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Centrais sindicais e partidos aderem movimentos no ‘Dia Nacional de Lutas’

Fora das manifestações de junho, sindicalista e militantes de partidos políticos vestiram suas camisas e foram, nesta quinta-feira (11), aos protestos 12/07/2013 às 07:53
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No final da tarde, no centro de Manaus, os manifestantes levantaram as bandeiras e fizeram a caminhada de encerramento do “Dia Nacional de Luta”
Adan Garantizado ---

Diversas categorias de trabalhadores em Manaus aderiram ao “Dia Nacional de Lutas” e fizeram manifestações ao longo do dia desta quinta-feira (11) pelas ruas e praças da cidade. Pela manhã, os manifestantes se concentraram em ruas do Distrito Industrial e em frente as sedes da Assembleia Legislativa do Estado, da prefeitura e do Governo do Estado. À tarde, o movimento começou na Praça do Congresso e desceu a avenida Eduardo Ribeiro, Centro.

Capitaneado pelas centrais sindicais, e com uma “overdose” de discursos políticos, a manifestação teve baixa adesão popular. Para os organizadores, porém, os atos atingiram os objetivos estabelecidos: “Conseguimos, pela manhã, atrasar a produção do Distrito Industrial em duas horas. Ainda fomos recebidos na Assembleia Legislativa (ALE-AM) e mostramos as nossas pautas, mesmo com a amplitude delas”, disse o vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Berenício Lima. Representantes do movimento indígena também se manifestaram no Centro. “Estamos abandonados em relação à saúde, à educação, à moradia e à demarcação de terras”, criticou o cacique Sebastião Kokama.

Políticamente assumido

Enquanto coordenava o ato no Centro da cidade do alto de um carro de som, Pedro Emídio, diretor da CUT, vestia uma camisa do Partido dos Trabalhadores (PT). Pedro não foi o único a expôr o caráter partidário da manifestação. Bandeiras do PcdoB, PSTU e do PT estavam entre os manifestantes. Figuras como o deputado estadual José Ricardo Wendling, Vital Melo (candidato a vice da senadora Vanessa Grazzioti na disputa pela Prefeitura de Manaus) e Herbert Amazonas (PSTU), participaram do ato. “Temos que mostrar nossa cara. Queremos que o governo continue o bom e corrija as falhas. Vivemos em uma democracia”, explicou Emídio.

Saúde e educação

As categorias das áreas de saúde e de educação foram as de maior destaque no movimento. Enfermeiros, médicos e farmacêuticos protestaram contra as más condições de trabalho, a ausência de concurso público e o alto índice de trabalhadores terceirizados no setor. O sindicato dos farmacêuticos, inclusive, pediu uma CPI sobre a terceirização. Entre os professores, as críticas giraram em torno da questão salarial e da estrutura de escolas e das universidades. José Belizário, presidente da Associção dos Docentes da Ufam (Adua), classificou de balela a promessa do Governo Federal de investir cem por cento dos royaltes do pré-sal na educação.

Pacífico, mas com desentendimento

Mesmo com discursos inflamados e os gritos das palavras de ordem durante as manifestações, o “Dia Nacional de Lutas” foi pacífico. O único incidente ocorreu à tarde, no Centro, quando do discurso do presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mário Viana. Após receber vaias ao criticar o “ato médico”, Mário revidou: “Esse governo corrupto do PT e do PcdoB está errado”, e provocou a ira de manifestantes. Ao descer do trio elétrico, o médico foi “peitado” por alguns sindicalistas mais exaltados. Outros, saíram em defesa de Mário e a PM precisou intervir. “Já esperava essa reação, mas tive coragem. O povo precisa ser alertado”, disse.

Coletivos presentes

Mesmo em número pequeno, movimentos apartidários e pessoas comuns também engrossaram o coro das manifestações desta quinta-feira. O “Manaus direitos urbanos”, protestou contra a construção de baias para ônibus na praça N. S. de Nazaré, em Adrianópolis. Já o “Coletivo Livre Tucandeira”, formado por universitários, criticou os gastos com a Copa do Mundo na cidade. Segurando uma faixa com os dizeres “Coari é governada por pedófilo ficha suja”, o nutricionista Samuel Silva, 30, cobrou punição ao prefeito da cidade, Adail Pinheiro (PRP). “Ele é um ditador. Ninguém protesta em Coari por causa da patrulha dele. Por isso vim até aqui”, contou.

Curiosidades

Alguns protestos chamaram a atenção nesta quinta-feira, como o do ótico Osvaldo São Paulo, 63. Defensor da ditadura militar, ele desceu a avenida Eduardo Ribeiro segurando um cartaz onde se lia “Exército já! Políticos fora”. “Nós éramos felizes naquele tempo e não sabíamos. Não teve um militar desviando dinheiro e ficando rico. Nós daqui também devemos a Zona Franca de Manaus aos militares”, justificou. O aposentado Ricardo Murilho, 60, circulava num triciclo customizado, onde se liam acusações contra Arthur Neto (PSDB) e Amazonino Mendes (PDT).

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