Sábado, 24 de Agosto de 2019
Manaus

Cerca de 600 presos vivem fora das celas na cadeia pública

Denúncia do Sindicato dos Servidores Penitenciários revela que 600 presos estão fora de celas e que não há controle deles no local



1.jpg Cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa
07/10/2014 às 15:05

Os 600 presos provisórios da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no Centro, Zona Centro-Sul, desconhecem o que é “ver o sol nascer quadrado”. Eles passam dias e noites fora da cela e soltos em uma área de aproximadamente 100 metros dentro das instalações da unidade de detenção. A afirmação foi feita pela presidência do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Amazonas (Sinspeam), que falou ainda do cotidiano dos trabalhadores que lidam diretamente com os detentos.

Segundo Rocinaldo da Silva, presidente do Sinspeam, é humanamente impossível saber quantos presos estão detidos na Vidal Pessoa. “Eles ficam fora das celas. Não há controle”, afirmou. De acordo com ele, no Amazonas, o agente penitenciário trabalha sob o regime de escala 24 de trabalho por 72 horas de folga. Em cada plantão, o presidente afirma que apenas há um ou dois agentes. “O correto é deixar um agente para cada dez presos. Na Vidal Pessoa, são 600 presos. Então, deveria ter 70 agentes para montar uma guarda penitenciária e se tirar a Polícia Militar de cima dos muros. Assim faríamos como em outras cidades do Brasil”, afirmou Rocivaldo da Silva.

A realidade, segundo o sindicalista, é diferente: são 51 agentes penitenciários no Amazonas. Desses, 17 estão cedidos para a Polícia Civil no  interior amazonense (Parintins, Maués, Humaitá, Itacoatiara, Coari, Tefé, Tabatinga e Manacapuru. Os outros 34 profissionais estão atuando na capital.

“As nossas reivindicações não só da categoria. O nosso trabalho é em defesa da sociedade. Sabemos da importância do trabalho de ressocialização do preso para que ele retorne ao convívio social e não volte a criminalidade. Do jeito que está hoje, não dá para ter domínio e todo mundo fica solto. Nós não entramos na área das celas. Não sabemos o que tem lá dentro. Já vimos eles venderem até droga por lá”, afirmou Rocivaldo.

Pavilhões

De acordo com informações do Sinspeam, a cadeia pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa é composta por quatro pavilhões. Em cada um, estão dispostas 26 celas. A unidade prisional deveria comportar 104 presos, mas está superlotada. “Temos que adequar o nosso tratamento e aprender a ter uma convivência com eles. Temos que tratá-los com respeito. Nós  não vamos ser doidos de encará-los. Estamos de mãos atadas. Ou é isso ou morremos e nossas famílias também”, afirmou um agente penitenciário sindicalizado que preferiu não se identificar por medo de represálias.

Na avaliação do Sinspeam,  95% dos presos provisórios retornam à Vidal Pessoa por permanecer na criminalidade.  No último dia 29 de setembro, 14 detentos pularam o muro da cadeia pública usando uma “tereza”, corda feita com lençóis ou peças de roupas. Outros quatro presos fugiram ainda no mês de setembro.

Sejus diz que não é nada disso

À reportagem, a Secretaria de Estado da Justiça e Direitos Humanos (Sejus) negou que os presos da cadeia pública Desembargador  Raimundo Vidal Pessoa, no Centro, fiquem soltos permanentemente no interior da unidade prisional. Por e-mail, a assessoria de imprensa da pasta informou que os detentos têm direito a banhos de sol e, “portanto, em alguns momentos do dia, ficam fora da cela”.

Sobre o processo de contagem dos presos, a secretaria informou que, por questão de segurança, não divulga procedimentos e horários de banho de sol, alimentação e ações sociais. Em relação a denúncias de vendas de entorpecentes dentro da cadeia pública, a Sejus informou que são feitas buscas mensais na unidade e realmente são encontradas drogas nas instalações da Vidal Pessoa. Ainda de acordo com a Sejus, são feitas investigações para identificar quem são os profissionais que facilitam a entrada de droga na unidade.

Em junho do ano passado até prostitutas foram pegas na Vidal. Cerca de 20 teriam participado de orgias sexuais. Na época, a polícia achou que elas teriam ajudado na fuga de seis detentos.

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