Terça-feira, 18 de Maio de 2021
RIO NEGRO

Cheia do Rio Negro preocupa moradores do Centro que pedem nova ponte no local

Moradores do beco José Casemiro necessitam de uma nova ponte de madeira para poder trafegar com segurança no local. Aumento do nível da água também traz sujeira, bichos e riscos à saúde



597d278f-41f1-4c8f-bc8a-0d2d6e6cda61_5046E226-7A14-4CDE-8FD2-F65CE604D96D.jpg Lucidalva Souza da Silva, de 66 anos, há 30 vê o mesmo problema se repetir todos os anos. Foto: Junio Matos
09/04/2021 às 09:00

A tradicional cheia do Rio Negro é anual e nunca deixa fazer uma ‘visita indigesta’ aos moradores do Centro de Manaus e adjacências. Com o ritmo da subida das águas, os moradores do beco José Casemiro pedem a construção de uma nova ponte para que possam caminhar com mais segurança. A localidade alaga todos os anos por conta da cheia do Rio Negro que deve, conforme o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), ultrapassar a cota de 29 metros.

Nesta sexta-feira (9), o nível do Rio Negro chegou a 27,75 metros. “Essa ponte foi feita, em 2012, na grande cheia e ela não aguenta mais. A gente faz o possível e o impossível para que ela continue firme. Quem arruma a ponte sou eu e mais uma meia dúzia de pessoas. A gente não aguenta mais só arrumando ali, remendando aqui, nós queremos uma ponte nova e a gente pede encarecidamente também para que nos tirem daqui”, reforçou o vendedor Paulo Augusto, de 62 anos.




Paulo Augusto relata que esforços manuais dos próprios moradores já não garantem segurança da ponte de madeira. Foto: Junio Matos

A aposentada Lucidalva Souza da Silva, 66, é moradora há 30 anos da área e revela a problemática vivida todos os anos em decorrência da subida das águas. Ela conta que mora, ao menos, 300 famílias na localidade. “Quando o rio sobe não tem jeito. Nós temos que apelar para a casa dos parentes e amigos porque não tem condições de ficar aqui. A nossa expectativa é de que a água suba esse ano de novo e a cheia seja pior. A ponte tem que ser endireitada, tem que fazer uma nova e não em cima da que já tem”.


Foto: Gilson Mello

A agricultora familiar Cleonice da Silva, 62, mora com mais de dez pessoas em uma casa de madeira no beco José Casemiro. Nos fundos da residência, ela abriga animais como cães, gatos e galinha e ainda suas plantações. “Já começamos a fazer as marombas que é para água não chegar nos nossos animais. Quem sofre com a cheia são os animais e as crianças. Isso aqui (a ponte) é um perigo do jeito que está. Já pensou se alguma criança ou um idoso cai nessa água?. Vai morrer!”.

Segundo o primeiro alerta de cheia emitido pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), no dia 31 de março, há uma probabilidade de ser registrada em 2021, uma das cinco maiores cheias da capital, ultrapassando a cota de 29 metros do nível do rio Negro. E por conta disso, a Prefeitura de Manaus afirma que 15 bairros e cinco mil famílias já estão sendo monitoradas para receberem as ações do Executivo Municipal.

A Defesa Civil de Manaus informou que há um cronograma de construção de pontes e passarelas, e, o local referido na matéria está entre os cinco primeiros pontos a serem atendidos. Atualmente, o órgão está no bairro Mauazinho, zona Leste, com as ações para a cheia de 2021. Conforme a pasta, um comitê de pronta-resposta foi criado pelo Prefeito David Almeida, para que as famílias sejam atendidas por todas as secretarias em seus âmbitos. Assim, amparando cada morador para diminuir os impactos causados pelos desastres naturais.

Já a respeito da retirada das famílias de áreas de risco como do beco José Casemiro, no Centro de Manaus, a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) informou que a área do igarapé São Vicente foi incluída na fase de estudos para concepção da terceira fase do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), mas não foi contemplada por projetos de requalificação urbanística.

A UGPE ressaltou, em nota, que os moradores cadastrados na área mencionada foram inscritos para atendimento da política habitacional do estado.

 BAIRROS ATINGIDOS

De acordo com o levantamento realizado pela Prefeitura de Manaus, na região urbana os bairros atingidos pela cheia de 2021 devem ser: Tarumã; Mauazinho; São Jorge; Educandos; Raiz; Betânia; Presidente Vargas; Colônia Antônio Aleixo; Aparecida; Centro; Santo Antônio; Cachoeirinha; Glória; Compensa e Puraquequara.


Medidor vê nível do Rio Negro subir a cada dia. Foto: Gilson Mello

Na região rural ribeirinha, a Defesa Civil vai monitorar as comunidades Nova Canaã do Aruau; São Francisco do Aruau; Lindo Amanhecer; São Sebastião do Cuieiras; São Francisco do Chita; Bela Vista do Jaraqui; Nova Jerusalém do Minpidiau; São Sebastião do Tarumã-Mirim; Agrovilla; Cueiras do Tarumã-Açu; Nova Esperança do Apuau; Santa Isabel do Apuau; Nova Aliança do Apuau; União e Progresso; São Francisco do Tabocal; São Raimundo e o assentamento Nazaré.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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