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Ciclovia da Boulevard apresenta sinais de abandono e necessidade de reforma

Menos de seis meses após ser inaugurada em meio a polêmica, única ciclovia tem pontos sem tinta e com laterais quebradas. Foram gastos R$ 440 mil na obra 11/09/2015 às 09:23
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Logo no início, no cruzamento com a Duque de Caxias, o movimento dos carros quebrou parte do acesso à pista dela
Isabelle Valois Manaus

A ciclovia Boulevard Álvaro Maia tem seis meses de inaugurada, mas já apresenta sinais de abandono e necessidade de reforma. Boa parte da pista está sem a tinta vermelha e trechos dela estão quebrados e trazendo riscos aos ciclistas. Foram em média de R$ 440 mil gasto para a criação deste trecho da ciclovia que tem dois quilômetros e trezentos metros.

Assim como acontece em todas as cidades do País, a ciclovia do boulevard tem gerado polêmicas e discussões sobre políticas públicas e debates sociais. Nos últimos cinco anos, com o aumento de usuários da bicicleta, grupos de modais e adeptos ao veículo, tem colocado o assunto de mobilidade urbana mais em foco, e as cobranças de melhoria para o uso com segurança do modal são mais intensos.

Entre essas cobranças está a criação de vias exclusivas para ciclistas. A ideia inicial da prefeitura era a implantação de uma pisa que iria do boulevard até a praia da Ponta Negra, Zona Oeste. A obra estava orçada em R$ 18 milhões para a construção de 14,6 quilômetros. Porém os dois quilômetros entregues geraram reclamações tanto dos adeptos da utilização da bicicleta como também dos que utilizavam a calçada do canteiro central boulevard - onde foi implantado a ciclovia - para a prática de exercícios físicos, como caminhada e corrida.

O advogado, Leonardo Aragão, 27, usuário da bicicleta como veículo há três anos, diariamente em sua rota de casa para o trabalho precisa passar pelo boulevard, mas só utiliza a ciclovia quando o trânsito está pesado. “É meio impossível utilizar a ciclovia, pois além de problemas sérios na estrutura, os motoristas infelizmente não respeitam a sinalização de atenção à utilização do modal. A qualquer horário podemos verificar motoristas realizando retorno irregular, como também já presenciei até motociclistas em cima da faixa”, contou.

Quando retorna pra casa, Leonardo realiza o trajeto contrário. Ele contou que a situação é pior, pois no final da tarde e início da noite, como sempre houve a cultura de as pessoas praticarem atividades físicas no boulevard, a ciclovia é utilizada pelos pedestres. “Pode ocorrer um acidente sério, então de qualquer forma, prefiro evitar a ciclovia, e utilizar a via como os demais ciclistas”, disse o advogado.

Seminf fará uma fiscalização

Sobre o material utilizado na pintura da faixa vermelha da ciclovia do boulevar Álvaro Maia, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que o material condiz com as normas técnicas que regulamentam a sinalização de ciclovias e ciclofaixas em todo o Brasil. Sobre a manutenção, a Seminf informou que levantará os pontos que apresentam necessidade de reparos e, com o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), comunicará a empresa responsável pela obra para executar os devidos ajustes.

Após a inauguração da ciclovia, um grupo realizou uma rota em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Como choveu, ciclistas se acidentaram e consideraram que a tinta não era apropriada, pois ficou escorregadia.

Análise: Keyce Jhones, cicloativista estudante de arquitetura e urbanismo

‘Outras técnicas’ “Deveriam utilizar tintas de alta resistência para evitar o desgaste. Em são Paulo (SP) utilizam a técnica de pigmentar com material ‘aquecido’ sobre o asfalto nas ciclofaixas para ter maior aderência à superfície. Outra técnica muito mais adequada, não usando a pintura direta, é a pigmentação do concreto antes de realizarem o acabamento do concreto liso do piso. E se faz uma camada de concreto pigmentado (vermelho), o mesmo que foi utilizado na ciclovia da avenida Paulista, por isso houve uma polêmica. Indicaria a técnica de pigmentação do concreto para ter maior durabilidade, mas é preciso deixar a superfície rugosa, ou seja, não pode ser lisa, se não deixa a pista lisa e escorregadia em período chuvoso. Acidentes como aconteceram com alguns dos nossos amigos que pedalavam por lá e acabaram caindo. É tudo questão de técnica e orientação. Outra técnica bem barata e eficaz também é a utilização de blocos de concreto na pavimentação, os chamados ‘paver’, muito usado em pátios e calçadas. São os mesmo, por exemplo, usados no largo de São Sebastião, mas existem os de cor vermelha, que ficam adequados, e são altamente resistentes, rugosos e não perdem a tinta”.

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