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Manaus
SEM ORDENAMENTO NA ORLA

Cheia do rio Negro agrava ainda mais 'bagunça' na Manaus Moderna

A falta de estrutura e de fiscalização sobre o trânsito e a “multidão” de ambulantes, transforma o cartão postal em um cenário de caos 24/05/2017 às 05:00
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Mesmo ilegal, comércio de peixe acontece na escadaria da Manaus Moderna. Foto: Clovis Miranda
Silane Souza Manaus

A cheia do rio Negro facilita o embarque e desembarque de cargas e passageiros em barcos regionais que atracam nas balsas do Porto da Manaus Moderna, no Centro, além de proporcionar aos turistas um cenário impressionante. Por outro lado, para quem passa por ali diariamente, a enchente também agrava um problema histórico: a falta de ordenamento da Manaus Moderna que, diante da falta de estrutura e de fiscalização sobre o trânsito e a “multidão” de ambulantes, transforma o cartão postal em um cenário de caos.

Comprar peixes com os canoeiros que ficam ao longo da orla da cidade, por exemplo, é uma atividade vantajosa para muitos, apesar de o pescado não ter nenhuma procedência e ser comercializado em condições precárias de higiene. “O peixe é mais barato do que na feira e é novinho. Eu sempre venho comprar com eles, nunca me arrependi e ainda economizo”, afirmou o mecânico André Ferreira, 35.

Frutas e verduras também são facilmente encontradas no entorno do Porto da Manaus Moderna a um preço mais acessível que os comercializados nas feiras ou no Mercado Municipal Adolpho Lisboa. Mesmo com a Lei nº 123 de 25 de novembro de 2004, proibindo a venda ambulante a 200 metros de feiras e mercados, eles “tiram” clientes de quem trabalha regularmente dentro do Mercadão ou das feiras. “É impressionante como o poder público não faz nada para impedir isso que prejudica quem trabalha regularizado”, reclamou o feirante Antônio José Silva, 45.

Dois lados
Para quem é de fora, os canoeiros vendendo peixe na orla da cidade, os ambulantes comercializando frutas e verduras nas ruas, bem como a grande movimentação de pessoas no Porto da Manaus Moderna e os barcos atracados nas balsas é “fascinante”. “Porque é uma coisa que a gente só vê aqui. É autêntico e original. É exclusivo da cidade”, relatou a comerciante de Porto Alegre Gisele Meyer, 40. Ela e duas colegas vendedoras de Recife - Solange Santana, 49, e Jéssica Lima, 24, - aproveitaram que estão na cidade por conta de um evento internacional de artesanato e decoração para conhecer aquela área do Centro.

A imensidão do rio Negro, assim como as várias espécies de peixes, chamou a atenção de Jéssica. “Nós conhecemos lugares como este com orla porque moramos no litoral, só que este ambiente é totalmente diferente do nosso. Os peixes são diferentes, o movimento de pessoas também. Á água do rio é linda. É um conjunto de situações muito peculiares e como a Gisele falou fascinante e único”, disse.

Gisele disse que tinha ido uma vez e ficou fascinada. “Eu chamei elas para virem comigo para conhecer esse lugar justamente porque não encontramos em outra cidade e isso é que é interessante”, observou.

Só que o que fascina as turistas irrita os motoristas e até clientes das feiras e comércios da região, que precisam conviver diariamente com o caos do trânsito, a desordem dos ambulantes e a falta de higiene. “O turista só vem uma vez e a passeio. Para quem precisa vir aqui pra trabalhar, viajar e fazer compras, é tanto estresse que a gente até esquece a beleza do rio”, reclamou o aposentado Valter Santos.

Maior facilidade para os passageiros
Mesmo com toda a falta de estrutura, o Porto da Manaus Moderna atrai uma multidão de pessoas todos os dias.  Seja em busca de encomendas que vieram de outras cidades ou de passagem para viajar para o interior, a movimentação nas balsas é intensa até nos finais de semana. “Não falta gente por aqui. É pessoa chegando e saindo da cidade, que vem deixar encomenda ou pegar, enfim, de tudo um pouco”, relatou o vendedor Ulisses da Silva, 27.

Para a microempresária Marília Gabriel, 25, viajar no período de cheia é melhor do que na vazante, tendo em vista que o percurso se torna menor. Outra vantagem é que os “recreios” atracam na própria orla da Manaus Moderna, encurtando o trajeto para chegar à rua. “Quando está seco a gente precisa andar muito no meio da lama e ainda subir as escadas para chegar lá em cima. Mas quando está cheio, não: saímos do barco direito na rua”, destacou.

Fiscalização permanente
A Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab) informou que atua na Manaus Moderna com equipe de fiscalização, orientando os ambulantes que se permanecerem no local terão suas mercadorias apreendidas, visto que essa atividade é proibida. Quanto aos canoeiros que atuam na orla, eles foram orientados para não atuarem nesta área com venda de pescados, mas os mesmos voltam depois que a fiscalização vai embora. A pasta pede à população “que não compre esses tipo de pescado, eles não têm qualquer tipo de cuidado para o consumidor”, diz em nota.

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