Domingo, 16 de Junho de 2019
Manaus

Ciclovias e ciclofaixas ‘esbarram’ em obstáculos, falta de sinalização e manutenção em Manaus

Nas duas vias exclusivas para bicicleta em Manaus, os praticantes de bike enfrentam buracos, sinalização deficiente e desrespeito às leis de trânsito



1.gif A falta de educação de pedestres e motoristas, que atiram lixo no meio da rua, também exige atenção de quem vai de bike
12/05/2015 às 10:00

A falta de sinalização adequada e de manutenção, bem como de campanhas de incentivo e orientação, e até de conectividade com outras áreas da cidade reservadas aos ciclistas são os principais obstáculos no caminho dos adeptos dos pedais na ciclovia Boulevard Álvaro Maia, na Zona Centro-Sul, e na ciclofaixa da avenida Nathan Xavier Albuquerque, Zona Norte.

Buracos, sinalização deficiente, desrespeito às leis de trânsito por parte de condutores de veículos e o risco de acidentes têm prejudicado os avanços que tais obras poderiam refletir na mobilidade urbana da capital. Diante dos problemas, projetos que custaram milhões com a promessa de melhorar o trânsito podem acabar inutilizados, alertam ciclistas que apontam a falta de manutenção e o risco de acidentes como os maiores ‘vilões’ dos ciclistas.

Um dos exemplos é a ciclofaixa da avenida Nathan Xavier de Albuquerque que, desde a conclusão, em 2012, nunca passou por manutenção. O resultado são buracos que ocupam a ciclofaixa e obrigam os ciclistas a dividir espaço com a faixa dedicada aos veículos. Além disso,  os ciclistas que a utilizam estão sujeitos à falta de sinalização adequada ao longo do percurso.

O engenheiro mecatrônico Nayguel Nogueira Leão, 31, que sempre utiliza  a ciclofaixa em treinos de pedais com um grupo de ciclistas, contou que ao longo de boa parte da ciclofaixa o grupo é obrigado a seguir pela pista de rolagem de carros. “Além de todos os problemas que precisamos enfrentar por sermos ciclistas, a falta de manutenção tem colaborado para a insegurança, pois além dos buracos na pista, os acostamentos são cheios de lixo e cacos de vidro, por isso utilizamos parte da pista da rolagem dos carros”, detalhou.

Estratégias

Mesmo com os problemas encarados pelos ciclistas que utilizam a ciclofaixa, Nayguel disse que se preocupa em perder um dos poucos lugares destinado ao ciclista. “Lutamos por um espaço na cidade, mas infelizmente, quando somos ouvidos, recebemos projetos bons, porém executados de forma errada. Como cidadão, me entristece ver que o dinheiro público não é utilizado da maneira adequada”, disse. 

Para o coordenador do movimento Pedala Manaus, Paulo Aguiar, a iniciativa é positiva, mas os dois projetos foram implantados em vias adjacentes de fluxo intenso. 

O Manaustrans informou, por meio de sua assessoria, que tem até o mês de junho para realizar a revitalização da avenida Nathan Xavier de Albuquerque.

Em números

São 3,2 quilômetros de ida e de volta da avenida Nathan Xavier Albuquerque destinados à ciclofaixa, que reserva mais de 6 quilômetros para o ciclista. A etapa viária liga o Parque Linear 2, que vai da rua João Câmara até a avenida Grande Circular, nas proximidades do igarapé do Mindu e  av. das Torres.

Keyce Jhones, pesquisador em urbanismo:

“A ciclofaixa  da avenida Nathan Xavier não conecta com outras vias, tornando o local um pouco isolado. O planejamento realizado inicialmente não previu o funcionamento dela ao longo dos anos, na verdade nenhuma sinalização ou infraestrutura se mantém sozinha se não houver manutenção ou conectividade com outros pontos, como é o caso dessa avenida desde sua implantação. Particularmente, esta via deveria contemplar uma ciclovia, não uma ciclofaixa, pois como foi projetada para receber um grande fluxo de veículos, acaba inibindo a circulação de ciclistas, por conta do risco de acidentes, uma vez que ainda não temos a cultura do respeito e compartilhamento de vias”.


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