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Centro de Reabilitação Ismael Abdel é ‘luz no fim do túnel’ para dependentes químicos

Em Manaus, no Km 53 da rodovia AM-010, centro de reabilitação já conseguiu atender cerca de 588 pessoas, entre homens, mulheres e adolescentes 25/05/2015 às 15:09
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Se recuperar das drogas é possível Centro de Reabilitação Ismael Abdel
Édria Caroline Manaus

Manaus sempre foi carente quando o assunto é centro de reabilitação para dependentes químicos. Pelo SUS, o serviço era precário e nem todo paciente possui uma situação financeira suficiente para manter-se em clínicas particulares. Inaugurado desde março de 2004, o Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz tenta, de pouco em pouco, mudar essa triste realidade.

Localizado no Km 53, da AM-010, que liga Manaus ao município de Rio Preto da Eva, o Centro já conseguiu atender cerca de 588 pessoas, entre homens e mulheres e até adolescentes. O local tem capacidade máxima para 120 pacientes que fazem tratamento por 90 dias. O número, no entanto, é pequeno para uma cidade que tem 2 milhões de habitantes, de acordo com dados do Departamento de Proteção Social Especial, da Secretaria Estadual de Assistência Social (Seas). 

Mesmo assim, com uma ampla estrutura, o Centro Ismael Abdel tem ajudado pelo menos metade de seu público. Segundo o psiquiatra e diretor do Centro, Pablo Gnutzamann, o local conta com 120 profissionais que trabalham de plantão. Além disso, para o diretor, é muito importante individualizar o atendimento. “Dos pacientes que já saíram, pelo menos 54% hoje estão bem. A dependência química não tem cura, ela só pode ser controlada. Mas isso requer um acompanhamento individualizado dos pacientes”, contou Pablo.

Muitos dos pacientes chegam bastante debilitados e recebem cuidados psicológicos e de conscientização, tendo acesso e sendo formados em cursos profissionalizantes como informática, artesanato, música e panificação. As famílias também são inclusas no processo de reabilitação dos pacientes, participando de visitas e reuniões com psicólogos semanalmente.

Após os 90 dias no centro, inicialmente, o paciente e a família ficam sob acompanhamento na Secretaria de Estado e Assistência Social (Seas) por mais 12 meses.

Há um ano e meio trabalhando no Centro, a psicóloga Izamar Costa, já presenciou algumas histórias de recuperação e afirmou que os três meses de  tratamento são suficientes para a quebra de compulsão. “É um período de descoberta, onde nós fazemos com que eles entendam que podem ter prazer fazendo outras atividades e ter uma vida saudável, sem o uso de drogas”, contou.

O Centro abriga dependentes químicos em estado avançado e quem quiser ter acesso pode ir à qualquer policlínica de responsabilidade do estado ou município ou ir até Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), localizado na rua Borba, n° 1084, no bairro Cachoeirinha. O atendimento no CAPS é de segunda a sexta, das 8h às 17h.

Esperança novamente

Osvaldo Moraes, 32, é dependente químico desde os 16 anos e chegou ao Centro de Reabilitação por meio de uma amiga do irmão. Ele contou que entrou no mundo das drogas depois que os pais morreram e, desde então, era usuário. Osvaldo falou que por causa das drogas tentou suicídio algumas vezes, abandonou toda a família, os estudos e que não vê a filha de 7 anos há pelo menos 6 meses.

“No momento em que eu comecei a tratar da minha dependência os meus sonhos começaram a se desenvolver dentro de mim. Foi quando os meus irmãos voltaram a acreditar em mim. Naquele momento, meu coração se encheu de alegria”, disse. Osvaldo completou 90 dias no Centro e, na última sexta-feira (15), teve alta terapêutica. “Quero focar na minha recuperação, pois ela é dia após dia e ingressar na faculdade de psicologia”, concluiu.

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