Sábado, 07 de Dezembro de 2019
PREOCUPAÇÃO

Cheia do rio Negro deve afetar até três mil famílias, em Manaus

Subida das águas preocupa moradores de áreas de risco que estão sendo cadastrados pelo poder público



26/04/2017 às 05:00

Apreensivas,  assim estão  as pessoas que poderão ser afetadas pela cheia do rio Negro  com o ritmo da subida das águas. Ontem, a cota do rio estava em 28,10 metros, 2,98 metros acima da registrada no mesmo período do ano passado, e apenas 86 centímetros abaixo da mesma data de 2012, ano da maior cheia do Negro. Esta semana, técnicos da Defesa Civil do município estão nos bairros Aparecida e Presidente Vargas, ambos na Zona Sul de Manaus, identificando as famílias moradoras das áreas de risco. 

No beco das Flores, em Aparecida, moradores recorrem a restos de madeira para improvisar uma ponte  de acesso à saída do beco. No local, a água está embaixo de várias casas. “Na cheia do ano passado a água mal chegou aqui, mas este ano ela já avançou sobre a maioria e está dificultando a nossa saída de casa. Estamos catando pedaços de pau para colocar para  passarmos. As crianças têm que ser carregadas quando vão para a aula”, contou a costureira Graça Souza da Gama, 57.



Outra preocupação  é com a grande quantidade de lixo concentrada  na área e que podem esconder bichos peçonhentos como cobra. Além disso, a poluição também está aumentando os casos de doença na região. “Meu marido está com muita febre, dor na garganta e no corpo. Minhas sobrinhas também ficaram doentes”, contou a dona de casa Maria Lucidalva da Silva Jorge, 55. Conforme ela, ninguém consegue dormir direito à noite de tão preocupado com a situação. 

Desde o início dos trabalhos da Operação SOS Enchente, no último dia 17, mais de 1,3 mil famílias que deverão ser afetadas pela cheia deste ano foram identificadas pela Defesa Civil de Manaus, em bairros como Betânia, Educandos, na Zona Sul, São Jorge, Santo Antônio, Compensa e Tarumã, na Zona Oeste.  O técnico do órgão Elias Araújo disse que, em 2015, aproximadamente três mil famílias foram cadastradas, mas este ano, a previsão é que sejam pouco mais de duas mil. 

“O Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus) tirou muitas pessoas dessas áreas, por isso devemos ter redução. Atualmente estamos fazendo confirmação de cadastro e cadastrando novos moradores para que, numa eventual calamidade pública, essas pessoas possam receber auxílio aluguel e outros benefícios”, destacou frisando que as equipes também começaram a construir pontes no bairro São Jorge. Os demais serão atendidos conforme a demanda.

Estimativa de 15 bairros afetados

De acordo com a Defesa Civil do município, ao todo 15 bairros de todas as zonas da capital que serão afetados pela cheia. Alguns receberão construções de passarelas, entre eles Tarumã, Mauazinho, São Jorge, Educandos, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Centro, Santo Antônio, Cachoeirinha, Glória, Compensa e Puraquequara, além da zona rural e ribeirinha da capital.

Saúde da população é outro alvo

Além de técnicos da Defesa Civil de Manaus e da Secretaria municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), técnicos da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) também participam do levantamento das famílias que moram em áreas de risco em dois bairros da Zona Sul, ontem. 

Entre os trabalhos desenvolvidos por eles estão orientação sobre o uso do  cartão de vacinação e distribuição de hipoclorito de sódio para as famílias, no intuito de garantir água potável à população durante os meses em que a água do rio esteja contaminando as fontes.

Os técnicos de enfermagem e agentes de saúde também coletam água para fazer análises e os moradores podem ter acesso aos resultados. A costureira Graça Souza da Gama, 57, é uma que quer saber como está a condição da água que é consumida pela família. “Deixei o meu número para eles avisarem”, disse.


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