Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
TRADIÇÕES

Centro de Medicina Indígena celebra um ano em Manaus neste sábado

Como parte da comemoração, há rodas de conversa sobre a temática, atendimento com pajés, apresentações culturais e venda de artesanatos



WhatsApp_Image_2018-06-09_at_11.10.25.jpeg (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
09/06/2018 às 11:30

Uma intensa programação cultural está sendo realizada neste sábado (09) em comemoração ao aniversário de um ano do Centro de Medicina Indígena (CMI) Bahserikowi. As atividades, que acontecem na sede da instituição, localizada na rua Bernardo Ramos, Centro Histórico de Manaus, tiveram início às 9h e seguem até às 22h.

Agora pela manhã acontece uma roda de conversa sobre medicina indígena: concepções, práticas e contextos. Às 12h haverá almoço intercultural, com alimentos indígenas, africanos e veganos. Pela parte da tarde, serão realizadas rodas de conversa sobre indígenas e a antropologia: espaço de diálogo possível, e conhecimentos tradicionais indígenas sobre parto e usos de plantas medicinais. A partir de 18h, começam as apresentações culturais.

Além disso, também tem atividades permanentes ao longo do dia, como atendimento com os kumus (pajé) Ovídio e Justino; exposição fotográfica do CMI; exposição do artista plástico indígena Roberto Suávez Rengifo; exposição da artista plástica Carolina Jawi (pintura intuitiva), além de venda de artesanato e de comidas e bebidas (beiju com quinhanpira e mujeca, caxiri e vinho de açaí).

O coordenador do CMI, João Paulo Tukano, afirmou que o projeto tem muito a comemorar. Foi um ano de aprendizado e resultados bastantes positivos. "Atendemos em torno de 1,2 mil pessoas neste período. Elas fizeram tratamento e acompanhamento tanto com benzimento quanto com plantas medicinais, que são as duas formas que oferecemos", disse. 

Um resultado que chamou a atenção, conforme Tukano, foi que praticamente 100% das pessoas que procuraram atendimento no CMI foi não indígenas. "Isso foi muito interessante porque a gente pensava que quem fosse nos procurar seria os indígenas. Mas não foi. E dentro dessa parcela, 90% era de mulheres, na faixa etária de 30 a 60 anos. Isso nos chamou muita atenção", contou.  

O Centro de Medicina Indígena da Amazônia - "Bahserikowi" atende indígenas e não indígenas por meio dos especialistas, conhecidos como "Kumuã". O atendimento é realizado em um antigo prédio localizado no centro da cidade de Manaus, e dispõe de salas para o atendimento do “doatig” (doente), que recebe diagnóstico e o tratamento indicado, e ainda pode descansar nas redes dispostas no local para esta finalidade.

Os Kumuã recebem o poder de cura e de tratamento desde o nascimento, passando por uma rigorosa formação da infância à juventude, a fim de dominar o conhecimento do Bahsese (benzimento), a partir dos princípios metaquímicos da natureza (plantas e animais). Ainda na formação, eles recebem os conhecimentos contidos na natureza e aprendem a dialogar e interagir com os Waimahsã – seres invisíveis aos humanos, com exceção dos Kumuã e que se encontram nos ambientes aquáticos, nas florestas e na terra. 

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