Segunda-feira, 03 de Agosto de 2020
PRODUÇÃO AGRÍCOLA

Cheia dos rios do AM causa prejuízo de R$ 60 milhões a produtores

Subida das águas provoca perdas de plantações do interior, que reflete na falta de produtos na capital



banana_4F5696EF-8CE2-4130-BFC1-DB5C751F0A1D.JPG Plantação de banana atingida pelas águas no município de Manicoré. Foto: Márcio Silva
21/06/2019 às 09:48

A cheia dos rios da região provocou, até agora, R$ 60,6 milhões em prejuízos para os produtores agrícolas do Amazonas. A estimativa é do Departamento de Operações Técnicas do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal (Doper/Idam). Conforme o levantamento, a banana é a cultura mais afetada, com perdas de produção que resultam em mais da metade desse montante (R$ 33,4 milhões). Em seguida vem a macaxeira, com perda de R$ 12,3 milhões, e a mandioca (farinha) R$ 8,2 milhões.

Quinze municípios, 13 deles em Situação de Emergência, registram perdas, sendo que Borba, Novo Aripuanã e Manicoré, na calha do rio Madeira, são os que tiveram maior prejuízo (R$ 22,6 milhões, R$ 18,6 milhões e R$ 8,3 milhões, respectivamente). Também registraram perdas expressivas os municípios de Pauini, na calha do Purus, com perda de R$ 5,9 milhões; Humaitá, na calha do Madeira, com R$ 2,4 milhões; e Ipixuna, na calha do Juruá, com R$ 2,1 milhões.



A subida das águas no interior já começou a afetar a mesa do manauara, que é o principal mercado consumidor dos produtos regionais.  Frutas e legumes como jerimum, alface, mamão, cheiro verde, pimenta de cheiro, pimentão, alface e macaxeira estão mais escassos nas feiras. Os preços também estão ligeiramente mais “salgados”. A situação é relatada pelos próprios feirantes, que já estão com poucos produtos em suas bancadas.

O feirante Deuticilan Barreto, 50, que trabalha há 25 anos na Feira da Manaus Moderna, no Centro da capital, diz que nessa época do ano a mercadoria chega em pouca quantidade. “A maioria dos produtos estão escassos mesmo, a produção caiu em 80%”, estima ele. “E isso nos afeta. Na minha bancada quase não há mamão”, relata.

Raimundo Marques da Silva, 50, afirma esse também é o momento em que os produtos costumam ficar mais caros. “O pepino está R$ 5 o quilo. O quiabo está R$ 6 e o pimentão está R$10. Tem faltado, está caro, mas a venda está muito boa. Aqui não sobra nada”, conta o feirante.

“Deu uma diminuída nos produtos e o preço também deu uma elevada. O alface, por exemplo,  está na faixa de R$ 5, fora outras verduras que demos uma encarecida”, diz Sydnei de Souza, 35, que vende alface, couve, cebolinha e jambu vindos de Itacoatiara e Iranduba.

José Irimar Martins, 57, que trabalha há 36 anos no Mercado Municipal Walter Rayol, bairro Cachoeirinha, e compra seus produtos diretamente da Manaus Moderna, afirma que não há mais cheiro-verde em sua bancada. “A mercadoria subiu. No caso do tomate, o quilo sai R$ 9 e a cebola também. O ‘macinho’ de cheiro-verde é R$ 10 e está faltando produtos como alface, maxixe e o próprio cheiro-verde, além da pimenta de cheiro”, afirma.

Alternativas nutricionais

Apesar da escassez de alguns alimentos, a nutricionista Izabela Moura afirma que a melhor opção para os consumidores é investir nos que estão na época de safra.  “Até podemos substituir, mas também precisamos pensar em alimentos que não são tão caros. O que a gente encontra muito fácil é o tucumã, por exemplo, que é um alimento que possui uma gordura saudável e tem muitos nutrientes, ele traz o mesmo benefício que o mamão e o jerimum. Por exemplo, a macaxeira, a gente consegue achar fácil, o cará ou a batata doce”.

Tendência é estabilizar, diz CPRM

Até quarta-feira, a cota do rio Negro na capital, segundo a medição do Porto de Manaus, chegou aos 29,40 metros, sete centímetros do nível máximo estimado para este ano e 40 acima da chamada “cota de emergência”.

Conforme o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o rio Negro deve se estabilizar nesta semana. “A tendência é estabilizar nessa semana, para começar a descer nos próximos dias”, assegurou a gerente de hidrologia do CPRM, Jussara Cury.

Quinze bairros estão na lista da Defesa Civil entre os mais afetados pela subida das águas do rio Negro e dos grandes igarapés. São eles: Centro, Tarumã, Mauazinho, São Jorge, Educandos, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Santo Antônio, Cachoeirinha, Glória, Compensa, Puraquequara, além de localidades na Zona Rural e ribeirinha.

No início desta semana, a prefeitura começou a entregar as vias de liberação de pagamento da primeira parcela do Auxílio Aluguel, no valor de R$ 300, às famílias afetadas pela enchente.

Há cerca de duas semanas, quando a cidade entrou oficialmente  em situação de emergência, ruas da orla do  Centro começaram a ser interditadas. A primeira  foi a rua dos Barés. Na semana passada, foi a vez da Barão de São Domingos.

Outras vias no entorno da Manaus Moderna, como a rua Lourenço da Silva Braga, Pedro Botelho, e Travessa Tabelião Lessa, predispostas ao alagamento por conta das subida das águas do Negro, estão sendo monitoradas pela Gestão de Trânsito do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU). Para o secretário-executivo da Defesa Civil de Manaus, Cláudio Belém, não há como evitar o alagamento nessas localidades por conta do sistema de drenagem existente naquelas ruas.

Começo da vazante

De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, a cheia dos rios neste ano já afetou 400 mil pessoas em 46 municípios do Estado, sendo que 31 declararam situação de emergência. Em alguns deles,  as águas começaram a baixar e em outras, não.

“O rio Solimões já está em recessão em Tabatinga, começou a parar em Coari e Manacapuru está subindo 1 cm. Em Beruri, que pega Purus e Solimões, também está parado. O Alto Rio Negro, em São Gabriel e Santa Isabel, as águas ainda estão subindo, muito próximo das máximas do período”, explicou Jussara Cury, do CPRM.

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