Sábado, 14 de Dezembro de 2019
Manaus

Cidade das Luzes: cenário de destruição, saque e abandono de animais na área desocupada

No primeiro dia útil após a desocupação da invasão, cenário no local é de guerra



1.jpg Restos de barracos, móveis e telhados estão espalhados pelos 60 hectares da invasão Cidade das Luzes, que foi desocupada na sexta-feira em cumprimento de mandado expedido pela Vara de Meio Ambiente e Questões Agrárias
14/12/2015 às 19:48

Após a conclusão da desocupação dos 61 mil metros quadrados da Área de Proteção Ambiental (APA) onde foi criada a invasão “Cidade das Luzes”, no bairro Tarumã, Zona Oeste, o cenário agora é de final de guerra, destruição e até mesmo de saques.

Por quase três anos a Cidade das Luzes foi a moradia de centenas de famílias. Com a conclusão de desocupação, desde o último domingo, muitos catadores de ferro velho estão na área para aproveitar o que há de bom entre os entulhos a serem vendidos.



Mas, entre o garimpo existe pessoas de outros bairros e comunidades retirando o que há de bom para vender ou aproveitar na casa, entre esses casos estava na manhã de segunda-feira (14),o mototaxista, Domingos Alves da Cruz, 59, que quando soube que a reocupação havia sido concluída, aproveitou a manhã da segunda-feira para buscar telhas novas para serem trocadas em casa ou vendidas.

A esperança dos invasores ainda não acabou e, por isso, ficam perambulando pela área em busca de algo de valor

Domingos é morador do Parque São Pedro, Zona Oeste, mas amanheceu na área onde existia a invasão. “Como muita gente não volta para buscar o que sobrou e não tenho conseguido um dinheiro bom para comprar novas telhas pra casa, decidi passar aqui e retirar um bom material. Pelo menos da para quebrar um galho da situação em que está, ainda mais agora que vai chegar o período de chuva”, comentou.

Assim como Domingos, André Pereira, 43, também estava no terreno em busca de material que pudesse ser reaproveitado para vender ou arrumar algo na casa. Os catadores utilizam os próprios veículos para carregar os entulhos, quem não tem carro, aluga em grupo o caminhão que servirá para realizar o translado do material arrecadado. “Aqui encontramos de tudo, a sensação é que parece que as famílias foram pegas de surpresa ou realmente muito material não iria fazer falta. Até material de construção ainda não utilizado foram deixados para trás”, disse.

A desocupação da área foi originariamente pedida pelo município, após constatar vários crimes ambientais originados por causa da invasão. A ordem começou a ser cumprida na última sexta-feira (11) e concluída no sábado (12).

Moradias em galpões da região

Alguns dos ocupantes estão morando em galpões próximos da área onde era a invasão. No caso do galpão da Anaconda, há mais de 50 famílias alojadas no local por período indeterminado.

De acordo com a dona de casa, Nete dos Santos, 38, as famílias estão se organizando para passarem a véspera do natal em frente a sede da prefeitura de Manaus, e na sede do Governo do Estado.

“Se não conseguirmos chamar atenção dos governantes, vamos nos direcionar para casa tanto do Arthur Neto como também do Melo, pois enquanto eles vão festejar, nós não temos nem moradia e por causa da prefeitura que fomos expulsos e o governo nem apresenta soluções para o nosso descaso”, disse.

Os invasores reclamam da falta de assistência básica. “Prometeram que iriam nos ajudar, mas estamos completamente esquecidos. Há idosos e muita criança entre nós, não podemos ser tratados dessa forma, precisamos ser assistidos”, completou a invasora.

Animais

Entre os entulhos e resto de barracos é possível encontrar muitos animais abandonados. São cachorros e gatos que procuram os donos. O principal problema é não haver nem água e muito menos comida para eles. Até o fechamento desta edição a Secretaria Municipal de Saúde responsável pelo Centro de Controle de Zoonoses não havia se pronunciado sobre o trabalho que deve ser feito no local.


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