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Cinco réus serão ouvidos nesta terça-feira (9) no processo que apura a morte de delegado

Além dos réus no caso da execução do delegado Oscar Cardoso, morto com mais de 20 tiros, testemunhas de acusação e  de defesa também serão ouvidas em audiência de instrução processual no Tribunal do Júri 08/12/2014 às 20:24
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O delegado havisa sido preso em 2013, após se envolver em um esquema de extorsão e tráfico de drogas
Joana Queiroz Manaus (AM)

Começa nesta terça-feira (9) a audiência  de instrução processual do homicídio do delegado de Polícia Civil Oscar Cardoso Filho, ocorrido no dia 9 de março. Os cinco réus serão ouvidos pela primeira vez em juízo, além de 11 testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público Estadual (MPE) e testemunhas de defesa. A mesma será conduzida pelo juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri Anésio Pinheiro. No sábado um dos suspeitos o empresário do ramo de veículos Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga” disse que teme por sua segurança.

Mário Tabatinga está preso desde março deste ano em uma das celas da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e disse que está tomando remédio controlado.

Segundo o titular da DEHS Paulo Martins, que foi por meio do depoimento de Mário Tabatinga que a polícia conseguiu  identificar a maioria dos envolvidos na morte do delegado.

Encontro

As investigações revelaram que, um dia antes do crime, João Branco e Mário Tabatinga tiveram um encontro, regado a uísque, na área do regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde o traficante cumpria pena. Na ocasião, o plano para matar o delegado foi exposto e acertado que Messias, Diego e Marcos Pará pegariam, em um sítio na área do Tarumã, o Siena branco fornecido por Mário Tabatinga para ser usado no crime.

O Siena placa OAB-7782 estava registrado no Detran-AM em nome de H. Brandão, empresa da mãe do então Comandante de Policiamento do Interior (CPI) da Polícia Militar, coronel Marcos Brandão. Mas, segundo as investigações, o veículo estava no pátio da locadora

Aberta ou fechada

O juiz Anésio Pinheiro não revelou se a audiência processual será aberta. O processo da morte de Oscar Cardoso ainda está sob sigilo de Justiça. Pela ordem, serão ouvidas as testemunhas de acusação, em seguida as defesa e, por último, os réus que, segundo a investigação policial, são Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, Messias Maia Sodré, Diego Bruno de Souza Moldes e “Mário Tabatinga”. De acordo com as investigações, o suposto mandante do crime o traficante de drogas João Pinto Carioca, o “João Branco”, continua foragido.

Além destes, outros três criminosos, identificados como Adriano Freire Corrêa, o “Maresia”, Marcos Sampaio de Oliveira, 34, o “Marcos Osso” ou “Marcos Eletricista” e Alessandro Barbosa Fonseca, 38, o “Alê”, também foram apontados pela polícia como participantes diretos na execução do delegado Oscar, mas foram mortos antes de serem presos pela polícia.

O promotor de Justiça da 2ª Vara do Tribunal do Júri Ednaldo Medeiros disse que vai solicitar a extinção da punibilidade deles.

Crime foi motivado por vingança

Conforme a denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE), o crime foi motivado pelo torpe sentimento de vingança, visto que João Branco entendia que um grupo de policiais presos na operação Tribunal de Rua teria sequestrado, extorquido e estuprado a sua mulher, Sheila Faustino Peres, fato ocorrido em 2013.

O promotor de Justiça da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Ednaldo Medeiros, atribuiu outros qualificadores ao crime de homicídio praticado pelo bando: motivo fútil, vingança e promessa de recompensa, dificuldade de defesa da vítima e motivo cruel, além de associação para o crime.

Consta nos autos que João Branco, Marcos Pará e Messias fizeram a vítima ficar de joelhos antes de atirar. Quando o delegado estava no chão, um dos criminosos aproximou-se dele, dizendo: “Eu não avisei? Eu não te falei?”, e disparou dois tiros no rosto da vítima.

Execução

O delegado Oscar Cardoso foi executado com mais de 20 tiros, dia 9 de março e foi presenciado por várias pessoas. Durante as investigações, a polícia descobriu que as balas que mataram o delegado eram de lotes adquiridos pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) e encaminhados para o Instituto de Ensino de Segurança Publico (IESP).

Doze volumes, mais de 2,5 mil páginas e ao menos cinco indiciados. Essa é a composição do processo da morte de Oscar Cardoso. Todo o conteúdo foi analisado pelo promotor de justiça da 2ª Vara do Tribunal do Júri Ednaldo Medeiros.


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