.020 sepulturas, é o menor da área urbana da cidade (bem distante das 91.553 existentes no Nossa Senhora Aparecida, na Avenida do Turismo, bairro Tarumã, Zona Oeste), tendo começado as suas atividades por volta de 1864, de acordo com informações da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), órgão que administra os cemitérios da cidade.

Ele foi reconhecido oficialmente em 1901. No entanto, estranhamente, associa-se a inauguração oficial deste “campo santo” à pessoa do ex-governador do Estado Eduardo Gonçalves Ribeiro, o que é impossível tendo em vista que ele governou o Amazonas nos períodos de 2/11/1890 a 5/5/1891 e de 27/02/1892 a 23/07/1896, e faleceu em 1900.

Mesmo assim, no canto superior direito da capela construída na entrada do local está escrito misteriosamente, em uma placa, “Cemiterio Nossa Srª da Piedade Criado em 1901 pelo Governador Eduardo Ribeiro”.

Degradação

A reportagem de A Crítica constatou que a intensa vegetação do local não perdoa nenhuma sepultura ou jazigo daquela área. A situação no local é tão caótica que o matagal teima em crescer até sobre os túmulos. Num deles, uma planta de aproximadamente quase 3 metros se espande a cada dia sobre a areia do espaço secular.

Próximo dali, sacos de lixo e pratos de papelão aparecem jogados no chão. Andando mais um pouco, encontramos um colar vermelho e preto, que pode ter sido utilizado em algum ritual religioso. Detalhe: sem portão, o cemitério fica convidativo à invasão noturna, principalmente.     

Sepulturas quebradas  e sem qualquer identicação deixam aquele campo santo ainda mais decrépito. Paralelo a tudo isso, o cemitério também abriga duas caixas de água a céu aberto, sem tampa, própícios a serem criadouros de dengue.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Semulsp, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta quanto à possibilidade de uma reforma no cemitério.

Número

10 cemitérios públicos existem atualmente na cidade de Manaus, sendo 6 na área urbana e outros 4 na zona rural. O mais antigo de todos é o de Santa Joana do Puraquequara, fundado em 1870.

Nordestinos vitais na fundação

Há 152 anos, o cemitério  da Piedade começou clandestino. No passado, portugueses recrutavam nordestinos para trabalhar nas principais obras de Manaus, como o Teatro Amazonas (de 1896 e que neste ano faz 120 anos) e o Palácio  da Justiça.

Em 1864, esses mesmos trabalhadores que integravam colônias formadas por nordestinos e que habitavam até os limites da atual estação Rodoviária e o bairro do Alvorada, decidiram procurar a então parte mais alta e distante da cidade (hoje Santa Etelvina) para construir o cemitério.

A iniciativa, segundo o historiador Gaitano Antonaccio, foi liderada por Chagas Cariri. Foi construída uma capela para velar e adquirida uma imagem de Nossa Senhora da Piedade, que deu nome ao local.

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