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Manaus
LEVANTAMENTO

Pelo menos 260 pessoas vivem em situação de rua só na região do Centro de Manaus

Censo traçou perfil da população de rua na capital para evitar crescimento desproporcional. Levantamento deve incluir o interior do Estado 12/11/2017 às 07:55
Show rua
Álcool e drogas estão entre os principais causadores do abandono do lar (Foto: Márcio Silva)
Kelly Melo Manaus (AM)

Seu Antônio é cearense e pai de seis filhos, mas problemas no casamento lhe renderam não só o afastamento da família como uma vida sofrida pelas ruas de Manaus. Sem ter onde fixar residência, é pelas calçadas e banco de praças que ele busca espaço para dormir. Assim como ele, pelo menos outras 260 pessoas vivem em situação de rua apenas no Centro de Manaus.

“O casamento não deu certo, deixei tudo para trás e vim embora para Manaus. Mas tenho vontade de voltar para a minha cidade, no Ceará”, disse ele, aparentemente alcoolizado. De acordo com o a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), o uso excessivo de álcool e outras drogas são as principais causas para o abandono do lar.


Foto: Evandro Seixas

Assim como em grandes centros urbanos, em Manaus, as pessoas em situação de rua se concentraram majoritariamente no Centro, mas também são encontrados em bairros mais afastados. Eles ocupam os bancos das praças, calçadas, a frente de lojas ou improvisam uma moradia embaixo de viadutos ou em outras áreas públicas.

Essas construções podem ser vistas em grandes avenidas da capital amazonense como na rua Universal, no bairro Educantos, próximo a ponte que liga o bairro ao Centro da cidade. Ali, um idoso de aproximadamente 60 anos ergueu um casebre de lona e estacas para ter como se proteger do sol e a da chuva, diariamente.

Um idoso tímido, com problemas na fala, mas que há muitos anos vive pelas ruas. Segundo ele, que preferiu não se identificar, a nova casa está sendo construída há pelo menos dois meses e é da venda de latinhas de alumínio que ele tira o sustento do dia a dia. De acordo com o homem, ele perdeu o completamente o contato com a família e tem como companheiros apenas dois cachorros.


Foto: Evandro Seixas

Estudo em andamento

Para ter um controle maior da população de rua da capital e desenvolver ações garantindo assistência social a essas pessoas, a Sejusc está realizando desde o outubro, um censo para identificar o perfil das pessoas que moram nas ruas e quais são os principais problemas e necessidades delas.

De acordo com o coordenador do Centro Estadual de Referência em Direitos Humanos da Sejusc, Cristiano Chíxaro, os trabalhos iniciaram pelo Centro, mas vão se estender para outros bairros, como a Glória e a Zona Leste, e até para a Região Metropolitana de Manaus (RMM). A ideia, segundo ele, é ter um retrato mais fiel de quem são essas pessoas e evitar o crescimento desproporcional dessa população.

“Ano passado fizemos um trabalho similar e cadastramos 268 pessoas só no Centro. Muitas dessas pessoas sequer tinham documentos e nós os ajudamos a emití-los. A maioria deles foram para as ruas por causa do álcool e de drogas e acabaram sendo abandonados”, explicou o coordenador.

Características

Segundo o coordenador da Sejusc, Cristiano Chíxaro, algumas características já podem ser observadas com o mapeamento: homens e mulheres entre 20 e 40 anos, com baixo grau de instrução, trabalhadores informais e usuários de álcool e outras drogas.

“Na primeira etapa não encontramos crianças e adolescentes , mas encontramos alguns idosos. Além disso, apesar da grande maioria não ter o ensino fundamental, também encontramos pessoas que têm o ensino médio e até o nível superior”, disse ele.

Outra característica é o elevado número de pessoas de outros estados. “Alguns desejam regressar e a nossa proposta é elaborar estratégias para identificar essas famílias e possibilitar o reencontro”, afirmou o coordenador. A secretaria também pretende oferecer cursos profissionalizantes a esse público para facilitar o acesso ao mercado de trabalho e saída das ruas.

Censo na RMM

O primeiro o município da Região Metropolitana de Manaus a participar o censo da Sejusc deve ser Itacoatiara, distante 270 quilômetros da capital. Segundo a Sejusc, no próximo dia 14, a secretaria vai participar de uma reunião com os órgãos municipais para delinear os primeiros passos do estudo. Atualmente, especula-se que na cidade haja de 30 a 40 pessoas em situação de rua.

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