Terça-feira, 26 de Maio de 2020
8 DE MARÇO

Chegou a vez da sororidade: mulheres buscam empoderamento e garantia de direitos

No Amazonas, várias ONGs e projetos sociais têm mudado a história de muitas mulheres por meio do incentivo ao empreendedorismo, à mobilização política e social e à independência financeira e emocional



1582676_1DBE4544-6FCE-499B-ABAD-4A7A33EF0DFF.jpg Foto: Divulgação
08/03/2020 às 09:54

O Dia Internacional da Mulher, comemorado neste domingo, lembra a importância das mulheres na sociedade e a história de luta delas pelos seus direitos. No Amazonas, muitas decidiram reforçar a sororidade e ajudar outras mulheres a se empoderar e até reconstruir a própria vida. Seja por meio de palestras, orientações e cursos profissionalizantes, várias ONGs e projetos sociais têm mudado a história de muitas mulheres por meio do incentivo ao empreendedorismo, à mobilização política e social e à independência financeira e emocional. 

A Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas, MAKIRA ËTA, é uma organização que opera no atendimento em defesa dos direitos e do protagonismo da mulher indígena. A entidade tem como finalidade atuar na questão social que se refere à proteção igualitária básica e especial como a profissionalização das indígenas. Ações como oficinas voltadas ao empreendedorismo, palestras, entre outras, são levadas para comunidades do interior do Estado e periferias dos municípios.



Foi o que explicou a representante da rede, Rosimere Arapasso. “Nós procuramos promover o desenvolvimento socioeconômico e sustentável, a democratização do acesso a bens culturais e oferecer atividades de capacitação e formação. Assim buscamos mais conhecimento para a mulher ter o empoderamento em todas as questões e temáticas relevantes aos direitos das mulheres indígenas”, afirmou.
 
A rede MAKIRA ËTA existe desde 2017 e será oficialmente formalizada no próximo mês durante um encontro envolvendo todas as frentes indígenas da região. A ideia é fazer com que as mulheres entendam e participem da construção coletiva da rede. 

“Tudo é importante para que nós possamos assim fortalecer a nossa luta em defesa dos direitos das mulheres indígenas dentro do Estado. Então, para nós é mais um passo, onde as mulheres indígenas participam dizendo que têm muita coisa a dizer. Falta muita coisa para poder afirmar que as mulheres indígenas estão emponderadas, principalmente, na questão dos direitos. Isso está muito longe de acontecer por varias questões sociais, então, estamos nos preparando para isso”, destacou Arapasso. 

Empatia

O Projeto Fênix surgiu para dar apoio às mulheres vítimas de violência. Criado por uma mulher vítima de relacionamento abusivo, a advogada Jaqueline Suriadakis, hoje ela se dedica a ajudar outras vítimas e busca parcerias para expandir as ações por todo o Estado.

Jaqueline explicou que o projeto existe há pouco mais de um ano e que após viver esse tipo de relação conseguiu sair, se superar e decidiu usar a sua história como exemplo.

“Como eu consegui sair de um relacionamento abusivo, o que não foi fácil, tiveram outras pessoas do meu ciclo de amizades, mulheres que me pediram ajudá-las porque sabiam que eu tinha passado por aquilo e tinha conseguido sair. Então, começaram a me pedir ajuda e eu resolvi criar essa rede de apoio”, disse a fundadora do projeto.

De acordo com a advogada, Manaus tem uma carência muito grande de ações ou programas de acolhimento para as mulheres. “Meu trabalho é esse: ajudar, acolher e dar apoio para que as mulheres tenham qualidade de vida”, explicou. 

Atualmente, Jaqueline Suriadakis conta com o apoio de até 17 voluntários que oferecem amparo jurídico, psicológico e social a vítimas de violência doméstica em Manaus. Ela disse que a vontade é ampliar a rede e que busca parcerias para no futuro expandir as ações do Projeto Fênix. 

Sobre o Dia Internacional da Mulher, ela afirmou que as mulheres travam há muito tempo uma luta por direitos iguais, mas que ainda é preciso avançar.

“O machismo atrelado a isso foi uma luta para nós conseguirmos ter vez e voz. Mas hoje as próprias mulheres são machistas muitas vezes. Por ser mulher, você é julgada. Nós mesmas precisamos mudar nossos pensamentos, não apenas os homens. Temos que mudar essa realidade e essa concepção de que a mulher merece ser menos que o homem. Isso está errado porque precisamos ter vez, ter voz e direito a lugares no topo”, declarou.

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Repórter de Cidades
Formada em 2010 pela Uninorte, é pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais pela Faculdade Boas Novas. Repórter de Cidades em A Crítica desde 2018.

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