Domingo, 19 de Maio de 2019
Manaus

Cientistas fazem novo protesto na sede do Governo exigindo pagamento de bolsas da Fapeam

Bolsistas de mestrado, doutorado e de iniciação científica relatam atrasos de até 4 meses nas bolsas. Eles tentam se reunir com chefe da Casa Civil e presidente da Fapeam



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Cientistas protestam contra atraso no pagamento de bolsas da Fapeam
07/01/2016 às 14:30

Um grupo de cientistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam) fez um novo protesto na sede do Governo do Estado, em Manaus, na manhã desta quinta-feira (7), exigindo o pagamento de bolsas que estão atrasadas em até quatro meses.

Quarenta e cinco pessoas se reuniram em frente ao órgão, na avenida Brasil, na Zona Oeste da cidade, carregando cartazes e faixas contra o que eles chamam de “precarização da ciência e da tecnologia”. Os manifestantes conseguiram entrar na sede do Governo e esperavam para se reunir com o chefe da Casa Civil, Raul Zaidan, e o presidente da Fapeam, Rene Levy Aguiar.

Segundo o pesquisador doutorando Antônio Pereira de Oliveira, cerca de seis mil bolsistas da Fapeam – entre doutorandos, mestrandos e de iniciação científica – estão sendo prejudicados com o pagamento irregular das bolsas. “Trazemos um documento onde apresentamos nossas reivindicações”, declarou.


Manifestantes no saguão da sede do Governo. Divulgação

Os pesquisadores de iniciação científica seriam os mais prejudicados, com atraso de quatro meses no pagamento das bolsas, desde o mês de agosto. Já os bolsistas de doutorado e mestrado estão recebendo sempre com um mês de atraso. “A sistemática era pagar no final do mês. Aí começaram atrasar 15 dias e agora um mês. O mês de novembro foi pago no final do mês de dezembro, e dezembro ainda não foi pago”, disse o pesquisador Antônio.

Segundo os manifestantes, vários cientistas com bolsas atrasadas desenvolvem pesquisas em cidades fora do Amazonas, e com o dinheiro das bolsas pagam aluguel de residência, energia elétrica, água e outros. Entretanto, devido à irregularidade nos pagamentos eles não conseguem quitar suas dívidas e ficam sujeitos a juros.

“Essas pessoas têm compromissos a cumprir. Imagina uma pessoa que faz pesquisa ter que lidar com essas questões”, disse Antônio. “O governo não está cumprindo o contrato. Para fazer pesquisa você assina um contrato e tem deveres a cumprir: manda frequências, envia relatórios mensais. Mas a Fapeam não está honrando com o compromisso dela”.


Grupo se reuniu primeiro em frente ao órgão. Divulgação

Contra cortes no orçamento

A presidente da União Estadual dos Estudantes, Bruna Brelaz, repudiou a atitude do Governo do Estado. “Existem bolsistas que estão sem receber desde agosto e passaram seu Natal e Ano Novo sem ter o que comer, pois depedem integralmente dessas bolsas. Além disso, reivindicamos o não fechamento da Secretaria de Ciência e Tecnologia e por mais verbas nessa área”.

Programa Ciência na Escola

Os manifestantes também reivindicavam contra a suspensão do programa Ciência na Escola, realizado nas escolas do Amazonas por meio de uma parceria entre a Fapeam e Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Conforme os cientistas, os recursos do programa foram suspensos e existe a possibilidade dele ser extinto.

Resposta

A Fapeam informou, por meio de nota, que “a demora nos pagamentos das bolsas de estudo ocorreram de forma pontual diante do cenário econômico desfavorável pelo qual passa o país”.

Sobre as bolsas de iniciação científica no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC), a Fapeam respondeu que “houve um atraso no envio da documentação por parte das instituições de ensino e/ou pesquisa”, e que isso “acarretou na implementação das bolsas um mês após o envio da documentação completa. O fato foi comunicado às instituições e a Fapeam pagará o valor retroativo este ano”

De acordo com a Fapeam, em 2015 foram implementadas 529 bolsas de estudo a estudantes de pós-graduação, número que, segundo o órgão, representa um aumento de 7,01% em relação a 2014. No âmbito dos cursos de mestrado e doutorado, o aumento foi, respectivamente, de 69% e 35%.

A Fapeam declarou, ainda, que o edital referente ao Programa Ciência na Escola (PCE), iniciativa de vanguarda do Governo do Estado, foi encerrado dentro do tradicional prazo de vigência de seis meses e um novo edital deve ser lançado em 2016.


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