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Circulação de bicicletas na faixa azul da Constantino preocupa

Mesmo sem regras, sinalização e segurança, ciclistas se arriscam dividindo espaço com veículos no corredor exclusivo 17/06/2015 às 22:49
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Ao contrário da avenida Mário Ypiranga Monteiro, onde a faixa exclusiva dos ônibus fica do lado direito da via, na Constantino Nery a ‘faixa azul’ fica junto ao canteiro central, aumentando os riscos para ciclistas que divivem espaço com os veículos
Isabelle Valois Manaus (AM)

Desde que a avenida Constantino Nery, Zona Centro-Sul, passou a receber a faixa exclusiva para ônibus - popularmente conhecida como “faixa azul” - o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização no Trânsito (Manaustrans) vem tentando disciplinar os condutores sobre o uso compartilhado da via. Com exceção dos ônibus do Bus Rapid System (BRS), táxis, ambulâncias, viaturas policiais e do Corpo de Bombeiros, nenhum outro veículo pode utilizar a faixa azul.

Mas, na prática, a faixa é compartilhada por bem mais gente, dos motoristas infratores que insistem em “furar” a regra e invadir a faixa a um outro grupo que, apesar de ter o direito de usar a mesma via, ainda não se sente seguro para dividir espaço com os outros veículos: os ciclistas.

Foto: Evandro Seixas

Para um dos coordenadores do movimento Pedala Manaus, Paulo Aguiar, apesar de ser uma alternativa, o trânsito de ciclistas na faixa azul ainda é perigoso, primeiro pela característica do corredor, que é troncal e de alta velocidade, e, segundo, pela falta de cultura, educação e respeito no trânsito. No caso da Constantino Nery, o risco é ainda maior, uma vez que a faixa exclusiva fica do lado esquerdo da via, e não do lado direito.

“Para que houvesse o compartilhamento do corredor, a via deveria ser acalmada, com velocidades máximas de 30 ou 40km/h. Além disso, seria necessária uma campanha educativa maciça de esclarecimento sobre o uso do corredor, além de sinalização vertical e horizontal ao longo da via e fiscalização. A regularidade e o número de ônibus também deveriam ser maiores. O ciclista também deveria ser orientado, neste caso, a transitar próximo à faixa ou à guia, e não no meio da pista”, sugeriu Aguiar.

Para ele, o corredor de ônibus permitirá uma maior segurança para o ciclista, desde que observadas determinadas regras de compartilhamento e segurança. O corredor permite também que a bicicleta não dispute espaço com carros, o que poderia garantir uma maior segurança para o ciclista que utiliza a faixa azul.

(Falta de) opção

O engenheiro mecatrônico Nayguel Nogueira Leão, 31, é um deles. Sempre que passa pelas vias onde há faixa azul, ele não pensa duas vezes e resolve pedalar na faixa exclusiva porque, apesar de grandes, os ônibus assustam menos que os demais veículos.

 “Como ciclista, utilizo a faixa azul porque, em Manaus, não há outro lugar tão seguro e vigiado. Digo isso por conta dos inúmeros agentes de trânsito dispostos ao longo dos 4 quilômetros da avenida Constantino Nery. Chego a pensar que não há outros problemas no trânsito da cidade. Essa presença em massa da fiscalização faz com que os motoristas tendam a obedecer os limites de velocidade e as demais regras de trânsito. Assim, na hora do rush, é mais seguro seguir pela faixa azul que pela lateral direita da pista e ficar sujeito às ‘finas’ dos  carros”, explicou.

O ciclista reforçou estar ciente sobre o as regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). “Sei que a lei não proíbe o tráfego de ciclistas nessas vias, mas recomendo que eles busquem vias alternativas sempre que possível, mesmo quando esse desvio implicar em maiores distâncias ou subidas. Enquanto não tivermos alternativas mais seguras, temos que procurar fazer o que for menos arriscado”, disse.

Manaustrans alerta para riscos

O diretor-presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização no Trânsito (Manaustrans), Paulo Henrique Martins, não recomenda a circulação de bicicletas na faixa exclusiva de ônibus localizada no lado esquerdo da avenida Constantino Nery. Segundo ele, a circulação pela esquerda pode representar  perigo para o ciclista. “Quando o ciclista pretende sair do corredor exclusivo à esquerda, ele corre riscos, pois terá que fazer a manobra para a direita, cruzando as faixas da via. A circulação da faixa azul pode parecer atraente para o ciclista, mas devemos valorizar a vida e não o fluxo”, disse.

Em relação à circulação das bicicletas na faixa exclusiva de ônibus localizadas do lado direito da via, o Manaustrans replica a orientação do Códito de Trânsito Brasileiro (CTB), que é circular sempre pelo lado direito da via.

Faixa compartilhada

Na Europa alguns corredores de ônibus são também compartilhados com bicicletas, um bom exemplo é na França e Berlim. Nessas cidades, os motoristas dos ônibus aguardam pacientemente atrás da bicicleta e respeito a velocidade permitida na via. Quando o ciclista passa a circular junto aos carros é reconhecido como um veículo e sua presença na rua é aceita e respeitada.

Blog: Keyce Jhones

Estudante de Arquitetura e ‘cicloativista’

"É possível   pedalar na faixa de ônibus, mas como não temos a cultura do compartilhamento, isso acaba se tornando uma ameaça para os ciclistas.   Particularmente enfrento algumas ameaças por motoristas de ônibus que não querem ´disputar´ o mesmo espaço comigo, então acabam avançando com uma arma que pesa mais de 10 toneladas, buzinando e piscando o farol para que eu saia do  caminho, como se estivesse atrapalhando. Manaus não possui nenhuma infraestrutura cicloviária e, ao longo dos últimos anos, nada foi feito para melhorar o trânsito de usuários de bicicletas na cidade. Somos um polo produtor de bicicletas e há uma demanda crescente de usuários, onde uma grande parcela encontra-se reprimida, justamente pela falta de infraestrutura que assegure a sua vida”.

Frase

Ainda não é seguro pedalar na faixa azul, nem tanto por conta dos ônibus e sim por conta dos automóveis que não obedecem a restrição de tráfego no corredor.

Paulo Aguiar. Coordenador do Movimento Pedala Manaus

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