Sábado, 26 de Setembro de 2020
AMEAÇADOS

Cinco detentos do Compaj estão em lista de 'marcados para morrer', diz advogado

Seap diz que recebeu informações sobre sete ameaçados, sendo cinco no Compaj e dois no Ipat, e afirma estar acompanhando a situação



COMPAJ.JPG Compaj foi palco da segunda maior matança da história do sistema prisional brasileiro (Foto: AC)
08/04/2017 às 16:56

Pelo menos cinco detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde 56 detentos foram assassinados em janeiro deste ano, estão sob risco iminente de morrer.

A afirmação é de um advogado criminalista, que não quis se identificar e diz ter tido acesso a uma lista dos 'marcados para morrer'.  A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) diz estar acompanhando a situação.



Segundo o advogado, a situação está complicada desde a rebelião de janeiro, o que deixa familiares dos detentos apreensivos.  Ele diz que não conseguiu fazer contato direto com a Seap para alertar o Estado sobre a situação.

"As famílias desses presos estão em desespero, pois eles estão sendo ameaçados de morte. O sistema prisional não faz nenhuma triagem e por causa disso, desde janeiro tem rolado essa onda de mortes dentro dos presídios. É possível que esses cinco detentos sejam mortos a qualquer momento. Nossa finalidade é evitar a continuação desse tipo de crueldade dentro dos presídios. Mas, como se trata de um final de semana, não consigo fazer a entrega da petição para a Seap, pois a secretaria não funciona em regime de plantão”, afirmou o advogado.

De acordo com ele, a situação dentro dos presídios tem se agravado após a facção Família do Norte (FDN) ter se dividido em dois grupos.  A motivação dessa separação veio logo após a morte de quatro detentos ocorrida no início do ano na Cadeia Pública Vidal Pessoa. Este racha, inclusive, é apontado como o principal motivo para as seis execuções registradas nesta sexta-feira, na Unidade Prisional do Puraquequara.

 “Quando a Seap deu início a transferência  de presos não fez nenhum peneira, misturou as facções. A possibilidade de termos mais mortes é bem grande  Essa separação da FDN em dois grupos também tem colaborado com o atrito no sistema ”, disse.

Os presos que segundo o advogado correm riscos são Alessandro de Souza Reis, Jaitt José Ribeiro de Queiroz, Josiney da Silva Nascimento , Romano Ferreira Alves e Ronildo Freitas da Costa. Destes, a reportagem conseguiu identificar que Josiney responde por tráfico e associação para o tráfico, enquanto Romano e Ronildo foram presos por homicídios.

Em nota, a Seap infromou que advogado entrou em contato com a Ouvidoria do Sistema Penitenciário, que atendeu a solicitação e recolheu o nome de cinco internos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e dois internos do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). A situação, segundo a Seap, está sendo acompanhada e conduzida pela Ouvidoria em parceria com a Corregedoria do Sistema Penitenciário, que também foi procurada pelo advogado.


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