Sábado, 20 de Julho de 2019
ELEIÇÕES 2018

Chapa de Amazonino Mendes à reeleição terá mais tempo de propaganda no rádio e na TV

Com apoio de dez partidos, coligação do atual governador do Amazonas terá cerca de 6 minutos e 45 segundos para inserções de propaganda partidária durante a campanha eleitoral



amazonino-mendes.JPG Foto: Arquivo/AC
07/08/2018 às 03:20

O cenário político do Amazonas desenhado no último final de semana, após as convenções partidárias e composição das coligações, trouxe vantagem para o atual governador e candidato à reeleição Amazonino Mendes (PDT) em relação ao tempo de propaganda no rádio e TV.  

A coligação de Amazonino, que ainda não teve o nome definido, conta com o apoio de dez partidos além do PDT: PP, PHS, SD, PV, PPL, PPS, PR, PRP, PTB e Avante. Com o tempo dos seis maiores partidos – PP, PR, PTB, PDT, SD, e PPS, a composição terá propaganda eleitoral de 6,66 minutos para a coligação do PDT, o que seria aproximadamente 6 minutos e 45 segundos, de acordo com o analista político Afrânio Soares.

Já para as inserções de propaganda partidária durante as programações do rádio e TV, o PDT pode ficar com 18,64 minutos, o que equivale a quase 19 minutos diários, tendo uma vantagem de 2,5 minutos sobre o segundo colocado (PSD).

O Partido Humanista da Solidariedade (PHS), de Wilker Barreto, acabou deixando a aliança com o senador Omar Aziz (PSD) para se juntar ao chapão de Amazonino no último dia para a realização das convenções. A mudança no apoio retirou tempo da coligação de Omar e transferiu para o atual governador.

A composição da coligação “Amazonas com Segurança” – PSD, PSDB, PRB, DEM, PTC e PEN –  encabeçada por Omar Aziz e Arthur Bisneto (PSDB), rendeu 6,39 minutos de propaganda eleitoral e 17,9 minutos de inserções diárias.

O terceiro colocado na distribuição do tempo para a propaganda, segundo o analista político, foi a coligação “Pra Mudar e Resolver” do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) e candidato pelo PSB, David Almeida e do vice Jorge Guimarães (PT). Firmado o apoio do Partido dos Trabalhadores, que tem o maior tempo de propaganda, Almeida logrou 5,69 minutos e 15,94 minutos para as inserções.

Para Afrânio Soares, a última coligação, “Transformação Para Um Novo Amazonas”, do jornalista Wilson Lima (PSC), terá que continuar a propaganda das mídias tradicionais na internet, por meio das redes sociais. “A coligação do PSC, do Wilson Lima, fica com menos de um minuto na propaganda eleitoral e 2,30 minutos nas inserções, ou seja, com bem pouco tempo”, apontou. 

Conforme o analista, a internet na propaganda eleitoral surgiu para equilibrar o pleito. “Mesmo assim, é uma desvantagem sair com poucas inserções na programação, porque essas são as mais vistas”, avaliou Soares.

As legendas PSTU e PSOL definiram participar das eleições gerais com chapa “puro-sangue”. Assim como PCdoB e MDB não estabeleceram apoio a candidatos ao governo durante as convenções partidárias.

Para que a divisão do tempo de propaganda seja estabelecida oficialmente, porém, tem que ser feito o registro de candidatura para homologação das composições. Ou seja: tudo ainda pode mudar. O prazo se encerra no próximo dia 15 deste mês.

Estratégias

Questionada acerca da vantagem sobre os demais candidatos, a Assessoria de Comunicação do PDT informou que o tempo da propaganda possibilita o detalhamento das ações do governo durante o período tampão que iniciou em outubro do ano passado.

“O que traz tranquilidade é a solidez da candidatura majoritária, dos senadores qualificados, um representando a experiência e outro o novo, e uma grande base de apoio já testada, e com muita gente nova buscando espaços”, diz a nota.

O PSD, por sua vez, comunicou que o tempo no rádio e na TV será usado para apresentar ideias “para um novo jeito de governar”, principalmente com propostas para a segurança pública e saúde. “Um jeito que leve em conta o sentimento da população, que tenha um bom planejamento”, informaram.

Para disseminar o conteúdo do plano de governo para o maior número de pessoas, o PSC planeja usar as redes sociais como forma de compensar os poucos segundos nos veículos tradicionais. “De acordo com informações publicadas na mídia, o número de contas de Whatsapp e Facebook mais que dobrou desde 2013, chegando a 120 milhões em 2018. (...) Os veículos tradicionais já vêm perdendo espaço para a internet”, justificou a Assessoria de campanha da coligação.

A assessoria do candidato do PSB não deu o retorno até a publicação desta matéria.

Nanicos

Os dois candidatos de partidos menores, chamados de nanicos, ao cargo de governador do Estado para as eleições deste ano e que possuem chapa “puro-sangue”, PSOL e PSTU, vão apostar em todos os artifícios para tornar a disputa mais igualitária durante o período da propaganda eleitoral, que inicia no próximo dia 16.

Com as novas regras para a propaganda eleitoral na internet, divulgada inclusive por cartilha pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), possibilitando o impulsionamento de conteúdo em mídias sociais e em outras plataformas; proibição de perfis falsos e robôs; o direito de resposta pelo mesmo meio utilizado para divulgar o conteúdo infringente, as siglas vão focar nas mídias.

De acordo com o candidato pelo PSOL, Nindberg Barbosa, o partido terá 15 segundos nas mídias tradicionais e serão utilizados todos os recursos possíveis. “Em 15 segundos “meu nome é Enéas” (em alusão ao candidato a presidente em 1989) já saiu um ‘bocado’ de vezes”, afirmou.

A Assessoria do PSTU, que tem os primeiros candidatos registrados no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) Sidney Cabral, da vice, Maria Auxiliadora, informou que o Facebook e Whatsapp serão “bastante utilizados”.

Divisão de tempo

A distribuição do tempo de propaganda eleitoral entre os candidatos ao governo segue a Lei nº 13.165/2015, que prevê 90% distribuídos proporcionalmente ao número de representantes na Câmara dos Deputados de cada partido e 10% distribuídos igualitariamente.

EM NÚMEROS

19 min - É o tempo aproximado de inserções diárias que a coligação de Amazonino Mendes terá de propaganda eleitoral, caso mantenha a mesma composição de siglas da convenção.

6 - É o número de candidatos ao cargo majoritário estadual foram apresentados nas convenções. Amazonino Mendes, David Almeida, Nindberg Santos, Omar Aziz, Sidney Cabral e Wilson Lima.

2.428.100 - É o número de pessoas que estão aptas para votar no Amazonas nas eleições deste ano. O número representa um aumento de 4,6% eleitores, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM).

OPINIÃO

Carlos Santiago - Analista político e advogado

Toda a estratégia de grandes partidos, de candidatos com o maior potencial nas eleições, tanto no plano nacional quanto no plano local do Estado do Amazonas, foi direcionado para fazer coligações com partidos com tempo de televisão e com fundo partidário. Isso significa que as estratégias dos partidos estão levando em consideração o tempo de rádio e TV.

Se viu, por exemplo, o Geraldo Alckmin que se rendeu para o centrão, obtendo inclusive mais de 40% do tempo de rádio e TV. A movimentação para isolar Ciro Gomes (PDT). (...) Para as estratégias dos partidos políticos o tempo de televisão e de rádio será extremamente importante para decidir uma eleição, uma eleição presidencial, para governador do Estado.

No Amazonas aconteceu todo um jogo do PSB para conquistar o PT, do PDT para conquistar PR, PP e PTB, todo um jogo do PSD para conquistar PSDB, DEM, PRB, que são partidos que tem dois pesos: tempo de propaganda e do fundo partidário.

 A internet tem o seu peso. A internet deve ser usada intensamente, como já foi na pré-campanha com exposição dos candidatos dando visibilidade a todos, como propagadora de materiais produzidos para a televisão e para a rádio com um novo ingrediente, neste ano esse material pode ser postado, patrocinado para atingir um grande número de pessoas.

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